PF investiga propina e irregularidades em investimento da previdência do AM
Fonte: imprensapublica.com.br | Data: 07/03/2026 04:03:04
VINICIUS SASSINE
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)
A Polícia Federal (PF) está investigando suspeitas de pagamento de propina e desrespeito às regras de investimentos realizadas pela Amazonprev, órgão responsável pela previdência dos servidores públicos do Amazonas. Os aportes realizados em letras financeiras de bancos privados, incluindo R$ 50 milhões no banco Master, administrado por Daniel Vorcaro, preso recentemente, estão sob análise.
Entre junho e setembro de 2024, a Amazonprev investiu R$ 390 milhões em letras financeiras de quatro bancos. A PF deflagrou, em 6 de dezembro de 2024, a operação Sine Consensu com mandados de busca em Manaus e Niterói (RJ), resultando no afastamento temporário de servidores investigados: Claudinei Soares, Cláudio Marins de Melo e André Luis Bentes de Souza.
Segundo a Polícia Federal, as aplicações foram feitas contra as orientações do comitê de investimentos da Amazonprev, que em 2023 já havia desaconselhado a compra desses títulos. Há risco de perda de R$ 50 milhões, devido à crise financeira do banco Master e indícios de fraude. O prejuízo poderia impactar contribuintes ou o governo do Amazonas.
A PF identificou suspeitas de pagamentos ilícitos, somando R$ 620,1 mil, transferidos por uma empresa de gestão de frotas automotivas sediada em Niterói para diretores da Amazonprev, sem relação aparente entre as partes. A Justiça Federal qualificou essas movimentações como atípicas, reforçando o indício de corrupção.
A Amazonprev informou que colabora com as investigações e que afastou dois servidores investigados. Um terceiro ex-diretor, que era comissionado, não faz mais parte da instituição. A entidade ressaltou que os investimentos não comprometem o pagamento dos benefícios, já que o fundo acumula superávit atuarial de R$ 1,7 bilhão e saldo de mais de R$ 11 bilhões.
As aplicações em letras financeiras não são protegidas pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e podem resultar em perdas totais caso a instituição emissora enfrente insolvência. O comitê e uma consultoria haviam recomendado a compra de títulos do Tesouro Nacional, considerados mais seguros, mas essas orientações não foram seguidas.
Além do banco Master, a Amazonprev investiu sem avaliação adequada outros R$ 50 milhões no Daycoval, R$ 40,73 milhões no BTG Pactual e R$ 250 milhões no banco C6 Consignado, todos sem as cotações e deliberações necessárias do comitê de investimentos em alguns casos.
As irregularidades constatadas apontam para uma gestão imprópria dos recursos de aposentados e pensionistas do Amazonas, em desacordo com as normas federais de governança. Algumas instituições afirmaram não participar das negociações ou nunca terem feito negócio com a Amazonprev.
Esse episódio reforça a fiscalização da Polícia Federal sobre investimentos de fundos públicos, seguindo recentes operações contra investimentos da Amprev no Amapá e da Rioprevidência no Rio de Janeiro, todos envolvendo letras financeiras do banco Master.