Linha 17-ouro do metrô deve começar a operar no fim do mês até Congonhas em horário limitado
Fonte: www1.folha.uol.com.br | Data: 11/03/2026 21:05:19
A linha 17-ouro do metrô de São Paulo tem previsão para começar a operar, em horário reduzido até o fim do mês, com trens chegando em sete das oito estações do ramal, entre Morumbi e aeroporto de Congonhas —a Washington Luís ficará para um segundo momento.
A afirmação foi feita pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) nesta quarta-feira (11), durante a inauguração do novo CCO (centro de controle de operações) do Metrô.
Prometida para a Copa do Mundo de 2014, será entregue às vésperas do Mundial de 2026, que será disputado em junho nos Estados Unidos.
A inauguração está prevista para o próximo dia 30, mas o Metrô ainda não confirma a data. “É uma previsão que pode variar alguma coisinha, mas será no fim de março”, afirmou Tarcísio.
Segundo apurou a Folha, ainda faltam as últimas certificações que estão sendo feita por empresa independente.
No início da operação assistida, os trens deverão circular das 10h às 15h, com intervalo de aproximadamente 7 minutos entre eles. O total da linha disponível no começo deverá ser percorrido em 20 minutos.
Conforme o presidente do Metrô, Antônio Julio Castiglioni Neto, quatro dos 14 trens que irão compor a linha devem estar disponíveis neste início, sendo que dois vão circular entre as estações e dois ficarão como reservas.
A estação Washington Luís ficará para um segundo momento porque a linha foi construída em sistema de “Y”, o que é uma novidade para o metrô paulistano.
“A gente vai chegar até a estação Congonhas e depois coloca a Washington Luiz, porque lá tem a bifurcação”, disse Tarcísio.
Pelo modelo, um trem sai da região do Morumbi, entre as zonas oeste e sul, e vai até a estação Congonhas, na zona sul. Já outro segue para a Washington Luís.
Como apenas dois trens devem operar simultaneamente neste início, ficaria inviável que fizessem caminhos diferentes por causa da espera para o passageiro, que iria crescer.
“Nesse primeiro momento, por uma questão de segurança,vamos operar até Congonhas”, afirmou o governador.
Com 6,7 km de extensão, o trecho tem oito estações, que estão praticamente prontas —estão sendo realizados os últimos detalhes de acabamento.
Em julho do ano passado, Folha acompanhou parte dos primeiros testes com os dois trens que já estavam disponíveis na época.
As composições foram produzidas sob medida na China pela BYD —a última está a caminho do Brasil, segundo o governador.
Os trens são totalmente automáticos, ou seja, sem operador, assim como ocorre na linha 15-prata, também monotrilho que opera sobre pneus (são 80 em cada composição, no caso da linha 17).
Neste começo de operação, entretanto, um operador deverá acompanhar todas as viagens de dentro do trem.
Com bancos de plástico sem revestimento, o trem tem largos corredores para permitir a circulação de passageiros —a capacidade é para pouco mais de 600 pessoas. Existem painéis informativos no interior.
As luzes podem mudar de cor no assoalho, o que chama a atenção de quem vê o trem à noite lá no alto.
O trem da linha 17-ouro é o único no mundo com baterias recarregáveis, diz o Metrô, e que tem autonomia para até 8 km, ou seja, o suficiente para percorrer toda a linha 17, caso necessário.
As composições têm 60 metros de comprimento e contam com cinco vagões.
COLEÇÃO DE ATRASOS
A linha suspensa de metrô, orçada atualmente em R$ 5,8 bilhões, colecionou uma série de atrasos e contratos rompidos até os trens começarem a rodar em testes a partir do meio do ano passado.
Quando projetada, a linha foi questionada por especialistas em relação à eficácia no uso de monotrilho para transporte público em massa.
Construída do outro lado da avenida Washington Luís, a estação Aeroporto de Congonhas é ligada ao local homônimo por meio de um túnel de 65 metros de comprimento.
A expectativa é que cerca de 100 mil pessoas por dia usem o transporte público.
Uma série de dificuldades contribuiu para que o atraso na construção da linha fosse tão grande, como o rompimento de contrato por fornecedores, o envolvimento de construtoras no escândalo da Lava Jato e a pandemia de Covid-19.
A desistência da fornecedora de trens, a empresa malasiana Scomi, em 2019, ajudou a atrasar ainda mais. O trilho havia sido projetado especificamente para a composição da empresa –o formato é diferente da linha 15, por exemplo— e não havia uma alternativa à disposição.
A gestão João Doria (à época no PSDB) assinou um contrato com a fabricante chinesa BYD para que ela desenvolvesse um modelo de trem.
A Motiva (ex-CCR) fará a gestão da linha, cujo projeto original previa 18 estações.
NOVO CCO
O Metrô de São Paulo inaugurou nesta quarta-feira seu novo centro de controle operacional (CCO). Com investimento de R$ 49 milhões, próximo à estação Vergueiro da linha 1-azul, o espaço passou por uma modernização completa para coordenar, em tempo real, a operação das quatro linhas administradas pela empresa, que atendem aproximadamente 3 milhões de passageiros por dia.
No centro de operações está um videowall de alta definição com 36 metros de extensão, composto por 90 telas de 55 polegadas, considerado o maior do gênero na América Latina.
O sistema de monitoramento eletrônico reúne mais de 5 mil câmeras distribuídas por estações, trens e áreas operacionais.
RESPOSTA A MINISTRO
O governador Tarcísio e o prefeito Ricardo Nunes (MDB), que estava ao seu lado na inauguração do novo CCO, rebateram o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que mais cedo havia afirmado que o o emedebista “faz politicagem”, ao falar da concessionária Enel e dos problemas de energia na cidade e São Paulo.
A citação foi feita em uma audiência pública na Câmara dos Deputados.
“Eu queria que ele falasse para as pessoas que às vezes ficam uma semana sem eneregia se é politicagem”, rebateu Tarcísio, que mais uma vez criticou a possibilidade de antecipar a renovação da concessinária, que está sendo tratado.
Nunes chamou de infeliz a frase do ministro. “Ele está esquecendo nesse processo as pessoas que ficam sem energia.”
Recentemente, o presidente da empresa, Flavio Cattaneo, afirmou que as dificuldades com a rede elétrica aérea na região metropolitana de São Paulo, principalmente com a queda de árvores que danificam os cabos e torna mais complexo o restabelecimento da energia aos consumidores.
“Querem que a gente transforme a cidade num campo de bonzai?”, ironizou Tarcísio.