Baixar Notícia
WhatsApp
Email

Rodadas da semana: Astor capta US$ 5 mi para fazer assessoria de investimentos com IA

Fonte: bloomberglinea.com.br | Data: 25/04/2026 07:04:52

🔗 Ler matéria original

Bloomberg Línea — O setor de fintechs da América Latina recebeu investimentos de US$ 700 milhões em 37 rodadas no primeiro trimestre de 2026, segundo relatório do CB Insights.

O número de deals representa queda expressiva ante os 53 registrados no trimestre anterior, embora o volume financeiro tenha se mantido estável — sinal de que o capital está indo para menos empresas, com aportes maiores.

O destaque do Brasil foi o Meu Tudo, que levantou US$ 93 milhões com a aquisição de uma fatia minoritária 48% de seu capital pelo BTG Pactual, com valuation de US$ 193 milhões. Na região, a argentina Ualá se tornou o novo unicórnio latino-americano do trimestre, avaliada em US$ 3,2 bilhões após uma rodada série F de US$ 195 milhões.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

O Brasil foi protagonista em saídas. PicPay e Agibank abriram capital com valuations de US$ 2,5 bilhões e US$ 2 bilhões, respectivamente, figurando entre os maiores IPOs de fintechs do mundo no período. A Dimensa foi adquirida pela Evertec por US$ 181 milhões, entrando no ranking dos dez maiores M&As do setor no trimestre.

Leia também: Êxodo de empreendedores do Brasil para o Vale do Silício impõe desafio a fundos de VC

O cenário regional reflete uma tendência global de queda do investimento em fintechs. No mundo, o número de deals no setor caiu para 762 no trimestre — o menor em vários anos e quinta queda consecutiva.

O funding total chegou a US$ 12,1 bilhões, voltando a um patamar menor após um pico atípico no quarto trimestre de 2025. O maior deal do período globalmente foi a série F da americana Kalshi, de US$ 1 bilhão, com valuation de US$ 22 bilhões.

Veja a seguir as principais rodadas da semana:

Astor

A Astor, plataforma americana de assessoria de investimentos com IA fundada pelos brasileiros Bruno Koba e Daniel Tulha, captou uma rodada seed de US$ 5 milhões liderada pela Monashees, com participação de Y Combinator, Goodwater Capital, Gilgamesh Ventures, 468 Capital e executivos de Stripe e OpenAI.

A empresa nasceu da observação de que apenas 35% dos americanos trabalham com um assessor financeiro — número que cai para menos de 5% entre adultos com menos de 30 anos. Assessores tradicionais costumam exigir ao menos US$ 500 mil em ativos para aceitar um cliente.

Registrada na SEC e operando sob dever fiduciário, a Astor se conecta às contas de corretora dos usuários e oferece recomendações personalizadas via IA conversacional, por texto ou voz, com planos a partir de US$ 15 por mês. Desde o lançamento, atraiu mais de US$ 100 milhões em contas conectadas.

O cofundador Bruno Koba foi investidor do setor de fintechs na Monashees e cientista de dados no Nubank; já Daniel Tulha foi engenheiro na Stripe e na Robinhood. Os recursos serão usados para expandir os times de produto, engenharia e crescimento, segundo a empresa.

Minter

A Minter, startup de infraestrutura digital fundada em 2023, captou uma rodada série A liderada pelo Itaú Unibanco, com participação da Leste Group, da Legend Capital e de investidores individuais do setor. O valor não foi divulgado.

A empresa instala data centers modulares diretamente em pontos de geração de energia renovável para resolver o problema do curtailment — quando geradores precisam reduzir ou interromper a produção porque a rede elétrica não absorve o excedente.

A eletricidade que seria desperdiçada é convertida em poder computacional para mineração de bitcoin. As unidades podem ser desligadas rapidamente quando a rede precisar da energia, funcionando como ativos flexíveis dentro do sistema elétrico.

Com o aporte, a Minter pretende ampliar seu portfólio no Brasil e iniciar expansão nos Estados Unidos, onde enxerga convergência entre sua infraestrutura e a demanda crescente por data centers para treinamento de modelos de inteligência artificial. A empresa é liderada pelo CEO Stefano Sergole.

The SmAll Market

A The SmAll Market, startup de minimercados autônomos em condomínios residenciais fundada pelos brasileiros Lucas Ceschin e Rodolpho Damasco, captou uma rodada pré-seed de US$ 2 milhões para escalar sua operação nos Estados Unidos.

O modelo instala mercados sem atendentes em edifícios com mais de 150 unidades, com funcionamento 24 horas, pagamento automatizado e curadoria de produtos por inteligência artificial. A primeira unidade foi aberta em Miami em março de 2026, e a empresa prevê mais dez unidades na cidade ainda este ano.

A rodada reuniu investidores com experiência direta no varejo americano: Trevor Hayes, ex-CEO do Subway, Leandro Balbinot, CTO do Whole Foods e VP de Operações da Amazon, e Jardel Cardoso, fundador da Billor.

Lucas Ceschin foi cofundador e CEO do James Delivery, adquirido pelo Grupo Pão de Açúcar em 2018; Damasco tem trajetória no mercado financeiro, tendo fundado a NOMOS, com mais de R$ 10 bilhões sob custódia, e a Ophir, fundo de crédito com mais de R$ 300 milhões sob gestão.

Aro

A Aro, fintech de crédito fundada por Pedro Milanez — primeiro funcionário do Nubank —, saiu do modo stealth após captar US$ 2,5 milhões em rodada pré-seed liderada pela ONEVC e pela 17Sigma, com participação de Norte Ventures, Gilgamesh e Grão VC.

A empresa usa inteligência artificial e dados comportamentais para avaliar clientes além do que os bureaus de crédito tradicionais capturam, permitindo aprovar perfis que o sistema convencional rejeitaria.

Desde o lançamento do MVP, em novembro de 2025, atendeu mais de 100 mil pessoas e originou mais de R$ 2 milhões em crédito — cerca de 80% dos clientes não seriam aprovados por modelos tradicionais.

Em vez de atuar apenas como originadora, a Aro recomenda a melhor opção disponível para cada cliente, inclusive de parceiros externos.

Com os recursos, a empresa pretende integrar até 20 parceiros de crédito à plataforma e tem como meta atingir US$ 1 milhão em ARR até junho.

Leia também

Startup de IA que ajuda empresas a criar ‘próprios ChatGPTs’ prevê IPO em 2027