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Idosa defende genro médium de denúncia de extorsão contra ela, em meio a disputa por herança

Fonte: opovo.com.br | Data: 14/03/2026 16:47:21

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Ministério Público do Estado do Ceará
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Uma mulher de 85 anos procurou O POVO para defender o genro, segundo ela alvo de falsas acusações. O homem, que é médium, estava sob investigação por, supostamente, extorquir a idosa e o marido. Em entrevista ao O POVO, na sexta-feira, 13, a mulher relatou que o conflito familiar começou após ela organizar a partilha de bens em vida.

O genro foi denunciado por extorquir os idosos, que teriam Alzheimer. No entanto, o laudo do MPCE mostrou que a idosa é lúcida. Ela afirma que criou uma holding para dividir o patrimônio de forma igualitária e poupar o marido, um engenheiro de 90 anos. “A família começou a cismar com questões de valores”, explica a idosa.

A definição do montante que caberia a cada um gerou atritos. O genro, que pertence a um centro espírita, chegou a ser denunciado por outros parentes por supostamente extorquir os sogros.

A idosa relata que a convivência dos dois com a filha e o genro se tornou motivo dos ciúmes na família. Moradores do 6º andar de um edifício, os idosos recebiam cuidados diários da filha mais velha e do genro investigado, que residem no 7º andar.

Para a mulher, teria sido essa proximidade que desencadeou as suspeitas de outros parentes. O caso foi parar na Justiça em março de 2025, quando o MPCE chegou a pedir o afastamento do genro, por medida protetiva, com base nas alegações iniciais do conflito familiar.

MPCE laudo atestou lucidez e pediu revogação de medida protetiva 

Após a idosa ser ouvida oficialmente pelo Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), parecer datado de novembro de 2025, da 148ª Promotoria de Justiça de Fortaleza, concluiu que os riscos apontados cessaram integralmente e que a idosa manifestou, de forma lúcida e espontânea, o desejo de revogar as medidas, afirmando nunca ter sofrido agressões ou extorsões.

O POVO teve acesso ao documento do laudo social do Núcleo de Atendimento Técnico (Natec) do MPCE, que atestou a inexistência de vulnerabilidade atual da idosa, destacando a preservação do discernimento.

Durante a visita técnica na residência, a mulher afirmou que ela e o marido haviam chegado do pilates e que ele estava descansando. 

No relatório oficial, a idosa detalhou o peso do afastamento na rotina da família com a medida protetiva. “Sinto falta da presença dele (genro) no horário do café da manhã e almoço. Eu queria resgatar a minha família, mas com o genro também”.

Ela também relatou o impacto psicológico das denúncias na filha mais velha. “Ela está muito tensa com essa situação, pois toda vez que a campainha da casa dela toca, ela pensa que é a Polícia que está vindo para levá-lo preso”.

A idosa reforçou ao MPCE o desejo de encerrar o conflito judicializado pelas outras filhas. “Eu queria acabar com essa contenda. Se as meninas retirarem essa medida protetiva contra o genro], que fosse o mais rápido possível, facilitaria nossa reaproximação” .

Em manifestação à Justiça, o MPCE concluiu que o suposto risco financeiro apontado pelas filhas foi integralmente neutralizado pela curatela provisória que já recai sobre o idoso de 90 anos.

O promotor destacou ainda que a manutenção das restrições contraria a finalidade protetiva, convertendo-se em “limitação indevida à autonomia da pessoa idosa”.

Na entrevista  ao O POVO, a mulher rechaçou acusações de que o genro usava a religião para extorquir a família e apontou situação de intolerância religiosa.

Ela classifica como “palhaçada” os boatos de que o médium incorporaria figuras históricas e famosas. Triste por ver uma vida inteira dedicada à família se transformar em um cenário de “guerra”. 

Por fim, relatou ao O POVO o desejo de ver a família em paz novamente. 



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