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Master: autópsia de um escândalo – by Ricardo Schweitzer

Fonte: cartasdoexilio.com.br | Data: 07/03/2026 17:35:25

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Eu não queria escrever sobre isso hoje. Tinha outras coisas na fila. Material bom.

Mas há assuntos que gritam. Que não aceitam ser postos na fila.

Há veículos fazendo um trabalho excelente nessa cobertura disso aqui. Por outro lado, há vozes cujo silêncio me incomoda — talvez por medo, talvez porque constam de folhas de pagamento que criam complicações.

Eu não tenho rabo preso com ninguém, então minha ponderação é mais fácil.

Escrevi sobre Vorcaro antes com menos profundidade do que ele merecia. De lá para cá, uma enxurrada de fatos novos. Então hoje eu me redimo.

Martha Graeff. 40 anos. Quase 700 mil seguidores no Instagram. Mora em Miami.

O currículo afetivo é de personagem de telenovela cara: ex-namorada de Aécio Neves e de Rony Seikaly — que jogou na NBA antes de ela ser adulta. Com Vorcaro, namorou aproximadamente dois anos. O relacionamento terminou dias após a primeira prisão dele.

Mas o que importa é: enquanto durou tal enlace, Martha era uma janela para o que Vorcaro entendia por “intimidade”.

Ele relatava para Martha cada encontro de poder como quem exibia um troféu. Lula. Rui Costa. Gabriel Galípolo. Hugo Motta. Ciro Nogueira. Em determinada mensagem, explicou que não podia falar porque estava recebendo “Hugo”, “Ciro” e “Alexandre”. Assim mesmo, por prenome, como quem menciona vizinhos de condomínio.

Erika Schneider, ex-bailarina do Faustão e musa dos Gaviões da Fiel, recebeu a mesma mensagem de “bom dia” com emojis de coração que Martha recebeu. Ao mesmo tempo. As duas, mais uma terceira não identificada. Três bons dias simultâneos, três corações digitais, zero originalidade.

O mesmo Vorcaro reconheceu que contratou mais de 300 prostitutas para uma festa. Disse que isso era parte do business dele. Anoto aqui sem julgamento de ordem moral, mas sim apenas como dado; porque a observação que importa é outra: a folha de pagamento de Vorcaro era muito maior do que 300 pessoas, e as verdadeiras prostitutas eram de natureza muito mais variada do que a primeira leitura sugere.

Martha desativou os comentários nas redes após o vazamento. Disse que as mensagens são “privadas e trocadas em contexto estritamente pessoal.”

Ela está certíssima. O que não é privado é o restante. Todo o restante.

O dia era 17 de novembro de 2025. Daniel Vorcaro acordou sabendo que havia problema.

Às 7h19, escreveu para um contato salvo no celular: “acho que o tema de que falamos começou a dar uma vazada… a turma do BRB me disse que está tendo um movimento de sacanagem do caso. E que a mesma jornalista de antes estava fazendo perguntas lá.”

O contato respondeu. A resposta desapareceu.

Este é o detalhe que organiza tudo o que se segue: os dois não conversavam pelo WhatsApp normalmente: escreviam no bloco de notas do celular, tiravam print e enviavam pelo aplicativo em modo de visualização única. A mensagem desaparece depois de aberta. Apenas os prints de Vorcaro permaneceram no aparelho dele. As respostas do outro lado sumiram.

Dois homens que constroem um sistema artesanal para apagar rastros estão, por esse ato em si, sinalizando que há rastros a apagar. O que cada leitor infere a partir daí é problema de cada leitor. Eu jamais ousaria inferir nada.

Às 17h22, Vorcaro escreveu: “Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Fiz o que deu, vou anunciar parte da transação.” Às 17h26: “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?” Às 19h58: “Alguma novidade?” Às 20h21 e 20h23, o interlocutor respondeu duas vezes.

Às 20h48, Vorcaro enviou a última mensagem. A resposta do interlocutor foi um emoji de polegar levantado, fazendo joinha.

Pula para 22h. Vorcaro é preso em Guarulhos tentando embarcar para Dubai.

O contato identificado no celular de Vorcaro, com nome e número — segundo O Globo — confirmados por software pericial, era Alexandre de Moraes.

O STF emitiu nota dizendo que as mensagens “não conferem com os contatos do ministro nos arquivos apreendidos” e que os prints estariam vinculados a “outras pessoas de sua lista de contatos.”

A nota não diz quem são essas outras pessoas. Não diz como uma mensagem de WhatsApp aparece com o nome e número de uma pessoa específica no aparelho de quem envia, mas pertenceria tecnicamente a outra. Não diz que Vorcaro e Moraes não trocavam mensagens: apenas diz que aquelas mensagens não seriam de uma troca entre eles.

Por outro lado, sobre o que nota se restringe a dizer, foi refutada pelo O Globo: no material exibido pelo jornal, constam nome e número do ministro, “conferido e checado.”

O intervalo médio entre as mensagens de Vorcaro e as respostas que desapareceram: entre um e seis minutos. Rápido. O processo mais longo da história do Judiciário brasileiro levou 125 anos para encontrar conclusão — foi movido por Princesa Isabel e Conde d’Eu, em 1895. Sobre ele, o STF decidiu em 2020.

Apresento os fatos. Explico mais adiante por que não escrevo o que penso com a franqueza que merece.

Em abril de 2024, o Grupo Voto organizou em Londres o “I Fórum Jurídico Brasil de Ideias”. Patrocinador principal: Banco Master. Os ministros do STF e do STJ presentes foram convidados pessoalmente por Alexandre de Moraes.

Supostamente, a lista de convidados era submetida a Moraes para aprovação prévia. Um nome foi vetado: Joesley Batista, da J&F.

O motivo, segundo o próprio Vorcaro ao ConJur: Michel Temer seria homenageado no evento. Temer foi quem indicou Moraes ao STF. Temer havia sido delatado por Joesley na Lava Jato. E Temer atuava, àquela altura, como advogado da Paper Excellence na disputa de R$ 15 bilhões contra a J&F pela Eldorado Celulose.

A geometria desse veto não precisa de comentário. Mas vou fazer um assim mesmo: um banqueiro privado decidia quem podia e quem não podia sentar no mesmo salão que ministros do Supremo. E os ministros foram ao encontro mesmo assim.

O escritório Barci de Moraes Advogados, formado por Viviane Barci, esposa do ministro, e dois filhos do casal, assinou contrato com o Banco Master em 2024. Valor: R$ 3,6 milhões por mês por 36 meses. Total: R$ 129 milhões. Escopo: representar o banco “onde for necessário” — Banco Central, Receita, CADE, Congresso, PGF…

A única atuação documentada de Viviane Barci em favor do Master: uma queixa-crime contra Vladimir Timerman (sobre quem escrevi aqui). Naquele caso, o Master perdeu em primeira e segunda instâncias.

No vazamento integral do celular de Vorcaro, com conversas com Lula, ministros, parlamentares, concorrentes e namoradas, Viviane Barci não aparece em nenhuma mensagem. Zero. A advogada cujo escritório recebia R$ 3,6 milhões por mês é uma ausência absoluta no celular do seu maior cliente.

A hipótese de que o contrato era, na verdade, um mecanismo de pagamento de outra coisa consta da investigação da PF. Não sou eu quem está levantando qualquer suspeita. Registro como investigação em andamento.

Cada um que tire suas próprias conclusões sobre o que se compra R$ 129 milhões.

Paulo Sérgio Neves de Souza ingressou no Banco Central em 1998.

Economista formado pela PUC-SP, MBA em risco pela Fipecafi. Em 2017, chegou à diretoria de fiscalização, uma das cadeiras da diretoria colegiada. Votava nas reuniões do Copom.

Em 2019, assinou a autorização da compra do Banco Máxima por Daniel Vorcaro. A operação que deu origem ao Banco Master.

Ele criou o monstro. E passou a trabalhar para ele às escondidas, ainda no BC.

Segundo investigação da PF, Paulo Sérgio revisava documentos do Master antes de serem protocolados no BC, orientava como responder a questionamentos regulatórios e alertava Vorcaro sobre movimentações suspeitas identificadas pelos próprios sistemas que ele era pago pelo Estado para operar.

Em 2021, ainda na diretoria de fiscalização, vendeu uma fazenda de café por R$ 3 milhões a um fundo ligado ao cunhado de Vorcaro. Quando o mesmo Vorcaro soube que Paulo Sérgio iria a Orlando, providenciou guias particulares para a família.

Belline Santana chefiava o Departamento de Supervisão Bancária do BC, o Desup.

Respondia pela supervisão de todas as instituições financeiras, incluindo o Master. Era visto internamente como candidato natural à diretoria de fiscalização.

Participava de reuniões privadas com Vorcaro fora do BC. Solicitava contato por telefone para assuntos sensíveis, evitando registro escrito. Revisava ofícios que o Banco Master enviaria ao próprio departamento que ele chefiava.

A frase que circulou na imprensa resume o que havia entre os dois: “Belline cobrando, paga? Claro.”

O ato mais grave, constante da decisão de André Mendonça: em novembro de 2025, quando a PF solicitou documentos para embasar o pedido de prisão de Vorcaro, Belline atrasou deliberadamente o envio. Só entregou depois de ser alertado de que poderia responder judicialmente pela inércia.

A propina chegava via contrato fictício com a Varajo Consultoria Empresarial, empresa montada especificamente para isso. Souza e Santana tinham salários acima de R$ 40 mil por mês no Banco Central.

George Stigler ganhou o Nobel de Economia formalizando o óbvio: o regulado tende a capturar o regulador. No Brasil, Vorcaro não capturou o regulador. Ele o assalariou. Com guias de Disney incluídos.

A fiscalização não falhou. A fiscalização foi comprada.

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão era conhecido como Sicário. Segundo uma fonte particular minha, anteriormente era figura frequente na cena criminal de MG, onde atendia pela alcunha de Mexerica — essa informação eu não consegui confirmar, mas fica o registro.

Recebia R$ 1 milhão por mês para coordenar o que a PF descreveu como “uma espécie de milícia privada.” Organizava o grupo de WhatsApp “A Turma”, estruturado em quatro núcleos: financeiro, corrupção institucional, lavagem de dinheiro e intimidação.

Entre as tarefas documentadas: monitoramento de adversários, vigilância. Em conversa com Vorcaro, Sicário discutiu organizar um assalto e “dar um pau” no jornalista Lauro Jardim, de O Globo.

Para penetrar nos sistemas do Estado, dois métodos. Sicário montou páginas falsas idênticas ao sistema de troca de senhas da PGR e convenceu servidores a inserir suas credenciais, obtendo acesso a procedimentos sigilosos.

Marilson Roseno da Silva, ex-escrivão da PF, operava a compra direta de senhas de servidores ainda em atividade. Os alvos incluíam, segundo a decisão de Mendonça, FBI e Interpol.

A informação roubada não era usada diretamente. Isso deixaria rastro.

Os dados obtidos ilegalmente seriam supostamente repassados ao site O Bastidor, operado pelo jornalista Diego Escosteguy, que os publicava como jornalismo independente. A “notícia” era então enviada ao advogado Walfrido Warde, que peticionava com base na “reportagem”, tentando forçar o Judiciário a se manifestar.

Planilhas no celular de Vorcaro indicam pagamentos de R$ 2 milhões a Escosteguy. Ele nega irregularidades e diz que os repasses referem-se a contratos de publicidade.

Horas após ser preso em 4 de março de 2026, Sicário tentou se enforcar com uma camisa na cela da PF em Minas Gerais. Ficou aproximadamente 30 minutos sem oxigenação cerebral. A morte encefálica foi declarada às 18h55 do dia 6 de março.

Em novembro de 2022, numa mesa identificada como “2 Banco Master” no Fasano de Nova York, jantaram juntos Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Viviane Barci de Moraes e Nelson Tanure.

Tanure é descrito pela PF como beneficiário final de estruturas societárias complexas ligadas ao Master, razão pela qual o bloqueio de seu patrimônio foi determinado no mesmo volume de Vorcaro: R$ 22 bilhões.

Ele nega: “nunca foi sócio, controlador ou beneficiário, direto ou indireto, do Banco Master, tendo mantido com a instituição apenas relações comerciais legítimas.”

No aniversário de 70 anos de Tanure, Vorcaro presenteou-o com um relógio Jaeger-LeCoultre Duomètre Quantième Lunaire. Valor estimado: R$ 250 mil.

A mensagem de agradecimento de Tanure, de 20 de fevereiro de 2022: “Almoçando com amigos, com a joia no braço que você me deu. Thanks.” Vorcaro chama Tanure de “Grande comandante.” Tanure diz que tem “saudades.”

Uma curiosidade horológica: a JLC é fornecedora de componentes para Patek Philippe, Audemars Piguet, Vacheron Constantin e outras marcas de mesma proeminência. Sob a marca própria, não é relógio de ostentação. É coisa de connoisseur — discreto, caro, reconhecível apenas por quem sabe o que está olhando: para o fabricante que está por trás da alma dos colegas que ganham os holofotes.

Toffoli vendeu participação no Resort Tayayá, no Paraná, ao fundo do cunhado de Vorcaro. Eles se conheciam. Jantavam juntos. Trocavam presentes. Faziam negócios. E Toffoli, enquanto tinha jurisdição sobre o caso, acumulava “atritos constantes com a Polícia Federal”, segundo a investigação.

Quando André Mendonça assumiu a relatoria após Toffoli ser destituído, a primeira operação autorizada resultou na prisão de Vorcaro.

Nas suas mensagens para Martha, Vorcaro disse que “banco é igual máfia.”

Ele estava errado. A máfia tem código de conduta. Um dos artigos mais elementares desse código, aliás, é não trair a mulher. Vorcaro, por sua vez, enviou bom dia simultâneo para três ao mesmo tempo.

A definição que ele mesmo oferece em outra passagem é mais precisa: “anarquia do sistema.” O tipo de anarquia escandalosa que, convenhamos, só poderia acontecer aqui.

Não posso chamar essas pessoas pelo que penso que elas são. Os riscos vão de crimes contra a honra até acusações de condutas atentatórias ao Estado de Direito. Os tempos em que vivemos parecem inspirados em Luís XIV: l’État c’est moi — pensam alguns.

Mas pensar eu ainda posso. Ainda não chegamos à crimideia orwelliana. Pensar ainda não me manda para a cadeia. E escrever, dentro dos limites do que é factualmente documentado e juridicamente defensável, também não. Pelo menos não em teoria.

O que eu penso é o seguinte.

Toda essa gente deveria ter vergonha de sair à rua.

Deveria entrar num restaurante com o medo legítimo de que alguém na cozinha cuspa no seu prato. Deveriam ser recebida em eventos com o silêncio constrangedor de quem não quer ser fotografado ao lado. Não porque a Justiça assim determinou (e convenhamos: ela pode não determinar nada, como frequentemente acontece neste país), mas porque a sanção social existe independentemente da judicial.

Não posso convocar nada. Não posso pedir nada que ultrapasse o âmbito do que é legalmente permitido pedir. Mas posso dizer isto: se você, leitor, carrega o mesmo sentimento que eu carrego ao escrever essas linhas, saiba que não está sozinho.

Estamos juntos. Em silêncio. Um silêncio que grita.

Ainda há coisas que precisam ser ditas. Coisas que não deveriam me render processo.

Daniel Vorcaro construiu um império sobre dinheiro alheio, comprou reguladores, hackeou o Estado, pagou milícia, corrompeu ministro e ainda achou tempo para mandar bom dia para três mulheres ao mesmo tempo. Já está preso. Mas o julgamento moral é independente do judicial, e nesse ele perderá por aclamação.

Martha Graeff (a você eu me dirijo diretamente): se há algum constrangimento sobre as conversas picantes, deixe de tê-lo. Você é adulta e o que você faz ou deixa de fazer na cama não é da conta de ninguém. Pelos chifres que levou e pela intimidade exposta por conta desse episódio, merece solidariedade. Ofereço a minha.

O que merece registro é outra coisa. Você ouvia, em tempo real, um homem se gabar de comprar reguladores, montar milícia e hackear o Estado. E continuou. Isso está documentado no mesmo celular que expôs sua vida íntima.

Minha esposa já seguiu você no passado. Ficou estarrecida. Multiplique esse estarrecimento por 691.000 — que é o número exato de seguidoras que você tem enquanto escrevo essas linhas.

Boa sorte na reconstrução. Conselho final? Se sentir aquele chamado religioso típico de blogueira em crise, evite a Lagoinha.

Ministros do Supremo Tribunal Federal: dirijo-me a Vossas Excelências com o mesmo linguajar rebuscado e anacrônico que é de vossos estilos, na esperança de que, nesta clave, entendeis a mensagem aí, do alto, ó deuses da democracia.

Doutores que tanto prezam pela grandiloquência dos próprios votos, pela majestade das sessões transmitidas ao vivo, pela solenidade das togas e pela pompa dos rituais republicanos… foram a Londres, aceitaram os convites, sentaram à mesa, e calaram.

Mas o pior não é isso. O pior é o que fazem depois, sistematicamente: protegem uns aos outros com notas conjuntas redigidas em uníssono e silêncios convenientes calculados ao milímetro. A solidariedade corporativa com que blindam os próprios pares diante de evidências desta magnitude é outra ordem de gravidade.

Desonram, neste silêncio, cada antecessor que construiu a reputação da corte que hoje dilapidam. Põem em xeque a capacidade e legitimidade de julgar quem quer que seja — a começar por si próprios.

Como não sois eternos, apelo às vossas biografias: em persistindo a pusilanimidade já corriqueira, que tristes serão vossos epitáfios.

Hugo Motta tem sobre a mesa pedidos de impeachment que não pautará. Não por falta de tempo. Por cálculo. O silêncio do presidente do Senado diante do que está documentado é uma decisão ativa — e será registrada como tal. Os parlamentares que se eximem de pressioná-lo têm, cada um, sua razão particular. Somadas, as razões individuais produzem impunidade coletiva. A aritmética é simples e o resultado é o país em que vivemos.

Lula aparece nas mensagens de Vorcaro como troféu a ser exibido para a namorada. Não há evidência de conivência. Há, no entanto, uma pergunta sobre com quem o governo se deixou fotografar, reunir e negociar. Em política, o entorno é o governante.

Gabriel Galípolo preside o Banco Central cuja cúpula de fiscalização estava, segundo a PF, na folha de pagamento de Vorcaro. Reuniu-se com Vorcaro em dezembro de 2024, a convite de Guido Mantega. A pergunta que ninguém está fazendo em voz alta: o que ele sabia, e quando soube?

Quanto a Nelson Tanure… parabéns pelo relógio. É de muito bom gosto, e combina com o senhor de mais maneiras do que os olhos conseguem ver.

As grandes plataformas de investimento que distribuíram CDBs do Banco Master têm departamentos inteiros de análise de crédito, due diligence e compliance. Cobraram comissão para expor o patrimônio dos clientes a um risco que tinham obrigação de conhecer. E praticamente os expuseram ao esgoto. Fizeram tudo isso sob o argumento mais canalha disponível: “se não fizéssemos, um concorrente faria”. A amoralidade que se justifica pela amoralidade do vizinho não é menos amoralidade. É apenas mais covarde. E o preço dessa covardia, regulatório ou reputacional, ainda está por vir.

Uma última coisa.

Não sou ingênuo sobre o que estou publicando.

Estou escrevendo sobre um ministro do Supremo Tribunal Federal em exercício, sobre diretores de carreira do Banco Central, sobre operadores com histórico documentado de usar cada recurso disponível contra quem os incomoda. Até sobre instituições financeiras com as quais minha empresa de gestão de patrimônio têm contratos (que podem ser rescindidos, unilateralmente, a qualquer momento).

Além disso, cada personagem deste texto tem advogados melhores do que os que eu poderia contratar, bem como acesso institucional que eu não tenho.

A pergunta que me fiz antes de publicar foi simples: vale o risco pessoal?

A resposta é que um país onde essa pergunta precisa ser feita já respondeu por conta própria.

Azar o meu. Azar o nosso.

-Ricardo Schweitzer

Este é um artigo de opinião baseado em material publicado por O Globo, Metrópoles e Folha de São Paulo, bem como na decisão do ministro André Mendonça proferida em 04/03/2026. Se o que você leu aqui lhe desagradou, eu me solidarizo: a mim também desagrada. Muito. Mas eu, pelo menos, não tinha qualquer domínio dos fatos. Brigue com a realidade, não comigo.