Diante da maior oferta, médicos buscam novos modelos de carreira
Fonte: medicinasa.com.br | Data: 27/04/2026 05:04:37
Ao todo, 35 mil estudantes de medicina se formam por ano no Brasil, de acordo com o Conselho Federal de Medicina (CFM). Esses novos profissionais, logo após concluírem a graduação, enfrentam um mercado de trabalho concorrido, com mais de 635 mil médicos já atuantes, segundo a pesquisa Demografia Médica no Brasil de 2025. A solução, encontrada por muitos, é recorrer a modelos de atuação diversos e optar por formas de trabalho que fogem do tradicional.
“O aumento no número de médicos amplia a concorrência, especialmente nos grandes centros urbanos”, explica Alexandre Pimenta, médico e responsável técnico nacional pelo AmorSaúde. Porém, de acordo com ele, a concorrência também tem efeitos positivos e é responsável por “estimular maior profissionalização, diferenciação por qualidade assistencial e a busca por modelos mais eficientes de atuação”.
Desafios para recém-formados
Com 2,98 médicos para cada mil habitantes, de acordo com a pesquisa citada anteriormente, o Brasil possui atualmente a maior proporção de profissionais na área já registrada. Por isso, para recém-formados, pode ser difícil competir com médicos experientes e conseguir emprego nos moldes tradicionais.
Ao tentar abrir um consultório próprio, os novos médicos também podem encontrar alguns obstáculos: “os principais desafios são se inserir no mercado de trabalho com estabilidade financeira, a baixa previsibilidade na agenda de consultas e os gastos necessários para obter estrutura própria para atendimentos”, explica Alexandre Pimenta.

O responsável técnico nacional pelo AmorSaúde ainda complementa afirmando que, logo após se formarem, muitos médicos podem ter pouca experiência em gestão e, por isso, ainda não sabem como precificar suas consultas e criar um posicionamento profissional.
“Além disso, muitos recém-formados em medicina enfrentam dificuldade em acessar populações com demanda real de cuidado, ficando concentrados em mercados saturados nos grandes centros urbanos”, finaliza.
Modelos alternativos de atuação
“Hoje, existem diversos modelos eficientes e acessíveis para novos médicos. Essas novas formas de trabalhar permitem maior escala de atendimentos, acesso a pacientes e aprendizado estruturado”, explica Alexandre. Dentre os novos modelos de atuação citados por ele estão:
- Atuação em redes de clínicas com estrutura pronta;
- Modelos de atenção primária estruturada (APS);
- Telemedicina e atendimento híbrido;
- Parcerias com operadoras de saúde verticalizadas;
- Atuação em programas públicos e projetos de saúde populacional.
“Ao optar por iniciar sua carreira atendendo em uma rede de clínicas, por exemplo, o profissional tem acesso imediato a um fluxo de pacientes, à estrutura física e aos equipamentos necessários, o que reduz o risco financeiro e a necessidade de investimento inicial para começar a trabalhar”, resume Alexandre.
Dentre os pontos positivos de atender em uma rede de clínicas, José Anderson Labbado, ortopedista no AmorSaúde, cita “a oportunidade de trabalhar na área em que me formei e a chance de divulgar o meu nome e crescer. Nós aprendemos com os pacientes que atendemos, e isso expande bastante nosso conhecimento”.
Alexandre também ressalta que essa forma de trabalho permite o aprimoramento profissional: “o médico desenvolve experiência prática em menor tempo, com segurança assistencial”.
Em uma rede de clínicas, o médico também pode optar por atuar fora dos grandes centros urbanos. “Do ponto de vista profissional, há maior oportunidade de protagonismo e impacto direto na comunidade ao atender fora das capitais”, afirma.
Hithalo Tajra, médico que atua no AmorSaúde, compartilha da mesma visão. “Nesses cinco anos em que trabalho na empresa, pude construir minha identidade em conjunto com a clínica e estabelecer uma relação com os funcionários e pacientes”. Ele enfatiza que o modelo de atuação lhe deu oportunidades de se desenvolver enquanto acompanhava a evolução dos pacientes.
“Há economia significativa ao optar por modelos que não estão estruturados em consultório próprio”, resume Alexandre. Ele também explica que o trabalho em clínicas no interior abre a possibilidade de obter maior demanda, com custos operacionais mais baixos.