Preencha os campos abaixo, e clique em para confirmar a mudança. Aprenda a pedir o vinho ideal sem ser mal interpretado pelo sommelier
Fonte: correio24horas.com.br | Data: 26/04/2026 06:53:00
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Paula Theotonio
Publicado em 26 de abril de 2026 às 05:00

Se tem uma coisa que escutamos sempre na Oxe Vinhos, bar especializado do qual sou sócia e sommelier em Petrolina (PE) desde 2021, é que sempre acertamos nas indicações de rótulos. Uma conquista alcançada após um par de anos, cabeçadas e muxoxos de clientes não tão satisfeitos, preciso dizer.
Foi ao longo desse período que comemos nosso primeiro quilo de sal com o atendimento especializado: estudamos mais, aprendemos a fazer perguntas mais efetivas, a ligar a empatia no 220v e traduzir o que muitos dos nossos clientes, principalmente iniciantes no vinho, queriam dizer quando nos contavam sobre suas preferências. Hoje são quase 5 anos criando uma espécie de CRM mental/dicionário, que compartilhamos com nossa equipe para reduzir ruídos e aumentar litragens.
Esses dias, entendi que algumas dessas informações também poderiam ajudar consumidores a comunicarem melhor o que gostam em um branco, rosé, tinto ou espumante. Assim, sintonizam a linguagem com o sommelier ou a sommelière e evitam frustrações, harmonizações desastrosas ou a sensação de dinheiro perdido.
Uma confusão clássica que pode ocorrer, por exemplo, é quando pedem um vinho mais “suave”.
Suave, na linguagem técnica do vinho, remete a vinhos doces. Se é exatamente isso que você deseja, perfeito. Mas se a sua ideia de suavidade remete a uma bebida macia no paladar, redondinha, agradável e sem doçura perceptível, o sommelier desavisado pode acabar recomendando um vinho com alto nível de açúcar residual ou adicionado.
Nessa mesma linha, muitas pessoas dizem que gostam de vinhos “secos, mas não travosos”. Você é uma delas?
De maneira geral, os profissionais vão entender que você simplesmente não gosta de vinhos com alto teor de taninos, compostos naturais da uva que causam uma certa secura no paladar em tintos. Se é dessa sensação que você definitivamente não gosta, pode optar também por dizer que prefere vinhos com taninos médios e/ou macios.
Evite uvas como Cabernet Sauvignon e Tannat; e aposte em uvas como Merlot, Tempranillo (joven ou genérico), Carmenère do Valle Central chileno e tintos portugueses do Alentejo. Alguns rótulos de Malbec podem ter taninos mais presentes, porém normalmente são muito frutados, encorpados e com notas amadeiradas e abaunilhadas, então podem parecer mais sedosos e agradar bastante.
Há uma chance de o(a) profissional recomendar um Pinot Noir, mas vinhos com essa uva têm cor menos profunda, são normalmente mais delicados, nem sempre frutados e costumam ter acidez mais elevada. Esta última é uma característica que os distancia dos “vinhos macios” — mas certamente vai deixar feliz quem gosta de tintos leves (não encorpados) e vibrantes (com acidez mais elevada).
O termo “acidez elevada” também merece uma tecla SAP. Venho percebendo que muitas pessoas usam “travoso” para se referirem a um vinho branco mais ácido, que costuma dar uma pontadinha na mandíbula, perto do maxilar. Pessoas com baixa tolerância à acidez podem, inclusive, associar essa percepção erroneamente ao azedo. Se essa não é a sua vibe, anuncie que prefere brancos com acidez média.
Outra expressão comum é “não gosto de vinho forte”, o que pode gerar confusão em atendimentos pouco treinados. Forte como? Na minha experiência, quem diz isso normalmente quer um vinho macio, bem frutado e com baixo teor alcoólico.
Dito tudo isso, posso afirmar que não existe tradução literal para “quero um vinho bom”. Porque o que você provavelmente quer é um vinho de qualidade segundo seu paladar, que você considera como agradável ou empolgante.
Um vinho excelente, para nós profissionais, significa algo totalmente diferente: está relacionado a análises estritamente técnicas, não a gosto pessoal. E nem todo vinho considerado de altíssima qualidade vai cair bem para todos.
É por esse motivo que, quando houver dúvidas, não hesite em conversar francamente com a pessoa que está te recebendo na adega, no empório ou no restaurante. Conte-nos sobre os estilos que você normalmente consome, uvas favoritas e compartilhe o momento em que vai consumir o rótulo. A gente vai fazer de tudo pra te entregar a melhor indicação! ✷
Bora aprender sobre borbulhas?
A Associação Brasileira de Sommeliers – Seção Rio Grande do Sul (ABS-RS) realiza entre 27 e 29/04 um workshop online e gratuito sobre espumantes. A Rota das Borbulhas — como é chamada a iniciativa — conta com três aulas, ministradas a partir das 19h através do canal oficial da entidade no YouTube. A capacitação é voltada para todos os que desejam entender mais sobre esse estilo de vinho ou buscam traçar estratégias de negócios envolvendo o produto. Os encontros têm uma hora de duração e contam com o guiamento dos profissionais Vinícius Santiago, Andreia Gentilini e Caroline Dani. Para garantir participação e certificado, inscreva-se no site absrs.com.br/workshoprotadasborbulhas. As vagas são limitadas.
