Palácio Guanabara | Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Palácio Guanabara | Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O Governo do Estado do Rio de Janeiro não vai patrocinar o show de Shakira em Copacabana, marcado para o próximo sábado (2), na Zona Sul do Rio. A decisão muda os bastidores financeiros do evento e amplia o peso do investimento para a Prefeitura do Rio, que deve assumir uma fatia maior dos custos.

A apresentação faz parte do calendário de grandes eventos da cidade e tem expectativa de reunir cerca de 2 milhões de pessoas na Praia de Copacabana. A estimativa municipal é de que o impacto econômico chegue a aproximadamente R$ 800 milhões.

Governo do Rio não entra no patrocínio do show

De acordo com informações divulgadas, o Governo do Rio comunicou que não patrocinará o show da cantora colombiana. A decisão foi repassada após uma reunião entre o secretário-chefe da Casa Civil, Flávio Willeman, e a Bonus Track Entretenimento, produtora responsável pelo evento.

Com isso, o modelo de financiamento muda em relação a anos anteriores. Nos shows de Madonna e Lady Gaga, os custos foram divididos entre o Estado e o município.

Em 2025, por exemplo, o governo estadual destinou R$ 15 milhões ao show de Lady Gaga. Agora, no evento de Shakira, a participação financeira estadual não será mantida.

Divulgado o 1º balanço sobre voos para show de Shakira no Rio
Foto: Divulgação

Prefeitura do Rio deve investir R$ 20 milhões

Com o recuo do Estado, a Prefeitura do Rio deve ampliar o investimento no evento. O valor previsto inicialmente era de R$ 15 milhões, mas a estimativa passou para R$ 20 milhões.

Na prática, isso representa R$ 5 milhões a mais para viabilizar a apresentação na Praia de Copacabana. A mudança coloca o município como principal responsável pelo financiamento do show.

Impacto econômico é aposta da cidade

Apesar do aumento no custo para a Prefeitura, o evento é tratado pelo município como parte de uma estratégia para fortalecer o turismo e a economia carioca.

Segundo estudo da Prefeitura do Rio, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e da Riotur, o show tem potencial de movimentar R$ 776,2 milhões na economia, considerando os gastos do público.

A projeção de público é de cerca de 2 milhões de pessoas, sendo:

  • 278 mil turistas nacionais, o equivalente a 13,9%;
  • 32 mil turistas internacionais, o equivalente a 1,6%;
  • 1,7 milhão de cariocas e moradores da Região Metropolitana, o equivalente a 84,6%.

O cálculo também considera gasto médio diário de R$ 547,30 para turistas brasileiros, com permanência de três dias; R$ 626,40 para estrangeiros, com permanência de quatro dias; e R$ 141,75 para o público local.

Estado mantém estrutura de segurança e serviços

Mesmo sem patrocinar o show, o Governo do Estado deve manter a infraestrutura necessária para a realização do evento. A operação inclui policiamento, bombeiros e recursos de monitoramento.

A estrutura também deve contar com reconhecimento facial, em um esquema de segurança comparado ao utilizado em grandes eventos, como o Réveillon de Copacabana.

A operação é considerada essencial diante da previsão de multidão na orla. O objetivo é garantir circulação, segurança e atendimento ao público durante a apresentação.

Show de Shakira reforça calendário de megaeventos

O show de Shakira integra a sequência de grandes apresentações internacionais em Copacabana. A série ganhou força com Madonna, em 2024, e Lady Gaga, em 2025.

A Prefeitura afirma que o projeto Todo Mundo no Rio já entrou no calendário de eventos da cidade, com shows no mês de maio previstos até, pelo menos, 2028.

Além do impacto direto em hotéis, bares, restaurantes, transporte e comércio, a expectativa é de projeção internacional para o Rio. Segundo estimativa municipal, a exposição global do show de Shakira pode alcançar cerca de US$ 250 milhões, aproximadamente R$ 1,3 bilhão.

Decisão ocorre em meio a cortes no Estado

A decisão de não patrocinar o evento ocorre em um contexto de cortes no Governo do Estado do Rio. O governo tem adotado medidas de redução de gastos, incluindo ações de exonerações em massa, com o argumento de economizar dinheiro público.

Com o recuo estadual, o show de Shakira passa a ter novo peso político, financeiro e operacional. Ainda assim, a expectativa é de que Copacabana receba uma das maiores concentrações de público do ano, com reflexos diretos para moradores, turistas, trabalhadores e comerciantes.