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Geral PF investiga possível vazamento de ordem de prisão de dono do Banco Master

Fonte: portaldozacarias.com.br | Data: 10/03/2026 09:44:09

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A Polícia Federal investiga a possibilidade de que a ordem de prisão contra o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, tenha sido vazada antes de sua execução. A suspeita surgiu após a defesa do banqueiro protocolar um pedido na Justiça Federal poucos minutos depois de a decisão ter sido assinada.

A determinação de prisão foi emitida pelo juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília, em 17 de novembro de 2025, às 15h29. De acordo com os investigadores, às 15h47  apenas 18 minutos depois os advogados de Vorcaro já haviam enviado um e-mail à Justiça Federal se posicionando contra “medidas cautelares eventualmente requeridas”, alegando que tais ações poderiam causar impactos significativos e prejuízos irreversíveis ao conglomerado Master.

Na petição, a defesa citou uma reportagem publicada no site O Bastidor no mesmo dia, às 11h08, que mencionava a existência de um inquérito envolvendo suspeitas de fraude bilionária na negociação entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). A publicação, no entanto, não fazia referência a uma possível ordem de prisão.

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Em princípio, a prisão de Vorcaro estava prevista para ocorrer na manhã de 18 de novembro. No entanto, diante da suspeita de que o empresário poderia tentar deixar o país, a Polícia Federal decidiu antecipar a operação e realizar a prisão ainda no mesmo dia da decisão judicial.

SUSPEITA DE ACESSO ILEGAL A SISTEMAS

As investigações apontam que Vorcaro teria tido acesso prévio a informações sigilosas sobre o inquérito por meio de consultas ilegais a sistemas internos da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.

Segundo a apuração, após obter as informações sobre a investigação, o empresário teria utilizado a publicação do site para tornar o assunto público e, em seguida, apresentar uma manifestação formal à Justiça.

Na decisão que autorizou a terceira fase da operação Compliance Zero que levou Vorcaro novamente à prisão o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que foram encontrados registros indicando que o empresário possuía conhecimento antecipado de diligências investigativas.

De acordo com o ministro, as investigações também identificaram que Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, realizava consultas e extrações de dados em sistemas restritos de órgãos públicos.

Segundo as autoridades, os acessos teriam sido feitos utilizando credenciais funcionais pertencentes a terceiros, o que permitiu a obtenção de informações protegidas por sigilo institucional.

A partir desse método, o grupo teria conseguido acessar sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até bases de dados de organismos internacionais, como o FBI e a Interpol.

HISTÓRICO CRIMINAL E ESQUEMA DIGITAL

Mourão, conhecido como Sicário, tinha histórico de crimes digitais e já havia sido indiciado em Minas Gerais por delitos como estelionato, furto de veículos, crimes cibernéticos e associação criminosa. De acordo com a investigação, ele recebia cerca de R$ 1 milhão por mês de Vorcaro.

O suspeito morreu após tentar cometer suicídio enquanto estava sob custódia na superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais.

ATAQUES CIBERNÉTICOS CONTRA SERVIDORES

As investigações também revelaram que Vorcaro e seus aliados teriam realizado uma campanha de ataques cibernéticos contra servidores do Ministério Público Federal.

O esquema utilizava a técnica conhecida como “spearfishing”, que consiste no envio de e-mails falsos para induzir vítimas a fornecer credenciais de acesso. As mensagens continham links para páginas falsas de troca de senha que imitavam sistemas oficiais utilizados por servidores da Procuradoria-Geral da República.

Segundo fontes ligadas à investigação, Sicário chegou a criar um ambiente digital praticamente idêntico ao sistema real utilizado pelos funcionários da instituição. Após receberem mensagens alertando sobre a necessidade de atualizar senhas, alguns servidores teriam inserido seus dados na página falsa, permitindo o acesso do grupo a procedimentos sigilosos que tramitavam na Justiça Federal.

Procurada para comentar o caso, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que não se manifesta sobre conteúdos que seriam resultado de vazamentos ilegais de informações sigilosas.

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Os advogados destacaram ainda que os fatos estão sendo investigados por determinação do ministro André Mendonça, no Supremo Tribunal Federal, e que qualquer declaração pública poderia contribuir para a disseminação de dados cuja divulgação também é alvo de apuração.