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Governo Trump abre investigação contra cinco redes de TV que boicotaram cobertura compartilhada após veto à CNN

Fonte: mediatalks.uol.com.br | Data: 11/10/2026 08:13:49

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Departamento de Justiça apura possível violação da lei antitruste após decisão conjunta das emissoras; organização de defesa da imprensa denuncia tentativa de intimidação

O governo de Donald Trump abriu uma investigação contra cinco das maiores redes de televisão dos Estados Unidos – CNN, ABC, CBS, NBC e Fox News – por terem suspendido a cobertura compartilhada de eventos presidenciais em protesto contra restrições impostas pela Casa Branca à imprensa.

A investigação, confirmada no sábado (10) pelo Departamento de Justiça, apura se a decisão conjunta das emissoras pode ter violado a legislação antitruste americana.

A iniciativa agrava a tensão entre o governo Trump e grandes veículos de comunicação americanos, que já levou a ações judiciais contra a Casa Branca.

Qual o fundamento da investigação sobre as TVs?

Segundo o Departamento de Justiça, boicotes coletivos entre empresas concorrentes podem violar a Lei Sherman, que combate práticas anticoncorrenciais. A porta-voz Emily Covington afirmou que a Divisão Antitruste está investigando se houve alguma infração.

De acordo com informações divulgadas pela imprensa americana, representantes do departamento procuraram as cinco redes na sexta-feira (9), solicitando documentos e comunicações relacionadas ao funcionamento do sistema de cobertura compartilhada.

As emissoras não haviam divulgado uma resposta conjunta à investigação até a noite de sábado. Representantes das redes procurados pela CNN preferiram não comentar ou não responderam aos pedidos de manifestação.

Por que as redes de TV suspenderam a cobertura?

A investigação tem origem na decisão das emissoras de suspender temporariamente o chamado pool de televisão da Casa Branca, em setembro, depois que Trump proibiu jornalistas da CNN, MS NOW e Politico de acessar a sede do governo, acusando os veículos de divulgar notícias falsas.

O pool é um sistema de revezamento que permite a um grupo reduzido de jornalistas acompanhar eventos presidenciais nos quais não há espaço para todas as equipes de imprensa, como encontros no Salão Oval e viagens no avião presidencial. É uma prática comum, não apenas nos EUA mas em outros países.

Nos EUA, as cinco redes dividem os custos da operação e se alternam na produção de imagens, distribuídas a emissoras e outros veículos nos Estados Unidos e no exterior.

Isso permite que até organizações que não têm uma equipe permanente na Casa Branca utilizem imagens independentes dos compromissos do presidente.

Quando a CNN foi impedida de cumprir seu turno, as demais emissoras se recusaram a indicar uma substituta. A suspensão afetou apenas a produção compartilhada de imagens nos eventos de acesso restrito, e não toda a cobertura jornalística de Trump.

Na ocasião, as cinco redes divulgaram uma declaração conjunta defendendo o direito do público de receber informações independentes sobre o governo. Afirmaram também que nenhuma administração deveria restringir um veículo por discordar de sua cobertura.

Organizações de imprensa criticam investigação

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) criticou a abertura da investigação. José Zamora, diretor da organização para as Américas, afirmou que o governo não deve usar investigações antitruste para intimidar veículos que defendem o acesso da imprensa. Ele ressaltou que o direito do público à informação depende desse acesso.

O Reporters Committee for Freedom of the Press, organização americana que oferece assistência jurídica a jornalistas, também reagiu. Seu presidente, Bruce D. Brown, classificou a investigação como mais uma tentativa de intimidar a imprensa.

Para Brown, a medida parece ser um pretexto para obter registros internos das emissoras sobre suas decisões de cobertura. Ele argumentou que essas decisões são protegidas pela Primeira Emenda da Constituição americana, que garante a liberdade de expressão e de imprensa.

Disputa com a Casa Branca continua

O confronto começou em 18 de setembro, quando Trump anunciou o veto à CNN, à MS NOW e ao Politico. Os três veículos recorreram à Justiça, alegando que a decisão representava uma punição pelo conteúdo de suas reportagens.

Em 24 de setembro, o juiz federal Timothy Kelly determinou a restituição temporária das credenciais, por considerar provável que a proibição violasse a Constituição.

Apesar da decisão, o governo manteve a posição de que o acesso de jornalistas à Casa Branca é um privilégio, não um direito.

As restrições também continuaram em outras atividades presidenciais. No início de outubro, a CNN voltou a ser retirada da escala do pool em uma viagem de Trump, sendo substituída pela Real America’s Voice, emissora alinhada ao governo.

A cobertura compartilhada já foi retomada, mas a disputa judicial sobre o acesso da imprensa prossegue. A investigação antitruste agora coloca também sob escrutínio a Fox News, emissora frequentemente favorável a Trump e que participou da decisão de não substituir a CNN no revezamento.