Juros futuros encerram quase estáveis na véspera do Copom, apesar de petróleo e IPCA-15
Fonte: valor.globo.com | Data: 28/04/2026 18:34:56
Os juros futuros encerraram o pregão desta terça-feira (28) com movimentos tímidos ao longo de toda a estrutura a termo da curva, após apagar o avanço observado nas primeiras horas da sessão por conta da pressão exercida pela alta do petróleo e os números do IPCA-15 de abril.
Em um movimento conjunto com o real, as taxas domésticas melhoraram seu desempenho ao longo da tarde e, com isso, fecharam alternando entre pequenas quedas e avanços, enquanto os investidores se preparam para a decisão de amanhã do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.
A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2027 anotou leve queda de 14,135%, do ajuste de ontem, para 14,115%; a do DI de janeiro de 2028 oscilou de 13,73% a 13,725%; a do DI de janeiro de 2029 teve alta marginal de 13,575% para 13,58% e a do DI para janeiro de 2031 cedeu de 13,595% a 13,585%.
No começo do dia, a alta do petróleo em meio ao impasse das negociações entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio e os números do IPCA-15 de abril exerceram forte pressão sobre a curva a termo, e as taxas de prazos intermediários chegaram a saltar quase 20 pontos-base (0,2 ponto percentual).
À medida que a aversão por ativos de risco foi arrefecendo no exterior, os juros futuros encontraram espaço para, aos poucos, devolver a alta observada durante a manhã e o começo da tarde. A melhora no mercado de renda fixa se intensificou ao mesmo tempo em que o dólar apagava o seus ganhos ante o real, o que pode indicar um fluxo de investimento estrangeiro para ativos brasileiros.
“Ao longo do dia, as taxas dos DIs conseguiram se recuperar e terminaram nos níveis de fechamento do dia anterior, mesmo com os preços do Brent ainda em alta. Será que o posicionamento está mais equilibrado? Acho que sim”, aponta um operador, em condição de anonimato. Desde o estresse provocado pela guerra no Oriente Médio, os mercados de juros no Brasil passaram por um amplo movimento de liquidação de posições, o que pode ter deixado a renda fixa com um posicionamento menos esticado e, portanto, menos sensível a episódios de aversão a risco.
De qualquer forma, sem sinais claros de resolução para o conflito, os preços do petróleo voltaram a fechar nos maiores níveis em quase um mês, com o barril do Brent acima da marca de US$ 110. O salto da commodity já se manifesta nos números de inflação no Brasil, como mostrou hoje o IPCA-15.
Embora a alta de 0,89% do índice cheio tenha ficado abaixo do que esperava a maior parte do mercado, a composição do indicador foi menos positiva ao exibir pressão relevante nos preços de bens industriais, bem como uma inflação de serviços que não dá sinais de arrefecimento.
“O número não altera a nossa expectativa de corte de Selic de 0,25 ponto percentual na reunião do Banco Central desta semana, mas evidentemente essa composição da inflação constitui um desafio e pode, em conjunto com as expectativas de inflação que estão em patamares desancorados (da meta de 3%) e voltaram a subir, contribuir para o que BC siga nesse ritmo gradual de corte no processo de calibragem da política monetária”, avalia a equipe de economistas do banco Daycoval, em nota.
A análise do Daycoval vai ao encontro do que mostram hoje as opções digitais de Copom. Para a reunião de amanhã, é praticamente consensual a expectativa pelo corte de 0,25 ponto, com 95% de probabilidade. Já para a decisão de junho do colegiado, ganhou força a chance de que outro corte de 0,25 ponto ocorra, passando de 49% a 54% nesta sessão, ao passo em que a probabilidade de manutenção da Selic caiu de 25% a 23% e a de um corte maior, de 0,5 ponto, recuou de 23% a 20%.
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