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Com US$ 30 bilhões ao ano, Brasil pode liderar a transformação das viagens corporativas no mundo, afirma especialista

Fonte: noticias.r7.com | Data: 25/04/2026 02:43:05

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Pricewaterhouse: 91% das empresas de turismo já utilizam ou testam IA Lucas Batista

O Brasil ocupa, hoje, a 10ª posição entre os maiores mercados de viagens corporativas do mundo, com um volume estimado em US$ 30 bilhões anuais, segundo dados da VISA e da Global Business Travel Association (GBTA).

O país é também o 7º maior de origem de viajantes corporativos para os Estados Unidos, à frente de economias como França e Itália, segundo levantamento recente da Booking.com.

Para Luiz Moura, especialista em turismo corporativo, além de membro do Conselho de Turismo da FecomércioSP, essa posição não tem a ver com um ciclo econômico pontual, mas com décadas de construção de uma base corporativa sofisticada.

“Estamos falando de multinacionais que fizeram do país um hub regional estratégico e empresas brasileiras que expandiram sua presença para os cinco continentes”, afirma.

Para ele, o Brasil vive hoje um momento promissor que une escala consolidada e uma transformação tecnológica que está redefinindo a gestão de viagens corporativas no mundo inteiro. E Luiz destaca: “Ao contrário do que se imagina quando se fala em inovação empresarial, o Brasil não está observando essa transformação de longe. Pelo contrário, está participando dela como protagonista”. 

Nessa transformação tecnológica, a inteligência artificial é o exemplo mais visível. Um relatório recente da PwC aponta que 91% das empresas de turismo já utilizam ou testam IA, e 85% relatam ganhos concretos de eficiência.

No Brasil, empresas de tecnologia aplicada a viagens corporativas estão entre as primeiras do mundo a colocar agentes de IA em produção para resolver problemas operacionais específicos, não como promessa ou piloto, mas como parte do serviço entregue aos clientes. 

Luiz, que também é cofundador da VOLL (maior agência digital de viagens corporativas da América Latina), explica que na empresa foram desenvolvidos agentes que monitoram tarifas aéreas continuamente após a emissão das passagens e, ao identificar oportunidades de reemissão a custo menor, agem automaticamente, gerando economias de até 30% no custo de voos. 

Segundo ele, outros agentes atuam na auditoria de tarifas hoteleiras e na identificação de anomalias em despesas corporativas, funções que tradicionalmente exigiam equipes dedicadas e processos manuais intensivos.

“Os resultados dessa nova geração de soluções são mensuráveis. Ao adotar a VOLL, o maior banco da América Latina acumulou R$ 157 milhões em economia nos últimos anos. O maior player de investimentos, também brasileiro, registrou R$ 100 milhões em savings em 2025 e um NPS de 92, um dos mais altos do setor globalmente. Isso mostra como tecnologia e metodologia aplicadas com consistência podem fazer a diferença no setor”, exemplifica. 

Pressão de custos 

O especialista lembra que, em um contexto macroeconômico que pressiona os custos do setor, tratar a gestão de viagens corporativas como função estratégica é urgente. O conflito no Oriente Médio pressionou o preço do petróleo acima de US$ 100, e o querosene de aviação praticamente dobrou nas últimas semanas. Nos Estados Unidos, passagens transcontinentais subiram de US$ 167 em fevereiro para US$ 414 em março de 2026. No Brasil, com o acordo de céus abertos vigente desde 2021 e quase 800 voos semanais diretos para os EUA, a exposição é significativa. 

“Em cenários de pressão sobre custos, a diferença entre empresas que crescem e empresas que apenas reagem está na capacidade de gerenciar despesas em tempo real. Quem tem visibilidade sobre o comportamento de compra, sobre a aderência à política e sobre as alavancas de eficiência ainda não ativadas, toma decisões antes que o impacto financeiro se consolide. Quem depende de processos manuais e planilhas consolidadas ao final do mês, absorve o impacto sem conseguir reagir”, alerta. 

O Boston Consulting Group, em parceria com a New York University, identificou que menos de 10% das empresas de hospitalidade globalmente podem ser consideradas verdadeiramente “future built”, com capacidades avançadas de tecnologia gerando valor real. Para Luiz, o dado não deve soar como crítica, mas ser lido como oportunidade. 

“O Brasil está bem posicionado para essa corrida. Temos o volume, temos as empresas, temos a tecnologia disponível localmente. O que decidirmos fazer com esse conjunto de ativos nos próximos anos definirá se seremos apenas o 10º maior mercado do mundo em volume, ou se construiremos também uma posição de liderança em inteligência, eficiência e inovação aplicada à gestão de viagens corporativas. Ainda há espaço para um número significativo de empresas, brasileiras e globais, ingressarem nesse grupo e construírem vantagens competitivas”, conclui.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.