O médico urologista Correia Neto, especialista em redesignação sexual atuante em Natal (RN), explicou em entrevista os detalhes e critérios técnicos sobre a cirurgia de neovulvovaginoplastia, procedimento voltado para o tratamento da disforia genital em mulheres trans. Desde maio, o especialista já realizou cinco procedimentos no estado, todos custeados por planos de saúde por estarem previstos no rol de procedimentos obrigatórios da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
O médico destacou que, para a realização do procedimento pelo sistema privado ou pelo SUS, o paciente deve cumprir os critérios estabelecidos pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Entre as exigências do CFM estão a idade mínima de 21 anos e a apresentação de três laudos multidisciplinares emitidos por psicólogo, psiquiatra e endocrinologista. O procedimento é considerado de alta complexidade, realizado sob anestesia geral em ambiente hospitalar, com duração média de quatro a cinco horas e acompanhamento médico contínuo.
O especialista ressaltou a mudança na qualidade de vida e na saúde mental dos pacientes operados, rebatendo preconceitos e a transfobia associados ao tema. Embora o procedimento já esteja disponível via planos de saúde, o médico afirmou que busca diálogo com as autoridades locais para estruturar o fluxo de atendimento pelo SUS no Rio Grande do Norte.