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IBGE vai fazer o 1º censo da população em situação de rua em 2028

Fonte: noticiasdoplanalto.com.br | Data: 28/04/2026 17:57:11

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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vai realizar entre 3 e 7 de julho de 2028 o primeiro Censo Nacional da População em Situação de Rua. Os resultados iniciais deverão ser divulgados em dezembro do mesmo ano.

Essa ação inédita no Brasil foi anunciada pelo IBGE durante eventos em Belém (dia 27), no Rio de Janeiro (dia 28) e está prevista para São Paulo (dia 30).

Durante o evento no Centro de Atendimento Integrado às Pessoas em Situação de Rua do Rio de Janeiro (CIPOP-RUA/RJ), o presidente do IBGE, Márcio Pochmann, destacou que a metodologia criada pelo instituto será referência para outros países.

Márcio Pochmann ressaltou que entender o perfil e a origem dessas pessoas poderá ajudar a transformar as políticas públicas, para que não seja necessário mais realizar levantamentos dessa população sem residência fixa.

Ele lembrou que a primeira contagem de moradores em situação de rua no Brasil aconteceu em São Paulo, entre os anos 1980 e 1990. Em 1991, havia 3.393 pessoas nessa condição na cidade, número que cresceu para 101 mil em 2025.

Orçamento

Para o presidente do IBGE, esse crescimento expressivo não pode ser responsabilidade somente das prefeituras e governos estaduais, sendo necessário um esforço nacional, conforme sugerido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Márcio Pochmann destacou que o orçamento para o censo estará incluído na proposta orçamentária que o governo federal enviará ao Congresso em agosto.

Ele acredita que o levantamento representará uma reparação do IBGE para com essa população, trazendo visibilidade a brasileiros até então invisíveis.

O IBGE informou que o censo tem uma metodologia desenvolvida em parceria com instituições e movimentos sociais, construída em diálogo com a sociedade civil, marcando um avanço na produção de informações oficiais.

Discriminação e participação social

O morador em situação de rua, Igor Santos, presente no evento no Rio de Janeiro, ressaltou que muitas vezes as circunstâncias da vida, e não a vontade das pessoas, levam à situação de rua.

“Frequentemente somos alvo de preconceito e olhares de menosprezo. Vim aqui para solicitar apoio,” disse ele.

Flávio Lino, secretário-geral do Movimento Nacional da População de Rua do Rio de Janeiro, que vive fora das ruas há quatro anos, afirmou que a realização do censo terá impacto significativo no país.

Ele comentou que pessoas com experiência de vida em situação de rua serão contratadas para ajudar na pesquisa, e as vinte coordenações nacionais do movimento vão colaborar para garantir a precisão dos dados.