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Amazônia tem ciência e biodiversidade, mas falta inovação

Fonte: uol.com.br | Data: 10/03/2026 14:01:56

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O mercado de alimentos no Brasil é de R$ 1,27 trilhão, mas os brasileiros fora da Amazônia conhecem basicamente açaí, cacau, guaraná, castanha-do-pará e, eventualmente, cupuaçu. Naturalmente, porque ? embora haja uma ou outra exceção ? são esses alimentos que produzimos aqui na Amazônia e que conseguem ultrapassar as barreiras sanitárias.

A maior parte das 250 frutas comestíveis registradas em livros e documentos sobre a Amazônia não é produzida industrialmente. O Ministério do Meio Ambiente registra cerca de 50 dessas frutas que, de algum modo, poderiam ser comercializadas como alimentos nutricionais, condimentares, corantes ou fibras.

Essas são apenas algumas das frutas da floresta, como biribá, cupuaçu, taperebá, cacaui, pajurá, pupunha, tucumã, entre muitas outras. O sorvete de muruci, por exemplo, tem aroma frutal intenso e gosto que lembra o de certos queijos franceses. O ajiru, com sabor levemente salgado, é uma fruta incomum que poderia gerar um produto inovador.

O que falta, então, para a Amazônia mostrar ao mundo essas maravilhas?

De um lado, o entendimento tecnológico do sistema produtivo, do manejo e da adaptação climática dessas frutas. De outro, volume de produção, controle de qualidade, certificações, distribuição, logística e marketing.

Esse é o caso de frutas que se deterioram com muita facilidade, como o limão amazônico, aqui chamado de “galego”, que nada tem a ver com o galego ou o siciliano que a região Sul do país conhece. O limão amazônico é do tamanho de uma laranja ou maior, como um grapefruit, tem acidez baixa, é muito aromático e floral, e até suas folhas poderiam ser usadas como condimento, já que lembram o kaffir.

Processos de industrialização aprendidos nas engenharias de alimentos poderiam resolver facilmente esses problemas. No entanto, na Embrapa Amazônia Oriental, em Belém, terra do açaí, pesquisadores se debruçam também sobre o cultivo e a comercialização de frutas da Tailândia, Malásia e Indonésia, como rambutan, noni e mangustão.

Um mundo de sabores tropicais das deliciosas frutas da Amazônia espera que escolas e universidades da região se dediquem aos produtos da nossa floresta, que, com tecnologia, podem chegar aos exigentes mercados brasileiro e europeu.

Nesse caso, o Brasil poderia produzir até azeites gourmet da Amazônia, com grande possibilidade de aceitação por chefs da França, desde que houvesse pesquisa e desenvolvimento dos óleos vegetais da castanha-do-pará, do tucumã ou do patauá.

Outro mercado brasileiro pujante é o de cosméticos, que em 2024 chegou a US$ 37,4 bilhões, o terceiro maior do mundo, logo após China e Estados Unidos. Em sua maioria nacionais, são 3.630 empresas, que empregam 154 mil trabalhadores e geram cerca de R$ 590 milhões em impostos.

Empresas de base sustentável, como a Natura, usam os abundantes óleos e gorduras vegetais, ácidos graxos e corantes, insumos da floresta amazônica. Uma centena de plantas amazônicas produz óleos vegetais comestíveis, como os da castanha-do-pará, do buriti e do tucumã, além de óleos medicinais, como o da andiroba.

Entre as 89 empresas de cosméticos instaladas na Amazônia, são poucas as que produzem dermocosméticos ? produtos que se aproximam de medicamentos de uso tópico e contêm alta concentração de substâncias bioativas, como antioxidantes fenólicos, com atividade farmacológica comprovada em ensaios de segurança e eficácia.