AGRONEGÓCIO
Fonte: webtvnews.com.br | Data: 11/03/2026 13:41:20

O agroneg�cio do Paran� – a exemplo do que ocorre no Rio Grande do Sul – afirma estar sofrendo os impactos da alta dos pre�os do diesel e de problemas no abastecimento do combust�vel, por causa da guerra no Oriente M�dio. A Federa��o de Agricultura do Estado (Faep) informa que produtores rurais de v�rias regi�es relatam risco da falta do produto nas bombas e cobran�a abusiva nos postos.
Edio Luiz Chapla, presidente do Sindicato Rural de Marechal C�ndido Rondon, no extremo Oeste paranaense, comenta que ainda n�o h� falta de diesel na regi�o, mas h� dificuldades na entrega por parte das empresas transportadoras, conhecidas como TRR – Transportador-Revendedor-Retalhista.
E, em alguns postos de combust�veis, est�o restringindo o volume para compra. Se eu quiser diesel, tenho que entrar na fila, com prazo m�dio de dois dias para entrega, e n�o sei o pre�o que vou pagar
, revela.
Chapla, que tamb�m � produtor rural, conta que a maior preocupa��o na regi�o, onde a maior parte da soja j� foi colhida, � o impacto nas demais cadeias produtivas como su�nos, aves e peixes. Apesar de a demanda ser menor do que a das culturas agr�colas, essas atividades dependem de combust�vel em v�rias etapas de produ��o.
A situa��o come�a a preocupar pelo cen�rio que vem se desenhando. Mas a inten��o n�o � incentivar filas em postos de combust�veis, temos que ter cautela quanto a isso
, pondera.
S� vale lembrar que o pre�o do diesel impacta no custo de produ��o e na g�ndola, com o produto final
, diz.
Leia tamb�m
Oferta restrita e alta do diesel pressionam o setor do arroz
CNA pede redu��o tempor�ria de al�quotas de impostos sobre o diesel
Usinas contestam possibilidade de importa��o de biodiesel
O Sistema Faep adverte que o conflito acendeu o sinal vermelho para o agroneg�cio, diante da possibilidade de consequ�ncias no fornecimento de petr�leo e derivados para o mercado internacional. A entidade destaca que o diesel � essencial para a produ��o agropecu�ria, principalmente em atividades mecanizadas, e refor�a que a alta do pre�o do combust�vel deve impactar a log�stica do setor e elevar o custo do frete rodovi�rio.
Estamos acompanhando os desdobramentos em tempo real porque, com o conflito, a din�mica muda a todo momento, de forma muito r�pida
, salienta Luiz Eliezer Ferreira, t�cnico do Departamento T�cnico, Econ�mico e Legal (DTEL) do Sistema Faep.
Ferreira enfatiza que a preocupa��o maior se refere � poss�vel escassez do diesel no per�odo de escoamento da safra.
Estamos em um momento crucial da safra, com quase 50% da soja colhida, o que resulta numa opera��o que envolve o transporte de caminh�o do gr�o para armaz�ns e para o porto, al�m de navios. Toda essa cadeia � permeada pelo uso do diesel
, pontua.
Segundo o Sistema Faep, a preocupa��o maior est� na situa��o no Estreito de Hormuz, rota estrat�gica por onde passam cerca de 20% do petr�leo e do g�s natural comercializados no mundo. A instabilidade na regi�o j� come�ou a provocar turbul�ncias no mercado internacional de energia.
Levantamento do DTEL, do Sistema Faep, mostra que 73% da energia utilizada na agropecu�ria brasileira � proveniente de combust�veis f�sseis, principalmente o diesel, que abastece m�quinas agr�colas e sustenta parte da log�stica de transporte da produ��o.
Agro do Paran� pede a��es
Al�m de acompanhar os cen�rios nacional e internacional, Ferreira comenta que a entidade avalia estrat�gias para mitigar poss�veis danos ao setor. Ele cita entre as a��es o acionamento do Procon, a fim de solicitar a fiscaliza��o dos postos de combust�veis e a verifica��o de situa��es de especula��o do mercado. A entidade tamb�m pretende acionar a�Ag�ncia Nacional do Petr�leo, G�s Natural e Biocombust�veis (ANP), refor�ando o pedido para aumento da mistura de biodiesel no diesel f�ssil.
Essa � uma medida que urge e que pode ajudar. Assim como a avalia��o da libera��o de estoques, o que pode contribuir para regular o mercado
, considera. A Federa��o tamb�m atuar�, de acordo com o t�cnico, junto aos governos estadual e federal, cobrando medidas para evitar maiores impactos.
Tamb�m preocupa o Sistema Faep efeitos nas negocia��es de exporta��o, tendo em vista que o Ir�e outros pa�ses do Oriente M�dio est�o entre os maiores importadores mundiais de milho e carne de frango, sendo parceiros comerciais estrat�gicos do agroneg�cio brasileiro.
Depend�ncia
No Brasil, o transporte rodovi�rio responde por mais de 60% da movimenta��o de cargas, incluindo gr�os, fertilizantes, ra��o e outros insumos essenciais para a produ��o agropecu�ria. O Sistema Faep refor�a que, para movimentar a frota de caminh�es, o pa�s depende do mercado externo para suprir a demanda, j� que 29% do diesel consumido � importado.
Ferreira enumera efeitos ainda mais intensos no Paran�, devido ao alto n�vel de mecaniza��o agr�cola.
Culturas como soja, milho, trigo e cana-de-a��car utilizam m�quinas movidas a diesel em praticamente todas as etapas da produ��o, desde o preparo do solo at� a colheita. Cadeias produtivas como avicultura, suinocultura e produ��o de leite tamb�m dependem de fluxos log�sticos cont�nuos, que exigem abastecimento regular de combust�vel
, avalia.