Epidermólise bolhosa: Câmara aprova ‘lei do menino Gui’, com pensão vitalícia para quem sofre da condição; entenda
Fonte: oglobo.globo.com | Data: 29/04/2026 11:59:08
Texto, que estabelece pagamento de um salário mínimo, segue para votação no Senado Federal
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2024/x/R/UAlCfBREaSsNBs1i1IXA/captura-de-tela-inteira-17122024-154611.jpg)
RESUMO
Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você
GERADO EM: 29/04/2026 – 11:43
Câmara aprova pensão vitalícia para pacientes com doença rara
A Câmara dos Deputados aprovou a “lei do menino Gui”, que concede pensão vitalícia de um salário mínimo para pacientes com epidermólise bolhosa sem meios de sustento próprio ou familiar. A doença genética rara, que provoca bolhas na pele, afeta cerca de 500 mil pessoas no mundo. O projeto, que inclui assistência médica e social, segue para o Senado.
CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO
A Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira, um projeto de lei conhecido como ‘lei do menino Gui’ que concede pensão especial vitalícia de um salário mínimo para pacientes com epidermólise bolhosa que não tiverem meios de se manter por conta própria ou por sua família. A proposta segue para votação no Senado Federal.
Segundo informações do Ministério da Saúde, a epidermólise bolhosa é uma doença genética e hereditária rara caracterizada pela alteração nas proteínas responsáveis pela união das camadas da pele. O diagnóstico leva à formação de bolhas na pele por conta de mínimos atritos ou traumas, e se manifesta já no nascimento.
Estima-se que cerca de 500 mil pessoas em todo o mundo tenham a doença. A epidermólise bolhosa não tem cura e não é transmissível de pessoa para pessoa. O tratamento busca evitar as complicações do quadro, permitindo uma melhor qualidade de vida para os pacientes.
O diagnóstico ficou conhecido com a história de Guilherme Gandra Moura, o “menino Gui”. Hoje com 11 anos, ele viralizou em 2023 com um vídeo em que reencontra a mãe no hospital após 16 dias em coma induzido devido à doença. Famoso torcedor do Vasco, o “menino Gui” foi eleito “melhor torcedor do mundo” pela Fifa em 2024.
Sua história já havia motivado, em 2023, a sanção de uma lei estadual no Rio de Janeiro que instituiu o Programa de Assistência Especializada na rede pública de saúde do estado e também permitiu a concessão de pensões especiais aos pacientes.
Agora, o projeto de lei aprovado na Câmara estende essa possibilidade para âmbito nacional. Segundo o texto, quando a pessoa beneficiária for menor de idade ou incapaz, a pensão especial será paga ao seu representante legal, em seu nome e benefício. A estimativa é que cerca de 1,5 mil pacientes no país possam se beneficiar.
As regras estabelecem que a pensão especial não poderá ser acumulada com benefícios previdenciários, assistenciais ou indenizações pagas pela União em razão dos mesmos fatos, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), garantido o direito de opção pelo benefício maior.
A pensão também não gera direito a abono anual ou pensão por morte, nem é transmissível a herdeiros ou dependentes. O requerimento deverá ser realizado no Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) e dependerá de avaliação médica e avaliação social. O dinheiro sairá do orçamento para indenizações e pensões especiais pagas pela União.
Além disso, o projeto de lei garante aos pacientes acesso a consultas e exames complementares, inclusive testes necessários ao diagnóstico precoce na rede pública. Também estabelece acesso a tratamento integral e multidisciplinar iniciado imediatamente após o diagnóstico, de acordo com os protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas do Ministério da Saúde.
— Esse é um passo fundamental para garantir dignidade e qualidade de vida às pessoas que convivem com a epidermólise bolhosa. Estamos falando de uma doença rara, que exige cuidados permanentes e impõe um alto custo às famílias. O Estado precisa estar presente — afirma Marcelo Queiroz (PSDB-RJ), um dos autores do projeto.
Se houver impossibilidade de deslocamento do paciente às unidades de saúde ou se indicado pelos profissionais de saúde que o acompanham, o atendimento domiciliar deverá ser fornecido.
Outros direitos contemplados pelo projeto de lei, que ainda precisa ser aprovado no Senado e sancionado pelo presidente, são o acompanhamento em saúde mental para o paciente e sua família, quando necessário; acompanhamento genético, quando indicado; e não discriminação por causa dessa condição de saúde.
O texto também determina que o poder público promova campanhas educativas e de conscientização sobre a doença, com o objetivo de ampliar a informação, reduzir o preconceito e favorecer o diagnóstico precoce.
Mais recente
Próxima
Estresse do racismo pode explicar por que mulheres negras têm 3 vezes mais risco de morrer no parto, diz estudo de Cambridge
Bem de Saúde
Novidades para você ficar bem de corpo e alma. Às quintas.