Delação do dono do Banco Master pode atingir políticos, mas poupar ministros do STF
Fonte: blogdodina.com | Data: 16/03/2026 11:18:25
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Advogados que acompanham o caso do Banco Master afirmaram à CNN que a estratégia inicial do banqueiro Daniel Vorcaro para uma eventual delação premiada seria concentrar o conteúdo em políticos e crimes financeiros, evitando envolver ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo fontes próximas ao empresário, ao menos três fatores influenciam essa avaliação.
Avaliação sobre a Procuradoria-Geral da República
O primeiro ponto envolve a possibilidade de validação do acordo pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
De acordo com interlocutores do caso, existe a leitura de que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, dificilmente aceitaria uma delação que atingisse diretamente ministros do STF.
Essa avaliação também considera a proximidade de Gonet com integrantes da Corte, especialmente com o ministro Alexandre de Moraes, relação fortalecida durante as investigações sobre a chamada trama golpista.
Moraes poderia aparecer em eventual delação por causa de um contrato de R$ 129 milhões firmado entre o escritório de sua esposa e Vorcaro, mencionado nas investigações.
Relações pessoais também entram no cálculo
Outro fator citado por fontes é o posicionamento do novo advogado de Vorcaro, José Luis de Oliveira Lima, conhecido como Juca.
Segundo relatos, o advogado levaria em conta relações pessoais com integrantes do STF e evitaria uma delação que atingisse ministros da Corte.
Fontes afirmam que Juca mantém proximidade com o ministro Dias Toffoli, que também poderia aparecer em uma eventual delação por causa de negócios envolvendo o Banco Master e um fundo com participação de familiares do ministro.
Risco para escritórios de advocacia
Um terceiro ponto considerado é o risco institucional de delações que atinjam membros das mais altas cortes de Brasília.
Segundo fontes ouvidas pela CNN, há avaliação de que casos semelhantes enfrentaram forte resistência institucional, como ocorreu durante a Operação Lava Jato, quando investigações passaram a alcançar integrantes do Judiciário.
Políticos e crédito consignado podem entrar na delação
Apesar da cautela em relação ao STF, a expectativa é que uma eventual delação inclua políticos e crimes financeiros.
Entre os temas investigados estão negociações envolvendo João Carlos Mansur, fundador da empresa Reag, posteriormente liquidada, que manteve parcerias com o Banco Master.
O advogado Juca também atua na defesa de Mansur e, segundo relatos, existe a possibilidade de negociações de delação envolvendo o empresário.
Outro tema que pode aparecer no acordo são operações relacionadas a carteiras de crédito consignado.
Um dos principais ativos do Banco Master era o CrediCesta, cartão de crédito consignado com juros abaixo do mercado voltado principalmente para servidores públicos.
O produto foi idealizado pelo ex-sócio de Vorcaro, Augusto Lima, que posteriormente rompeu com o banqueiro.
Investigações da PF podem mudar cenário
A estratégia de evitar ministros do STF pode enfrentar obstáculos nas investigações conduzidas pela Polícia Federal.
Segundo fontes, investigadores afirmam possuir material considerado robusto relacionado ao ministro Dias Toffoli.
Nesse cenário, uma delação diretamente com a Polícia Federal aparece como alternativa caso a PGR não aceite formalizar um acordo.