Conta de luz deve subir acima da inflação em 2026, com alta média de 8%, projeta Aneel
Fonte: cartadenoticias.com.br | Data: 17/03/2026 17:57:11
A conta de energia elétrica dos brasileiros deve ficar mais cara ao longo de 2026. Projeções da Agência Nacional de Energia Elétrica indicam um aumento médio de 8% nas tarifas, percentual superior às estimativas de inflação para o período, como o IGP-M (3,1%) e o IPCA (3,9%).
De acordo com a agência reguladora, os primeiros reajustes aprovados no ano já refletem uma pressão relevante de custos, especialmente relacionada aos subsídios incluídos na tarifa. Esses encargos financiam políticas públicas do setor elétrico e são repassados diretamente ao consumidor final.
Um dos principais fatores para a elevação é a Conta de Desenvolvimento Energético, que reúne diferentes encargos do sistema. A previsão é que o fundo alcance cerca de R$ 52 bilhões em 2026. Desse total, R$ 47,8 bilhões correspondem à chamada CDE-Uso, valor que representa crescimento de 15,4% em relação ao ano anterior.
Os recursos da CDE são destinados, entre outros pontos, ao incentivo a fontes renováveis de energia e à manutenção de políticas sociais, como a gratuidade ou redução da conta de luz para famílias de baixa renda — benefício ampliado após aprovação do Congresso Nacional do Brasil em 2025.
DESCONTOS REGIONAIS PODEM AMENIZAR IMPACTO
Apesar da tendência de alta, parte dos consumidores poderá ter alívio nas tarifas. Recursos provenientes do Uso de Bem Público (UBP) devem ser direcionados à modicidade tarifária em áreas atendidas pela Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia e pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste.
O montante pode chegar a R$ 7,9 bilhões e será distribuído entre 21 distribuidoras que atuam nessas regiões. A medida pode gerar redução média de 10,6% nas contas de consumidores residenciais locais e um efeito de até 2,9% de queda na média nacional.
Esses valores são resultado da renegociação de obrigações financeiras de empresas geradoras de energia relacionadas ao uso de bens públicos. A iniciativa está prevista em legislações recentes que tratam da reestruturação de pagamentos no setor elétrico.
A definição dos critérios de divisão dos recursos ainda está em fase final de análise pela Aneel. O cenário considera a adesão integral das empresas elegíveis ao processo de repactuação.
Mesmo com medidas pontuais de compensação, a tendência para 2026 é de pressão nas contas de luz, impulsionada principalmente pelo crescimento dos encargos setoriais.