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Xona prepara testes beta do Pulsar, rival comercial do GPS – SpaceMoney

Fonte: spacemoney.com.br | Data: 10/10/2026 02:07:36

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A Xona Space Systems prepara a entrada em testes do Pulsar, sistema de navegação e sincronização por satélite que a empresa apresenta como a primeira alternativa comercial de precisão ao GPS. O sinal poderá começar a ser validado depois que a SpaceX colocar em órbita seis satélites da startup neste mês.

A ofensiva coloca a companhia californiana diante de um mercado historicamente ocupado por serviços governamentais gratuitos — o GPS americano e as redes equivalentes construídas por Europa, China e Rússia. Esses sistemas entregam valor enorme, mas carregam duas limitações conhecidas: são vulneráveis a interferência e falsificação de sinal e não têm precisão suficiente para operar sozinhos em aplicações como robôs agrícolas e veículos autônomos.

Segundo a Xona, o Pulsar oferece precisão de centímetros em geolocalização, contra o nível de metros do GPS, e tem sinal forte o bastante para ser captado dentro de prédios e em ambientes urbanos densos. Os testes com clientes reais só podem começar quando os satélites estiverem em órbita e passarem sobre as latitudes médias cerca de oito vezes por dia.

Como a Xona pretende superar o GPS

A empresa foi fundada em 2019 por cinco engenheiros que se conheceram em um programa de pós-graduação em engenharia aeroespacial na Universidade Stanford, segundo a TechCrunch. Um deles, Tyler Reid, escreveu o doutorado sobre o potencial do uso de satélites em órbita baixa para melhorar a navegação e hoje é o diretor de tecnologia da companhia, depois de ter trabalhado com carros autônomos na Ford.

O primeiro obstáculo técnico era manter a contagem de tempo a bordo sem os caros relógios atômicos empregados pelos sistemas tradicionais. A Xona desenvolveu uma arquitetura que tira proveito da proximidade dos satélites com a Terra e da comunicação contínua com fontes de referência instaladas no solo. O segundo desafio foi garantir que receptores de GPS já em uso conseguissem captar o novo sinal com uma alteração simples de software — atalho que dá à empresa acesso imediato ao mercado e encurta o caminho regulatório para transmitir sinais de navegação.

O diretor-presidente da Xona, Brian Manning, sustenta que o mercado de navegação não é o serviço em si, mas o hardware: bilhões de dispositivos são vendidos todos os anos e não são distribuídos de graça, o que sustenta a aposta em desempenho superior. Ele afirma ainda que a potência do sinal do Pulsar deve dificultar tentativas de bloqueio e de falsificação de posição.

Manning compara o objetivo da companhia ao padrão de segurança da aviação civil. Na avaliação dele, o Pulsar deve dar a um carro autônomo o mesmo grau de confiança que um passageiro sente ao recostar a poltrona em um avião comercial.

Qual é o papel dos seis satélites nos testes beta

Quatro dos seis satélites são semelhantes ao protótipo lançado pela Xona no ano passado, que comprovou a tecnologia, e usam uma plataforma da Aerospace Labs. Os outros dois foram produzidos integralmente pela empresa em sua sede em Burlingame, na Califórnia, e devem servir de base para a constelação operacional de 258 unidades.

O lote será lançado na missão Bandwagon-5, da SpaceX, e as operações iniciais estão previstas para o começo de 2027, conforme apurou o Payload. A Xona já obteve aprovação da FCC, a agência que regula as comunicações nos Estados Unidos, e agora concentra o esforço em sair da etapa de demonstração para a produção em série.

A corrida para produzir 258 satélites

A empresa começou a fabricar mais quatro satélites em Burlingame. Os novos modelos são cerca de 10% mais leves que o desenho anterior, e a meta é atingir capacidade para construir vários satélites por semana até o fim de 2027.

Para o novo diretor de operações, Patrick Cadariu, veterano de quase uma década na Waymo, a Xona já provou que sabe projetar e construir satélites — o desafio agora é demonstrar que consegue fazer isso em escala. Ele afirma que um serviço de navegação não pode ganhar volume sacrificando desempenho ou resiliência operacional.

Cadariu, que iniciou a carreira em uma linha de montagem automotiva em Detroit, vai comandar manufatura, cadeia de suprimentos e operações, trazendo mais etapas para dentro de casa em busca de custo menor. A expansão geográfica passa por Montreal, onde a Xona atua desde 2024: a empresa está adicionando 35 mil pés quadrados de capacidade de manufatura e operações de missão em um sítio ligado ao Alouette I, primeiro satélite do Canadá.

O novo espaço vai abrigar integração vertical de componentes de plataforma e carga útil, atendimento aos clientes do Pulsar e operações de missão redundantes em relação a Burlingame, que segue como principal polo produtivo.

Quem já testa o sinal e até onde a cobertura chega

O primeiro piloto tem como cliente a TimeBeat, empresa especializada em sincronização eletrônica de tempo. O diretor-presidente da companhia, Ian Gough, diz que a fase inicial vai permitir aos seus engenheiros verificar e corrigir o horário fornecido pelos dispositivos que a empresa mantém em diferentes países.

A Xona captou pouco mais de US$ 300 milhões com investidores de risco desde a fundação, incluindo US$ 20 milhões da Força Espacial dos Estados Unidos — sinal do peso estratégico de uma tecnologia de navegação que se torna mais sensível à medida que sistemas como o GPS se mostram vulneráveis a interferência e falsificação de sinal.

A meta declarada é oferecer cobertura completa nos Estados Unidos, na Europa, no Japão e na Coreia do Sul até 2028. Até lá, o Pulsar precisa sair de um punhado de satélites em teste para uma constelação de 258 unidades.

O que a nova infraestrutura muda no mercado de navegação

O Pulsar entra em um terreno no qual o sinal é gratuito e o dinheiro circula no hardware. A aposta da Xona é que precisão de centímetros, recepção em ambientes fechados e maior resistência a interferência se tornem requisitos de projeto para setores que vão de máquinas agrícolas a veículos autônomos, passando por aplicações que dependem de sincronização fina de tempo.

Se a constelação avançar conforme o cronograma, o mercado de navegação por satélite, hoje dominado por programas governamentais, passaria a comportar uma operação privada de precisão em escala comercial. A validação dessa tese começa nos próximos meses, com seis satélites em órbita e os primeiros clientes testando o sinal.