Troca de críticas entre Janja e Silas Malafaia expõe atuação de evangélicas progressistas
Fonte: PLOX | Data: 14/06/2026
A troca de críticas entre a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e o pastor Silas Malafaia colocou em evidência mulheres evangélicas que buscam conciliar a fé cristã com pautas progressistas. O confronto ganhou força após Janja responder, durante um encontro do PT em Brasília, a comentários feitos pelo líder religioso sobre reuniões promovidas por ela com fiéis de diferentes regiões do país.

No 4º Encontro Nacional de Evangélicos e Evangélicas do PT, realizado na segunda-feira (8), Janja afirmou que Malafaia teria classificado as participantes dessas reuniões como mulheres insignificantes.
Insignificante é ele, porque toda mulher para mim é importante declarou a primeira-dama, ao defender que o valor dos encontros não depende da projeção pública ou do número de participantes.
Malafaia contesta interpretação de Janja
O pastor respondeu que sua fala havia sido retirada do contexto. Segundo Malafaia, ele disse em 2025 que os encontros reuniam mulheres sem expressão de liderança no meio evangélico, e não pessoas sem importância. O líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo sustentou que ausência de notoriedade pública não diminui o valor de uma mulher para a família, a igreja ou a comunidade.
A discussão levou ao centro do debate um grupo com pouca visibilidade nas grandes lideranças religiosas, mas que tenta ampliar sua participação política. Entre os nomes envolvidos nessa articulação está a jornalista Nilza Valéria Zacarias, coordenadora da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito e conselheira da Presidência da República, que acompanha Janja em agendas com mulheres evangélicas.
Aproximação busca superar resistência à esquerda
Os encontros começaram em 2025 com o objetivo de ouvir as dificuldades enfrentadas por fiéis e compreender a resistência de parte das igrejas ao campo progressista. Nilza avalia que a associação automática entre evangélicos, conservadorismo e bolsonarismo não representa toda a diversidade existente dentro das denominações religiosas.
Lideranças ouvidas pela Folha defendem que a aproximação seja construída em torno de problemas presentes no cotidiano das mulheres, como violência doméstica, feminicídio, falta de creches, insegurança alimentar, desemprego e dificuldades para acessar serviços públicos. A avaliação é que essas questões atingem as fiéis independentemente de sua preferência eleitoral.
Pautas sociais entram no centro do debate
A vereadora de Goiânia Aava Santiago (PSB), que participou do encontro, argumenta que assuntos relacionados a emprego, maternidade, cuidado com os filhos e condições de trabalho costumam ter mais impacto na vida das mulheres evangélicas do que as chamadas guerras culturais. Para ela, a defesa de políticas públicas pode servir como ponto de diálogo entre a fé e setores da esquerda.
Temas como o aborto, porém, continuam sendo um dos principais obstáculos para essa aproximação e não foram debatidos no encontro. O evento reuniu pastores, parlamentares, militantes e representantes de movimentos religiosos e também resultou no lançamento de uma carta dirigida ao público evangélico, com críticas ao uso político da fé e defesa de pautas como justiça social, democracia e proteção das famílias.