Baixar Notícia
WhatsApp
Email

Guerra e petróleo impactam expectativa do Copom sobre juros

Fonte: imprensapublica.com.br | Data: 28/04/2026 09:13:31

🔗 Ler matéria original

Foto: Marcello Casal Jr. / Agência Brasil

A guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel, que mantém o preço do barril de petróleo perto de US$ 100, deve fazer o Banco Central agir com cautela e cortar a taxa Selic em 0,25 ponto percentual na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que começa nesta terça-feira, 28. Isso levará a taxa de juros para 14,5% ao ano, decisão que será anunciada na quarta-feira, 29. Essa é a previsão de 33 de 37 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast.

Nas próximas reuniões, o desenrolar do conflito no Oriente Médio deve influenciar a velocidade dos cortes na Selic, já que alguns acreditam em um arrefecimento do conflito e, com isso, a queda do preço do petróleo, o que daria mais espaço para o Banco Central reduzir os juros.

Este cenário é diferente do esperado antes da guerra, em fevereiro, quando se esperava dois cortes de 0,5 ponto percentual nos meses de março e abril, e uma taxa Selic perto de 12% no fim do ano. Agora, a previsão é de 13% em dezembro.

O sócio e economista sênior da Tendências Consultoria, Silvio Campos Neto, diz que o cenário econômico não mudou desde a última reunião, em março, quando o Banco Central começou uma redução lenta da Selic. Desde então, o conflito no Oriente Médio continuou, o petróleo se manteve caro e as expectativas de inflação pioraram, segundo o boletim Focus, que prevê IPCA de 4,86% para 2026 e 4% para 2027.

“Essas situações fazem com que o Banco Central tome decisões conservadoras e cuidadosas no ajuste dos juros”, afirma o economista. Ele acredita que existe uma pequena chance do juro se manter em 14,75%, mas o mais provável é um corte de 0,25 ponto para ganhar tempo para as próximas decisões.

O economista-chefe da Neo Investimentos, Luciano Sobral, também prevê um corte de 0,25 ponto no juro básico nesta semana devido ao preço alto do petróleo e piora nas expectativas, ressaltando a necessidade de cautela.

Mesmo com a valorização do real frente ao dólar, que tem ficado perto ou abaixo de R$ 5, o efeito dessa mudança é pequeno para compensar o impacto inflacionário do petróleo caro. “Mesmo com isso, a Selic necessária para a inflação atingir a meta é maior após a guerra”, comenta Sobral.

O economista-chefe do Banco Bmg, Flávio Serrano, também defende que a continuidade da guerra exige cuidado do Banco Central, que deve reduzir a Selic novamente em 0,25 ponto neste mês.

Ele alerta para a importância do tom da comunicação do BC após a decisão, especialmente sobre os riscos para a inflação. “Se o BC alterar o balanço de riscos para uma ameaça maior de alta da inflação, as projeções para a Selic no foco do mercado podem subir além dos 13%”, explica. No último comunicado, o Banco Central reconheceu o aumento da incerteza, mas não mudou o balanço de riscos.

Próxima reunião em junho

Para a reunião desta semana, a maioria espera um corte de 0,25 ponto na Selic, mas para o encontro em junho o mercado está dividido: 18 instituições preveem outro corte de 0,25 ponto, 18 esperam uma redução maior, de 0,50 ponto ou mais, e uma prevê a manutenção da taxa em 14,75%.

Luciano Sobral acredita que até junho o estreito de Ormuz será reaberto e o preço do petróleo cairá, acelerando os cortes para 0,50 ponto, com a Selic terminando o ano em 12,5%.

Silvio Campos Neto também espera algum alívio da tensão no Irã, o que reduziria o preço do petróleo para cerca de US$ 75. Se isso acontecer, o Banco Central pode acelerar o corte da Selic, projetando um novo corte de 0,25 ponto em junho e cortes maiores só em agosto, com uma Selic de 13% no fim do ano.