Representantes da Saúde de Várzea Grande participam de debate sobre segurança de médicos em evento no CRM-MT
Fonte: 360fatos.com.br | Data: 07/03/2026 16:06:51
Representantes da Secretaria Municipal de Saúde de Várzea Grande participaram, na semana passada, de um encontro realizado no auditório do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT), em Cuiabá, que discutiu a Resolução nº 2.444/2025 do Conselho Federal de Medicina (CFM), norma que estabelece diretrizes voltadas à segurança dos médicos no exercício da profissão em unidades de saúde.
O evento reuniu deputados, representantes do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), gestores da área da saúde e profissionais de diferentes instituições públicas e privadas. Na oportunidade, também estiveram presentes representantes da atenção terciária do município de Várzea Grande que acompanharam a apresentação da resolução e participaram das discussões sobre estratégias voltadas à proteção dos profissionais de saúde no ambiente de trabalho.
A RESOLUÇÃO – A Resolução CFM nº 2.444/2025, amplamente divulgada por meio do Projeto Divulga CFM, representa um importante avanço na proteção do exercício da medicina no Brasil. A norma reconhece a crescente ocorrência de violência no ambiente de trabalho em serviços de saúde, incluindo agressões físicas, verbais, morais e institucionais, e estabelece diretrizes para que as instituições adotem medidas mínimas de segurança e proteção aos profissionais.
A resolução reforça que garantir condições adequadas de segurança não é apenas uma medida administrativa, mas uma responsabilidade institucional essencial para preservar a integridade dos profissionais, a autonomia do ato médico e a qualidade da assistência prestada à população. Ao incentivar a criação de protocolos de segurança, controle de acesso e suporte institucional diante de situações de agressão, o Conselho Federal de Medicina busca fortalecer ambientes de trabalho mais seguros e respeitosos.
A realidade da violência no ambiente de trabalho também já foi vivenciada por profissionais que atuam na rede pública. A médica B. C. P. foi vítima de agressão física durante um atendimento e sofreu uma fratura na mandíbula, precisando passar por cirurgia para correção da lesão. Ao relatar o episódio, ela destacou a importância de medidas institucionais de proteção.
“Situações como essa marcam profundamente o profissional. Nós estamos ali para cuidar das pessoas, mas também precisamos de condições de segurança para exercer nosso trabalho. A adoção de protocolos, controle de acesso e apoio institucional são fundamentais para que possamos atender a população com tranquilidade e dignidade”, relatou a médica.
ESTRATÉGIAS – No município de Várzea Grande algumas estratégias vem sendo adotadas com o intuito de dirimir as agressões verbais e físicas desferidas aos profissionais da saúde. A exemplo do Hospital e Pronto-Socorro Municipal de Várzea Grande (HPSMVG) já vem adotando medidas voltadas à segurança institucional há algum tempo. Por se tratar de um hospital de referência e porta aberta para atendimentos de urgência e emergência, com elevado fluxo assistencial e grande circulação de pacientes e acompanhantes, a gestão hospitalar tem implementado ações preventivas voltadas à proteção das equipes e pacientes.
Entre as medidas adotadas estão a contratação de segurança patrimonial com guarda armada, controle e limitação de acompanhantes nas áreas assistenciais, restrição e organização de acesso às dependências da unidade e monitoramento por câmeras em áreas consideradas críticas, especialmente em setores com maior tensão assistencial.
A superintendente assistencial do Pronto-Socorro Municipal de Várzea Grande, Marciana Sobrinho, destacou que a preocupação com a segurança dos profissionais é permanente dentro da unidade.
“Trabalhamos em um hospital de porta aberta, que atende uma grande demanda da região, e isso exige organização, protocolos e medidas de segurança que garantam a integridade dos profissionais e também dos pacientes. Essas ações já vêm sendo implementadas no hospital justamente para assegurar um ambiente de trabalho mais protegido e adequado para toda a equipe”, afirmou.
Marciana também ressaltou que as medidas adotadas não se destinam apenas aos médicos, mas abrangem todos os profissionais que atuam na unidade.
“As ações de segurança são voltadas a toda a equipe multiprofissional, incluindo enfermeiros, técnicos de enfermagem, profissionais administrativos, equipes de apoio e demais colaboradores que atuam diretamente no cuidado e no funcionamento do hospital”, pontuou.
Antes mesmo da publicação da resolução, a Direção Técnica e a Superintendência Assistencial do HPSMVG já haviam estruturado um fluxograma interno para acolhimento e condução de situações envolvendo agressões ou constrangimentos a profissionais de saúde.
A secretária municipal de Saúde de Várzea Grande, Deisi Bocalon, destacou que além do Pronto-Socorro, as demais unidades de saúde do município tem avançado em investimentos voltados à segurança nas unidades de saúde.
“Implantação de guarda armada nas unidades de saúde do município como uma medida de proteção aos profissionais e também aos usuários do sistema público. Além disso, estamos viabilizando a implantação de um moderno sistema de monitoramento com tecnologia de reconhecimento facial, que será integrado à rede pública municipal de saúde, ampliando o controle de acesso e a segurança institucional”, afirmou.
Deisi ressalta ainda que o cuidado no ambiente de trabalho precisa contemplar todos os profissionais que atuam na assistência. Não se trata apenas dos médicos, mas de toda a equipe multiprofissional que está na linha de frente do cuidado, como enfermeiros, técnicos de enfermagem, assistentes sociais e demais trabalhadores da saúde. “Garantir condições seguras de trabalho é fundamental para que esses profissionais possam exercer suas funções com dignidade e oferecer um atendimento de qualidade à população”, desta.
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