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Concessionárias precisam ampliar uso de análise geoespacial para atender novas exigências da Aneel sobre resiliência

Fonte: osetoreletrico.com.br | Data: 10/03/2026 16:05:05

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Atualizações aprovadas no final de 2025 reforçam necessidade de rastreabilidade, priorização técnica e planos estruturados de manejo de vegetação

As concessionárias de energia elétrica precisarão ampliar o uso de análise geoespacial e monitoramento ambiental para atender às atualizações regulatórias aprovadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) no final de 2025. As mudanças nos módulos do PRODIST (Procedimentos de Distribuição de Energia Elétrica) e em resoluções que tratam da qualidade do fornecimento e da resposta a situações de emergência, com base na Consulta Pública 32/2024, estabelecem critérios mais objetivos para priorização de áreas sensíveis, maior rastreabilidade das decisões de manutenção e exigência de planos estruturados de manejo de vegetação de curto e médio prazos.

O novo conjunto de diretrizes reforça a necessidade de atuação preditiva diante do aumento de eventos climáticos adversos e extremos, como ventos severos, tempestades e queda de vegetação, que têm pressionado os indicadores de continuidade do fornecimento no país. A agência sinaliza que o monitoramento ambiental sistemático passa a ser elemento estratégico na gestão de risco das distribuidoras.

Nesse contexto, a análise geoespacial deixa de ser apenas uma ferramenta de apoio e passa a integrar o planejamento operacional das concessionárias. O uso de imagens de satélite, drones, câmeras embarcadas e registros de campo, combinados com dados meteorológicos e séries históricas, permite identificar trechos mais vulneráveis da rede, acompanhar a evolução da vegetação e organizar intervenções com maior antecedência e embasamento técnico.

Concessionárias de diferentes regiões já vêm ampliando esse tipo de abordagem. A Cemig e o Grupo Energisa, por exemplo, utilizam o VERA, plataforma desenvolvida pelo grupo Concert Technologies, que integra múltiplas fontes de dados para gerar mapas georreferenciados, análises comparativas e indicadores estratégicos. A ferramenta apoia a definição de prioridades e fortalece a justificativa técnica das decisões de manutenção preventiva.

De acordo com Felipe Sant’Anna, gerente de novos negócios da Concert, a nova regulação eleva o nível de exigência operacional e estratégica no manejo da vegetação. “A agência reforçou a necessidade de análise contínua e preditiva do comportamento ambiental e transparência das análises e decisões. Ferramentas como o VERA permitem elaborar um inventário dinâmico da arborização, identificar riscos no entorno da rede, registrar essa evolução e estruturar planos com base em dados concretos, o que aumenta a aderência regulatória”, explica.

Felipe Sant’anna destaca ainda que o fortalecimento do uso de dados georreferenciados aponta para uma mudança estrutural no setor elétrico. “A tendência é que a combinação entre análise ambiental, séries históricas e critérios objetivos de priorização consolide um novo padrão operacional, com respostas mais rápidas à variabilidade climática e maior conformidade com as normas estabelecidas pela ANEEL”, conclui.