No último dia da campanha “Agosto Lilás”, mês dedicado ao combate à violência contra a mulher, uma exposição em Fortaleza utiliza a arte para promover a conscientização e o enfrentamento à violência de gênero. A iniciativa busca criar um ponto de encontro entre a cultura regional e a luta social, aproximando a população de um tema urgente por meio de linguagens artísticas tradicionais do Nordeste.
A mostra reúne mais de 90 peças, incluindo xilogravuras, folhetos de cordel, matrizes e documentos históricos. O acervo é fruto de uma parceria com a Lira Nordestina, a tipografia de cordel mais antiga do Brasil, e a Universidade Regional do Cariri (URCA). Entre os visitantes, estudantes universitários destacam que a abordagem poética e lúdica facilita a compreensão da Lei Maria da Penha e humaniza o debate sobre a violência doméstica, que tem registrado índices alarmantes nos últimos dias.
Um dos espaços de maior impacto na exposição é dedicado à memória de Marta Francisca, uma jovem de 16 anos assassinada pelo ex-noivo em 1958. O caso, que gerou grande comoção na época e resultou na condenação do autor, é ilustrado com registros históricos e o processo criminal, servindo como um lembrete da longa trajetória de luta por justiça.
A exposição foi instalada no prédio do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE). Para os organizadores, a escolha do cordel e da xilogravura como veículos de informação é estratégica, pois utiliza o contexto cultural local para transmitir versões verdadeiras dos fatos e oferecer uma forma de “desafogar” a dureza do tema através da expressão artística.