“A gente quer garantir o direito às mulheres a jogarem futebol”
Fonte: O Estado | Data: 10/06/2026

Em meio aos trâmites estruturais para a Copa do Mundo Feminina de 2027, Fortaleza está no centro de observação de um integração entre os Poderes Executivo, federal e estadual, e Judiciário. Coordenadora-geral da competição, Raquel Martins, do Ministério do Esporte, esteve em Fortaleza para coletiva que objetivou debater estratégias de segurança pública para o evento.
A coordenadora afirmou em coletiva que os amistosos que ocorreram tanto em São Paulo na última semana quanto nesta terça-feira (9) são eventos técnicos, que possuem como intuito agregar a compreensão de comportamento do público, da logística de deslocamento das equipes e ampliar a segurança dos torcedores. “É um evento teste, de um tamanho menor para o que a gente vai realizar em 2027. As oito cidades sede da Copa de 2027 já comprovaram que sabem fazer e receber muito bem o público estrangeiro, com a Copa de 2014, com os Jogos Olímpicos”, disse.
Segundo Raquel, a mobilização para os futuros jogos já está sendo desenvolvida no Brasil, mas relatou um entrave previsto no pós Mundial, em relação à segurança, e o legado social esportivo se tornou uma questão debatida na Secretaria Extraordinária para a Copa do Mundo Feminina.
OLHO COM ASPAS
“Quando a gente pensa em combate a violência, e garantir que os estádios sejam ambientes seguros, é um desafio ainda maior quando a gente pensa isso para o outro feminino. Então como grande legado da Copa, a gente quer garantir o direito às mulheres a jogarem futebol”
- Raquel Martins, Coordenadora-geral da competição, do Ministério do Esporte
Em entrevista a O Estado, Raquel aborda, além da violência contra as mulheres, a segurança pública em relação às facções criminosas no Ceará e no Brasil, e as principais iniciativas, tendo em vista o Mundial no ano de 2027.
O ESTADO – Qual o papel específico do Ministério dos Esportes no combate às facções criminosas durante a Copa do Mundo Feminina de 2027?
Raquel Martins – A participação da Secretaria Extraordinária da Copa de Futebol Feminino do Ministério do Esporte neste evento é a gente aprender com a experiência do Ministério Público, mas também fazer algumas trocas específicas pensando no combate à violência contra as mulheres em todas as esferas no futebol. É um evento de extrema importância para nós e uma grande oportunidade para a gente construir próximos passos para a Copa de 2027 que o Brasil vai sediar e que Fortaleza é uma das cidades-sede.
O Estado – Você assumiu esse papel importante na coordenação. Qual sua missão no evento do ano que vem?
Raquel Martins – Estou agora como coordenadora geral da Copa, sob a liderança da secretária extraordinária, Juliana Gatti, que esteve aqui em Fortaleza, fazendo a visita técnica com toda a equipe da Fifa, e outros outros equipamentos de segurança, os ministérios, Ministério da Saúde, GSI [Gabinete de Segurança Institucional], uma grande equipe do Governo Federal. Como coordenadora-geral da Copa, a minha grande responsabilidade é, junto com outros integrantes da equipe, construir e elaborar também com a sociedade brasileira o Plano Nacional do Legado Social Esportivo. Um dos grandes grandes focos é deixar políticas públicas e ações concretas duradouras para a melhoria do futebol feminino, para a ampliação dos direitos das mulheres, no ambiente do esporte, e também em outros ambientes, como legado desse grande evento que nós vamos realizar em 2027.
O Estado – Quais são os principais passos a serem dados até o ano que vem?
Raquel Martins – Nós estamos a todo vapor. No dia 24 de junho, estaremos há um ano do evento. Temos uma equipe interministerial e também nos territórios na cidades-sede trabalhando arduamente para garantir que todos os compromissos assumidos com a Fifa do pelo governo brasileiro sejam entregues. Tem uma equipe dedicada à parte de operação, segurança, mobilidade, vistos, receber bem aos turistas, as seleções estrangeiras, mas também um olhar específico para a construção desse legado. Então, a gente vem discutindo com os ministérios, com a cidades-sede, com a sociedade civil organizada o legado social esportivo desta Copa.