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A primeira-dama Janja da Silva voltou a destacar a importância das mulheres evangélicas ligadas ao campo progressista durante um evento realizado com fiéis petistas e simpatizantes do partido. A manifestação ocorreu após declarações do pastor Silas Malafaia sobre um encontro promovido por Janja em 2025, na igreja Coletivação, em Ceilândia, no Distrito Federal.

Durante o evento, Janja criticou uma fala de Malafaia, que havia afirmado que a primeira-dama reunia mulheres sem relevância no meio evangélico. Em resposta, ela declarou que toda mulher é importante e rejeitou qualquer tentativa de diminuir a participação feminina nos debates políticos e religiosos. O pastor, por sua vez, afirmou que suas declarações foram retiradas de contexto e argumentou que existe diferença entre dizer que alguém não possui expressão pública e considerá-la insignificante.

O episódio trouxe visibilidade para um grupo pequeno, mas considerado estratégico para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Essas mulheres buscam conciliar a fé cristã com pautas historicamente associadas à esquerda, defendendo que a identidade evangélica não implica necessariamente adesão ao conservadorismo ou ao bolsonarismo.

Entre as lideranças citadas está Nilza Valéria Zacarias, coordenadora da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, autora do livro “A Casa da Rita” e integrante do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável da Presidência da República. Segundo Janja, Nilza tem contribuído para a organização de encontros em diferentes regiões do país, com o objetivo de compreender as resistências das evangélicas à esquerda e ouvir suas principais demandas.

Durante o evento, Janja ressaltou a importância de uma leitura feminina da Bíblia. Ela citou exemplos de passagens bíblicas que destacam o protagonismo das mulheres, como Maria Madalena, primeira testemunha da ressurreição de Jesus, e Maria, mãe de Jesus, cuja intervenção antecedeu o milagre da transformação da água em vinho.

Nilza avalia que a direita conseguiu consolidar entre muitos evangélicos a percepção de que a esquerda deve ser combatida. No entanto, acredita que há sinais de desgaste diante da intensa politização dos templos. Segundo ela, muitos fiéis demonstram cansaço com discursos políticos constantes e tendem a rejeitar lideranças religiosas que transformam a igreja em espaço de campanha eleitoral.

A coordenadora destaca ainda que os evangélicos não devem ser vistos como um bloco homogêneo. Para ela, a experiência religiosa convive com outras dimensões da vida cotidiana, como trabalho, transporte público, cuidados com os filhos, acesso à saúde e enfrentamento da violência.

Outra participante do encontro foi Dagmar Santos, dirigente partidária, estudante de serviço social e filha de um dos fundadores do PT. Moradora de Lauro de Freitas, na Bahia, ela afirmou preferir frequentar uma igreja de perfil mais progressista, que prioriza a mensagem do Evangelho sem enfatizar disputas ideológicas entre direita e esquerda.

Dagmar criticou a utilização política da religião e afirmou que parte dos líderes religiosos se aproveita da dificuldade de muitos fiéis em identificar interesses políticos presentes em determinadas pregações. Também questionou interpretações bíblicas que, segundo ela, reforçam estruturas de opressão contra as mulheres.

Para a dirigente petista, um dos principais desafios da esquerda é ampliar o diálogo com as bases evangélicas e evitar debates que reforcem polarizações. Ela considera que temas como aborto costumam ser tratados de maneira simplificada e defende uma abordagem que considere as situações de vulnerabilidade enfrentadas por muitas mulheres.

Durante o encontro, as discussões se concentraram principalmente em questões sociais. Entre as prioridades apontadas pelas participantes estavam o combate ao feminicídio e à violência doméstica, a redução da mortalidade materna, a segurança alimentar e a ampliação de vagas em creches e escolas públicas.

A vereadora de Goiânia Aava Santiago, do PSB, também participou do debate. Ela argumentou que muitas mulheres evangélicas estão mais preocupadas com emprego, renda, educação dos filhos e acesso a serviços públicos do que com temas frequentemente associados às disputas ideológicas. Segundo a parlamentar, a política deve servir como instrumento para colocar em prática os valores de justiça social e cuidado com o próximo ensinados pelo Evangelho.

As lideranças presentes defenderam que o campo progressista amplie sua presença junto às comunidades evangélicas por meio do diálogo sobre problemas concretos do cotidiano. A avaliação é de que questões como creches, trabalho, saúde, proteção às mulheres e fortalecimento das famílias possuem maior potencial de aproximação do que debates marcados pela polarização política.