Estudo destaca avanço de Guarapuava no Agro 4.0 e o impacto na economia
Fonte: redesuldenoticias.com.br | Data: 11/03/2026 16:03:35
Agronegócio Em Alta Guarapuava
Estudo revela que a transição para o conceito de “Fábrica Inteligente” no campo pode reduzir custos em até 15%
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Por Cristina Esteche
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11/03/2026
A informação passou a ocupar papel semelhante ao dos insumos tradicionais na cadeia produtiva (Foto: Reprodução/Freepik)
Localizada no Terceiro Planalto Paranaense, Guarapuava vem consolidando a posição como um dos polos estratégicos do agronegócio no Paraná. Com forte presença na produção agrícola e impacto direto sobre a atividade industrial e urbana, a Região vive agora um novo desafio. Precisa transformar eficiência produtiva em vantagem competitiva por meio da tecnologia.
Grandes players do setor, como Maltaria Agrária e Coamo, operam com padrões rigorosos de qualidade. Sobretudo em critérios como pH, umidade e teor de proteína. Nesse cenário, manter-se competitivo deixou de depender apenas de escala e passou a exigir precisão, rastreabilidade e inteligência de gestão.
É esse o ponto central do estudo ‘A Convergência Tecnológica no Agro 4.0’, desenvolvido por Bruno Gusmão de Assis. Ele é tecnólogo em Processos Gerenciais e MBA em Agronegócio. O levantamento sustenta que a informação passou a ocupar papel semelhante ao dos insumos tradicionais na cadeia produtiva. Tornou-se, portanto, elemento decisivo para a sustentabilidade econômica do negócio rural.
EFEITOS
Em Guarapuava, onde o agronegócio responde por mais de 30% do Valor Adicionado Bruto (VAB) municipal, o ganho de eficiência no campo não se limita à porteira da fazenda. Ele influencia transporte, comércio, serviços, armazenagem, indústria e arrecadação, irradiando efeitos sobre toda a economia local.
Os números apresentados pelo estudo ajudam a dimensionar esse movimento. Tecnologias como aplicação em taxa variável e telemetria podem gerar otimização de até 15% no uso de insumos. Já o piloto automático em máquinas agrícolas reduz em cerca de 7% as sobreposições nas operações, o que representa economia em sementes, combustível e tempo de trabalho.
A gestão de risco também ganha peso em uma Região marcada pela altitude elevada, próxima de 1.100 metros, e por janelas climáticas mais curtas para o plantio e à colheita. De acordo com o estudo, o uso de previsão algorítmica pode reduzir em até 12% as perdas ligadas ao calendário agrícola, ampliando a capacidade de planejamento e resposta do produtor.
RENTABILIDADE POR HECTARE
Outro ponto sensível, conforme o estudo, está na rentabilidade por hectare. Em áreas de solos heterogêneos, a ausência de precisão na gestão pode gerar perdas financeiras entre R$ 200 e R$ 450 por hectare. Em larga escala, esse desperdício compromete margens, reduz competitividade e limita a capacidade de investimento do setor.
Apesar do potencial, a digitalização do campo ainda esbarra em obstáculos estruturais e culturais. O chamado “vazio digital” atinge cerca de 70% das áreas, dificultando a conectividade e o uso pleno de ferramentas tecnológicas. Ao mesmo tempo, a modernização exige mudança no perfil da mão de obra, com operadores de máquinas cada vez mais próximos da função de gestores de sistemas e dados.
MUDANÇA DE CULTURA EMPRESARIAL
Conforme aponta o estudo, mais do que a aquisição de equipamentos, a transição para o Agro 4.0 envolve uma mudança de cultura empresarial. A lógica passa a ser guiada por indicadores, inteligência de dados e decisões baseadas em Business Intelligence, aproximando o campo de uma operação industrial de alta precisão.
Nesse contexto, Guarapuava encontra na gestão 4.0 não apenas uma agenda de modernização, mas uma estratégia econômica. O alinhamento ao Plano ABC+ e a busca por eficiência operacional podem abrir espaço para acesso ao chamado Crédito Verde. Além de fortalecer a rentabilidade e a sustentabilidade do setor.
Em uma economia regional fortemente dependente do agro, cada ganho de produtividade no campo se traduz, também, em mais dinamismo para a cidade.
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