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Alta do diesel eleva risco de greve entre caminhoneiros

Fonte: economia.ig.com.br | Data: 18/03/2026 09:57:00

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Caminhões-tanque estacionados em Betim (MG)

Reprodução/redes sociais

Caminhões-tanque estacionados em Betim (MG)

A alta no preço do combustível, impulsionada pelos conflitos internacionais envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, acendeu o alerta entre caminhoneiros e já levanta a possibilidade de paralisações em todo o país.

Com o diesel representando mais de 40% dos custos da atividade, profissionais relatam que os reajustes recentes tornaram inviável manter as operações, aumentando a pressão da categoria por medidas urgentes e reforçando o risco de greve. 

Veja a evolução recente do diesel:

O preço do diesel tem avançado de forma acelerada nas últimas semanas, com impacto direto no bolso dos caminhoneiros:

  • No fim de fevereiro, o litro do diesel girava em torno de R$ 5,50, em média;
  • No início de março, os valores já se aproximavam de R$ 5,90 após os primeiros reajustes;
  • Atualmente, o preço médio já encosta em R$ 6,50 em diversas regiões do país;
  • A variação acumulada no período chega a 18,86%.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística ( CNTTL) informou, em nota, que apoia a mobilização e cobra medidas urgentes para conter os aumentos. A entidade destaca que a alta acumulada tem impacto direto na renda dos trabalhadores.

Governo prepara medidas

Diante do cenário, o Governo Federal prepara um anúncio com possíveis medidas para amenizar os impactos da alta. A expectativa é de que as ações sejam detalhadas nesta quarta-feira (18), às 10h (horário de Brasília), em reunião no Ministério dos Transportes.

Entre as alternativas em discussão está a possibilidade de redução temporária do ICMS sobre o diesel, tema que também deve ser analisado pelo Conselho Nacional de Política Fazendária ( Confaz).

Outra medida em avaliação é a ampliação de subsídios ou mecanismos de compensação para reduzir o impacto da variação internacional do petróleo no mercado interno.

Risco de desabastecimento

Sem uma solução concreta, a paralisação pode afetar o abastecimento de produtos em diversas regiões do país.

O transporte rodoviário é responsável por cerca de 60% da movimentação de cargas no Brasil, o que inclui alimentos, combustíveis e produtos essenciais. Uma eventual greve pode provocar aumento de preços, atraso na entrega de mercadorias e impacto direto na inflação.

Histórico de paralisações

O setor já protagonizou mobilizações de grande impacto no país. Em 2018, uma greve nacional de caminhoneiros provocou desabastecimento generalizado, fechamento de postos de combustíveis e paralisação de setores da economia.

Diante desse histórico, o Governo Federal busca evitar um novo cenário de crise logística, intensificando o diálogo com representantes da categoria.

Próximos passos

Lideranças dos caminhoneiros afirmam que já defendem o início da paralisação a partir desta quinta-feira (19), caso não haja anúncio de medidas consideradas suficientes por parte do Governo Federal.

A decisão final deve ocorrer após a reunião prevista para esta quarta-feira (18). Ainda assim, representantes da categoria indicam que o movimento já ganhou força em diferentes regiões do país e pode começar de forma gradual.

*Estagiária sob supervisão.