Gilmar defende STF e questiona foco do caso Master nos Três Poderes
Fonte: noticiasdoplanalto.com.br | Data: 23/04/2026 11:42:58
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ressaltou que as investigações do caso do banco Master apontam para um problema mais amplo, relacionado à regulação e à possível participação do sistema financeiro em suspeitas de fraude. Em entrevista à TV Globo, o ministro expressou seu apoio às atuações de seus colegas Alexandre de Moraes e Dias Toffoli diante dos desdobramentos do caso, que geraram uma crise institucional inédita no Supremo.
Quando questionado sobre a necessidade de esclarecimentos pelos ministros Moraes e Toffoli a respeito de suas relações com o dono do Master, Daniel Vorcaro, Gilmar Mendes disse que cada um deve conduzir suas próprias explicações, e criticou a imprensa por concentrar o caso nos Três Poderes. Segundo ele, se procurasse o local ligado ao caso, o endereço seria na região financeira da Faria Lima, e não no âmbito do STF.
Pesquisas recentes revelam uma queda na confiança dos brasileiros no STF, com índices negativos pela primeira vez desde agosto de 2021. Parlamentares da oposição têm intensificado pedidos de impeachment, alegando que o ministro Moraes teria cometido crime de responsabilidade devido a contratos envolvendo pessoas próximas ligados ao banco Master, além de mensagens trocadas com Vorcaro.
Dias Toffoli deixou a relatoria do caso Master após a Polícia Federal destacar indícios de conexão entre ele e o banqueiro, incluindo pagamentos relativos a um resort de que o ministro é sócio.
Defesa do inquérito das fake news
Gilmar Mendes também defendeu a continuidade do inquérito das fake news, considerando importante que as investigações prossigam até as eleições, para proteger o Supremo de ataques. Ele criticou ações recentes que, segundo ele, prejudicam a imagem da Corte, e ressaltou que o inquérito é necessário e terminará no momento adequado.
Recentemente, Gilmar pediu à Procuradoria-Geral da República que investigue o senador Alessandro Vieira por abuso de autoridade, como resposta a uma minuta de relatório da CPI do Crime Organizado que propunha o indiciamento de membros do STF e da PGR no contexto do caso Banco Master. A CPI rejeitou essa minuta.
Caso Romeu Zema
O ministro encaminhou uma notícia-crime solicitando investigação contra o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, por críticos que Zema publicou, incluindo um vídeo em que satiriza decisões do Supremo. A oposição reagiu, afirmando que isso representa um precedente perigoso que ameaça a liberdade de expressão e a crítica institucional, essenciais à democracia.
Zema classificou a medida como absurda e reafirmou a necessidade de liberdade para expressar opiniões políticas.
No vídeo questionado, que circulou em março, os ministros são apresentados como fantoches, e a cena retrata pedidos de favores relacionados às investigações do banco Master.
Gilmar Mendes afirmou que o conteúdo divulgado pelo ex-governador não apenas atenta contra a honra e imagem do Supremo Tribunal Federal, mas também contra a sua própria pessoa.