Governo revoga visto de assessor de Trump que pretendia visitar Bolsonaro na prisão
Fonte: folhabv.com.br | Data: 13/03/2026 14:40:37
O governo brasileiro decidiu cancelar o visto do assessor do presidente dos Estados Unidos, Darren Beattie, que tinha viagem prevista ao Brasil na próxima semana. A decisão foi tomada pelo Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, em meio a tensões diplomáticas envolvendo a possível visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
De acordo com informações divulgadas pelo governo federal, a revogação segue o princípio de reciprocidade adotado nas relações internacionais, que permite a suspensão de vistos em determinadas circunstâncias diplomáticas. A medida ocorre após manifestações de autoridades brasileiras sobre a natureza da visita planejada.
Beattie pretendia viajar ao país e incluir na agenda um encontro com Bolsonaro na unidade prisional conhecida como Papudinha. No entanto, o pedido da defesa do ex-presidente para autorizar a visita foi analisado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável por decisões relacionadas ao caso, e acabou sendo negado.
Na avaliação do magistrado, não havia fundamento jurídico que justificasse flexibilização das regras aplicadas ao sistema prisional. Moraes destacou que as visitas devem seguir as normas estabelecidas e que não existem circunstâncias excepcionais que permitam alteração do regime previsto.
Mais cedo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou o episódio e afirmou que o assessor norte-americano só poderia entrar no Brasil quando o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, tiver autorização para entrar nos Estados Unidos, fazendo referência ao princípio de reciprocidade diplomática.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, também se manifestou sobre o caso e afirmou que a visita de um representante estrangeiro a um ex-presidente preso, especialmente em ano eleitoral, poderia ser interpretada como interferência em assuntos internos do país.
“Uma visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”, declarou o chanceler.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, durante a viagem Beattie também pretendia se reunir com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente e uma das principais lideranças da direita brasileira no cenário político atual.
O episódio ocorre em um momento de forte tensão política no país e amplia o debate sobre limites diplomáticos e possíveis interferências externas no processo político brasileiro.