PF vê atuação de Ibaneis em negociação BRB-Master
Fonte: spacemoney.com.br | Data: 09/10/2026 20:32:19
Relatórios da Polícia Federal entregues ao Supremo Tribunal Federal apontam participação ativa de Ibaneis Rocha (MDB), ex-governador do Distrito Federal, na condução financeira do BRB (Banco de Brasília). Conforme o g1, os documentos ligam essa atuação à tentativa de aquisição do Banco Master, então controlado por Daniel Vorcaro, no período de 2024 a 2025.
Segundo os investigadores, o emedebista atuou em quatro frentes: definição dos valores do aumento de capital, elaboração do plano de expansão do banco, aval a decisões operacionais consideradas críticas e articulação com agentes privados.
A PF sustenta que deliberações estratégicas passavam pelo crivo do então governador antes de serem levadas aos órgãos formais de governança do BRB. A situação é descrita como indício de “captura institucional”, com a estrutura decisória da instituição alinhada a interesses específicos.
O material tem como base mensagens extraídas dos celulares de Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB, e de Daniel Vorcaro, que comandava o Master antes de o banco ser liquidado. Os dois estão presos.
Conforme a PF, a movimentação começa em outubro de 2024, mês em que o BRB foi ao mercado em busca de até R$ 1 bilhão para reforçar seu capital. As tratativas diretas teriam começado em janeiro de 2025.
Em 20 de janeiro daquele ano, Paulo Henrique relatou a Vorcaro que o governador havia pedido uma reunião. Três dias depois, os dois se encontraram com Ibaneis e com um interlocutor identificado apenas como “Leonardo” em Zurique, na Suíça — ocasião que, para os investigadores, marca o início do processo de compra do Master.
As compras de carteiras de crédito do Master feitas pelo BRB entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025 somaram R$ 9,52 bilhões. Relatórios anteriores da PF apontam que o total chegaria a R$ 16,7 bilhões em um ano.
A PF conclui que o Master passou a fazer parte, de maneira indireta, da estrutura acionária do BRB, por meio de fundos de investimento usados para esconder quem seria o beneficiário final e impedir o reconhecimento de controle formal.
A TV Globo e o g1 informaram que buscavam contato com as defesas de Ibaneis, de Vorcaro e de Paulo Henrique Costa.