Depoente na CPI afirma que Banco Master tinha “dono oculto” e detalha esquema de fraudes – Partido Brasil
Fonte: partidobrasiloficial.com.br | Data: 18/03/2026 17:36:38
O gestor de fundos Vladimir Timerman prestou depoimento nesta quarta-feira (18) à CPI do Crime Organizado e trouxe novas acusações sobre o escândalo financeiro que levou à liquidação do Banco Master. Segundo Timerman, o ex-controlador da instituição, Daniel Vorcaro, atuava apenas como fachada para os verdadeiros donos do banco.
Na avaliação do depoente, Vorcaro “era um pau-mandado” que servia para fazer conexões políticas, enquanto os comandos reais vinham de outras figuras ocultas. O gestor mencionou especificamente o nome do empresário Nelson Tanure como um dos cabeças do esquema.
“O senhor Nelson Tanure é uma das cabeças, eu acho que é o mais alto da hierarquia […] O meu sentimento é que [Vorcaro] é uma pessoa que realmente não sabia nem o que estava acontecendo. Foi colocada para ser a cara [do banco]”, afirmou Timerman.
Ameaças e falha na fiscalização
Timerman revelou que investiga a situação do banco há anos por preocupação com seus investimentos e fez duras críticas à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), à Polícia Federal (PF) e ao Banco Central (BC) pela demora em agir. Ele relatou que suas primeiras denúncias envolvendo a Gafisa S.A. — que ele chamou de “laboratório de tudo” — começaram em 2019, muito antes das operações Compliance Zero e Carbono Oculto, deflagradas pela PF apenas em 2025.
O depoente também denunciou que sua postura investigativa gerou forte retaliação. Ele afirma ter sido alvo de “mais de 30 ações criminais, pedidos de prisão e ameaças de morte”.
Como funcionava a fraude
O gestor detalhou aos parlamentares a engenharia financeira utilizada para maquiar os números do Banco Master. O esquema consistia em aumentar artificialmente o valor de ativos sem valor de mercado — como títulos antigos do Banco do Estado de Santa Catarina (Besc).
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Balanços inflados: Ao elevar o valor desses ativos, o banco criava um lucro artificial, transmitindo uma imagem de solidez ao mercado.
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Captação de CDBs: Com o balanço aparentemente sólido, a instituição captava mais Certificados de Depósito Bancário (CDBs) de investidores para pagar os resgates antigos e desviar o excedente, operando como uma pirâmide.
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI e autor do requerimento de convocação, ressaltou o grave impacto social do crime. Muitos investidores aplicaram valores muito superiores ao limite de R$ 250 mil coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), sofrendo prejuízos irreversíveis.
Testemunha blindada pelo STF
A sessão da CPI também foi marcada por um revés nas investigações. O ex-servidor do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza — suspeito de ajudar na manipulação do mercado —, não compareceu à convocação.
Embora o comparecimento seja regra em CPIs, o presidente da comissão, senador Fabiano Contarato (PT-ES), informou que a ausência ocorreu devido a uma decisão do ministro André Mendonça, do STF, que tornou o depoimento facultativo.
“Qual o sentido de uma comissão parlamentar de inquérito, se eu não posso proceder à oitiva de testemunha, convocar um investigado nem fazer quebra de sigilo?”, protestou Contarato.
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