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Editorial: Controle da dengue depende da prevenção

Fonte: mais.opovo.com.br | Data: 09/03/2026 01:46:47

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No Ceará, 84,2% dos municípios tiveram índice baixo de infestação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, da zika e da chikungunya, em imóveis no ano passado. O copo meio cheio mostra que a ampla maioria das 184 cidades cearenses manteve o risco de infestação do inseto sob controle.

Mas não se pode ignorar a situação dos 29 municípios com nível médio ou alto de infestação. Os dados constam no Boletim Entomológico da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), que mede, entre outros indicadores, o Índice de Infestação Predial (IIP), voltado à identificação de criadouros e à medição do nível de concentração de focos do mosquito.

A situação mais crítica é a de Quixeramobim, único município com IIP alto. Isso significa que mais de 3,9% dos imóveis da cidade do Sertão Central do Ceará — a 186,5 km de Fortaleza — apresentam focos do mosquito. Fortaleza, Senador Sá, Varjota, Viçosa do Ceará, Carnaubal, Ipueiras, Fortim, Jaguaretama, Canindé, Ibicuitinga, Quixadá, Choró, São Luís do Curú, Itapajé, Maracanaú, Redenção, Itapiúna, Baturité, Aracoiaba, Umirim, Horizonte, Ipaumirim, Orós, Jucás, Crato, Araripe, Caririaçu e Barbalha têm situação intermediária, com índice entre 1% e 3,9%. Os demais 155 municípios têm índice baixo, inferior a 1%.

A coleta de dados é uma etapa essencial no combate à disseminação de doenças sazonais e previsíveis, como as arboviroses transmitidas pelo Aedes aegypti. Assim, a concentração de esforços nas localidades em situação mais crítica permite uma gestão mais eficiente de recursos.

Segundo Carla Freitas, articuladora da área técnica do controle vetorial das arboviroses da Sesa, entre 2018 e 2025 houve tendência de redução progressiva do Índice de Infestação Predial na maioria dos municípios cearenses. É um avanço significativo, mas isso não significa erradicação do risco.

A redução do índice é efeito direto da atuação de agentes de endemias, que fazem visitas às residências para orientar a população, reforçando ações de prevenção e identificando riscos durante o período chuvoso no Ceará. Entre os meses de fevereiro e maio, os mosquitos encontram condições mais propícias para reprodução.

Mesmo em um cenário controlado, as arboviroses transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti são doenças graves, com risco de morte para a população. Em 2025, três óbitos foram causados pela dengue. É a menor marca em 18 anos, mas ainda ilustra o perigo da doença, que chegou a vitimar 70 pessoas em 2013. Houve ainda 4.742 casos confirmados, incluindo registros do sorotipo 3, que não circulava no Estado há décadas e que impõe cuidados ainda maiores.

A prevenção é o caminho para combater as arboviroses. Tanto o monitoramento quanto o engajamento da população para evitar a proliferação do Aedes aegypti, assim como os avanços da medicina, como a vacina contra a dengue — cujo acesso vem sendo ampliado no Sistema Único de Saúde (SUS) — contribuíram para criar um cenário de estabilidade há muito vislumbrado. Ainda há, porém, espaço para avançar. E a população tem um papel fundamental nos próximos passos. 



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