Ipatinga tem maior queda entre cidades mineiras no PIB nacional, aponta IBGE
Fonte: cartadenoticias.com.br | Data: 27/04/2026 15:37:24
Ipatinga aparece como o município mineiro com maior perda de participação no Produto Interno Bruto (PIB) nacional entre 2022 e 2023, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O recuo coloca a cidade do Vale do Aço em destaque negativo em um cenário estadual marcado pela forte concentração de riqueza em poucos municípios.
O estudo “PIB dos Municípios 2022-2023”, publicado em dezembro de 2025, aponta que Minas Gerais registrou R$ 972 bilhões em riquezas geradas em 2023, mantendo-se como a terceira maior economia do país. Apesar do volume expressivo, mais da metade desse total — 53,8% — está concentrada em apenas 25 das 853 cidades mineiras.
Dentro desse contexto, Ipatinga surge como a cidade do estado com maior perda proporcional de participação no PIB brasileiro, ocupando a 11ª posição no ranking nacional, com retração de 0,03 ponto percentual. O desempenho reflete, principalmente, os impactos da queda no preço internacional do minério de ferro, base econômica relevante para municípios industrializados da região.
Além de Ipatinga, outros dois municípios mineiros também aparecem entre os que mais perderam participação no país: Uberaba, na 23ª colocação, e Guaxupé, em 25º lugar. Ambos registraram redução de 0,02 ponto percentual.
CONCENTRAÇÃO ECONÔMICA
Os dados do IBGE evidenciam que a economia mineira permanece altamente concentrada. Belo Horizonte lidera com folga, respondendo sozinha por 13,4% do PIB estadual, o equivalente a R$ 130,2 bilhões. Na sequência, aparecem Betim, Uberlândia, Contagem e Uberaba. Juntas, essas cinco cidades representam quase um terço de toda a riqueza produzida em Minas.
A presença dominante da Região Metropolitana de Belo Horizonte no ranking reforça o peso dos setores industrial e de serviços, além da estrutura administrativa concentrada na capital.
Embora o levantamento federal aponte R$ 972 bilhões, dados da Fundação João Pinheiro utilizados pelo governo estadual indicam que Minas ultrapassou, pela primeira vez, a marca de R$ 1 trilhão em PIB. A diferença decorre de metodologias distintas de cálculo.
DESIGUALDADE REGIONAL
O retrato econômico também revela disparidades significativas entre as regiões do estado. Enquanto o Sul de Minas e a Região Metropolitana concentram os maiores indicadores de riqueza, o Norte de Minas apresenta os menores níveis de PIB per capita.
No recorte por habitante, cidades menores ganham protagonismo. Extrema, no Sul do estado, figura entre os maiores PIBs per capita do Brasil, impulsionada pela indústria e pelo comércio. Já entre municípios de grande porte, Betim, Nova Lima e Pouso Alegre lideram esse indicador.
Em média, o PIB per capita mineiro ficou em R$ 47,3 mil, abaixo da média nacional, que ultrapassa R$ 53,8 mil.
DEPENDÊNCIA ECONÔMICA
A perda de participação de Ipatinga no cenário nacional acende um alerta sobre a dependência de setores específicos, como a mineração e a indústria pesada, fortemente influenciados por oscilações do mercado internacional.
O levantamento mostra que, mesmo com crescimento real de 3,4% em relação a 2022, Minas Gerais teve leve redução na fatia que ocupa na economia brasileira. O desempenho evidencia que, além de crescer, o desafio do estado é diversificar sua base econômica e reduzir a concentração de riqueza.
Enquanto isso, cidades como Ipatinga enfrentam o impacto direto dessas mudanças, refletindo como variações globais podem repercutir de forma intensa em economias locais.