BIFF 2026 abre as portas do Cine Brasília para o cinema do mundo com entrada gratuita
Fonte: jornaldebrasilia.com.br | Data: 29/04/2026 11:37:41
O Cine Brasília volta a ser, a partir desta quarta-feira (29), palco de encontros improváveis: um filme francês sobre Frantz Fanon divide programação com uma obra brasiliense dos anos 2000, enquanto diretores estreantes disputam atenção ao lado de nomes que já passaram por Cannes e Berlim. Tudo isso de graça. Assim começa a 9ª edição do Brasília International Film Festival, o BIFF 2026, que segue até domingo (3) com uma seleção construída a partir de mais de 800 inscrições vindas de diferentes países.
A noite de abertura, às 19h, coloca em cartaz dois filmes. O primeiro é Fanon (2026), cinebiografia dirigida pelo realizador martinicano Jean-Claude Barny sobre o pensador e revolucionário Frantz Fanon. O segundo é Momento Trágico (2003), da cineasta brasiliense Cibele Amaral, homenageada desta edição, obra que há mais de 20 anos conquistou quatro Kikitos no Festival de Gramado e cinco Candangos no Festival de Brasília.
A diretora geral do festival, Anna Karina de Carvalho, explica que a gratuidade não é novidade nem improviso. “Até hoje o BIFF sempre foi com sessões gratuitas. Mesmo sem patrocínio, com 20% de um orçamento mínimo pela Lei Rouanet, a gente decidiu abrir as portas do Cine Brasília como um espaço democrático. Não é o ingresso que vai fazer o BIFF acontecer ou não, e sim o diálogo, a presença, é Brasília estar participando”, disse ao Jornal de Brasília.
Para ela, o cinema ocupa uma função que vai além do entretenimento. “A cultura é o alimento da alma. É um grande Fome Zero que a gente tem que ter toda hora, sobretudo para os jovens que ficam horas na frente de tela escolhendo filmes no streaming. O cinema tem esse momento de encontro, ainda mais em uma cidade como Brasília, que não tem ruas e esquinas naturalmente”, afirma Anna Karina.
Na mostra competitiva, o festival equilibra produções nacionais e internacionais. Entre os títulos brasileiros estão Revoada, Versão Steampunk, de Ducca Rios, Veias Abertas, de Fernando Mamari, e Hungria, A Escolha de Um Sonho, de Cristiano Vieira e Izaque Cavalcante. No campo internacional, Alpha, da diretora Julia Ducournau, premiada em Cannes, e A Sombra do Meu Pai, de Akinola Davies Jr., compõem uma seleção que reflete o DNA do BIFF: cineastas de até o terceiro filme.
“Os festivais como Cannes e Berlim têm sessões parecidas com o BIFF. São mostras que também procuram diretores de até terceiro filme. Isso está muito em consonância com o festival e todo ano, a cada edição, a gente tem uma nova safra”, explica a diretora geral.
A edição também amplia seu olhar para a produção feita por mulheres. O festival presta homenagem à cineasta Cibele Amaral e firma parceria com a Mostra de Cinema Negro Adélia Sampaio, dedicada à primeira mulher negra a dirigir um longa-metragem no Brasil, nos anos 1980. “Adélia era uma pessoa que trabalhava com o Cinema Novo, era diretora de produção, levantava os filmes, sempre na sombra dos homens. Conhecer o nome dela nos anos 1980 já é uma conquista”, destaca Anna Karina. O BIFF Junior, voltado ao público infantojuvenil, completa a programação com a proposta de formar plateia desde cedo.
Para a diretora geral, o futuro do festival passa por políticas públicas mais atentas ao setor. “O que falta é voltar a ocupar toda a Grande Brasília, trazer os diretores, ter editais, ter verba. Sem festivais de cinema os filmes não têm janela, a gente não forma público, não faz capacitação, não torna Brasília um destino turístico e Brasília não se vê mais, não se encontra mais”, aponta. “A gente não está falando só de cinema. Está falando de turismo, de capacitação, de profissões. O audiovisual é o terceiro maior PIB do Brasil”, reforça Anna Karina de Carvalho.
Programação:
29/04 – ABERTURA
18h – Coquetel de Abertura
20h – Momento Trágico, de Cibele Amaral (Brasil) 17min Classificação A16
Sinopse: Santana está literalmente ferrado! Um quarentão desempregado, que mora na casa da mãe e vive sem dinheiro, até que um acidente de trânsito chega para resolver esses problemas. O amigo Júlio, recém separado de Emília, desconfia que a mulher o deixou porque tem outro. Ele quer que Santana se infiltre no grupo de terapia dela para espionar e descobrir quem é o cara! Santana vai descobrir que na verdade, ele é que precisa de terapia.
Fanon, de Jean-Claude Barny (França) 133min Classificação A16
Sinopse: Baseado na história real de Frantz Fanon, o pensador que ousou enfrentar o sistema colonial francês. Em plena Guerra da Argélia, sua trajetória redefiniu não só a psiquiatria e a luta anticolonial, mas a própria ideia de liberdade. Um filme pulsante sobre coragem, ruptura e o homem cujas ideias moldaram o pensamento que continua ecoando no Brasil e no mundo.
30/04
17h – O Segundo Diário de Paulina P., de Neven Hitrec (Croácia, Sérvia, Eslovênia) 78min Classificação AL BIFF JR
Sinopse: Já faz um tempo desde o último filme sobre Paulina P. e nossa heroína já tem onze anos! Embora os adultos continuem dizendo que esta é a “melhor fase da vida dela”, para Paulina, não parece nada com isso. Na quinta série, ela terá que enfrentar o professor Mirković, um professor de geografia rigoroso e indomável, além de Marta, da turma 5D, a primeira valentona de Paulina. Como se isso não bastasse, ela logo descobrirá que sua querida avó Ljerka sofre de uma doença incomum e incurável. Lutando contra os problemas que a vida traz, Paulina usará mais uma vez sua arma mais forte, charme e imaginação fértil, mas também aprenderá uma lição valiosa: que a vida não se resume apenas a vencer!
19h – Revoada – Versão Steam Punk, de Ducca Rios (Brasil) 81 min Classificação A16 Competitiva
Sinopse: “Revoada – Versão Steampunk” acontece numa região semi-desértica do Nordeste Brasileiro a partir da invasão pelas tropas do governo, a famigerada “Volante”, ao acampamento dos destemidos cangaceiros liderados pelo temido Capitão, ocasião em que os soldados comandados pelo vilão Espingarda matam o grande líder e sua companheira Maria. Na margem do rio oposta ao acampamento está o subgrupo liderado pelo respeitado cangaceiro Lua Nova que acompanha de longe o massacre e desde então jura vingar-se, enquanto também torna-se alvo da violenta Volante.
21h – Alpha, de Julia Ducournau (França) 128 min Classificação A16
Competitiva
Sinopse: Alpha, uma adolescente de 13 anos em crise, vive com sua mãe solteira. A realidade delas toma contornos assustadores no dia em que Alpha aparece em casa com uma tatuagem no braço, em meio a uma epidemia de vírus mortal que se espalha petrificando as pessoas. Em competição no Festival de Cannes 2025.
01/05
13h – Vasta Natureza de Minha Mãe, de Inez dos Santos e Thoti 79 min Classificação A16 Mostra Adélia Sampaio
Sinopse: Mãe e filho descobrem juntos como filmar a vida dentro de casa. A trajetória de Inez é percorrida em diferentes tempos, enquanto Aristótelis registra o cotidiano, reinventando e capturando a natureza de sua mãe. A câmera se torna um elo entre o tempo e espaço. Permitindo aos dois a possibilidade de continuar sonhando.
15h – Salum, de TM Malones (Filipinas) 77min Classificação AL BIFF JR
Sinopse: Um casal de pai e filha (ambos excepcionais mergulhadores de vieiras) vendeu um molusco que supostamente continha uma pérola no valor de milhões. Cego por seu desejo insaciável de encontrar outra joia do mesmo valor, o pai toma decisões impensadas comprometendo a única coisa pela qual vale a pena segurar a respiração: sua filha.
17h – Que Horas Ela Volta?, de Anna Muylaert 110 min Classificação A12 Gullane
Sinopse: A pernambucana Val (Regina Casé) se mudou para São Paulo a fim de dar melhores condições de vida para sua filha Jéssica. Com muito receio, ela deixou a menina no interior de Pernambuco para ser babá de Fabinho, morando integralmente na casa de seus patrões. Treze anos depois, quando o menino (Michel Joelsas) vai prestar vestibular, Jéssica (Camila Márdila) lhe telefona, pedindo ajuda para ir à São Paulo, no intuito de prestar a mesma prova. Os chefes de Val recebem a menina de braços abertos, só que quando ela deixa de seguir certo protocolo, circulando livremente, como não deveria, a situação se complica.
19h – Hungria, A Escolha de Um Sonho, de Cristiano Vieira, Izaque Cavalcante (Brasil) Classificação A16 Competitiva
Sinopse: Gustavo da Hungria desafia as regras do rap ao seguir um estilo próprio. Entre críticas, pressão e dificuldades, ele encontra na música a chance de gravar sua primeira demo e reescrever sua história.
21h – The Theft – O Roubo, de Aisha Jamal (Canadá) 85min Classificação A16 Competitiva
Sinopse: The Theft – O Roubo é um documentário de longa-metragem que explora a complexa relação entre museus e conflitos. Tendo como pano de fundo o Afeganistão — um país cuja rica história cultural foi repetidamente marcada por guerras e convulsões políticas —, o filme acompanha a trajetória de um conjunto de painéis de mármore do século XII, saqueados ao longo das décadas de seu local de origem em Ghazni, Afeganistão. Muitos desses artefatos agora estão em importantes museus ao redor do mundo. Sua história se torna uma lente através da qual o filme levanta questões urgentes: Por que os artefatos importam? O que se perde quando os objetos são removidos das culturas que lhes conferiram significado? Esses painéis deveriam ser devolvidos ao Afeganistão, apesar do histórico de destruição do atual regime talibã? Ao entrelaçar as vozes de curadores, atores sociais, especialistas e artistas de diferentes continentes, “O Roubo” promove um diálogo urgente e contemporâneo sobre como o museu pós-colonial poderia ser.
02/05
13h – Mansos, de Juliana Segóvia 20min
Sinopse: Benedita é uma jovem que cresceu com uma marca em seu passado: o assassinato de sua mãe, Tereza. Benedita, agora liderança, fará valer a luta de sua mãe em uma busca incessante por vingança.
Me Farei Ouvir, de Bianca Novais, Flora Egécia 30min Classificação A16 Mostra Adélia Sampaio
Sinopse: Investigação acerca da sub-representação feminina na política brasileira a partir do cruzamento entre narrativas e percursos de mulheres com inspiração política, que conquistaram espaços ecoando suas vozes.
15h – Doval: O Gringo Mais Carioca do Futebol, de Federico Bardini, Sérgio Rossini (Brasil) 82min Classificação A14 Sessão Especial
Sinopse: Doval: O Gringo Mais Carioca do Futebol é um documentário sobre a vida e carreira do argentino Narciso Horácio Doval, jogador de futebol que se tornou célebre no Rio de Janeiro por um feito inédito: ser ídolo de ambas as torcidas rivais, Flamengo e Fluminense. Algo que também se repetiu em seu país natal quando atuou nos clubes San Lorenzo e Huracan. Doval se tornou uma figura reverenciada no Rio de Janeiro, fazendo sucesso não apenas no futebol, mas também na vida social da cidade, o que, inclusive, o permitiu ser diplomado como cidadão honorário em 1973. Uma referência do esporte, Doval: O Gringo Mais Carioca do Futebol é uma homenagem ao sucesso dentro e fora dos campos.
17h – Arca de Noé, de Sérgio Machado e Alois Di Leo (Brasil) 101min Classificação AL BIFF JR
Sinopse: Tom, um guitarrista talentoso e pragmático, e Vini, um poeta romântico e sonhador, são uma dupla carismática e caótica de ratos. Quando o grande dilúvio se aproxima, apenas ummacho e uma fêmea de cada espécie são permitidos na Arca de Noé. Tom consegue entrar, mas Vini fica para fora e conta com a ajuda de uma barata engenhosa e a boa sorte do destino para se juntar ao amigo. Durante a viagem, brigas por território e alimentos se instauram, deixando os animais mais fortes contra os mais fracos. Surge a ideia de um concurso de música, que vira o maior objetivo de todos eles e que faz Tom e Vini, os verdadeiros músicos dali, se destacarem e serem requisitados.
19h A Sombra do Meu Pai, de Akinola Davies Jr (Nigéria) 93min Classificação A16 Competitiva
Sinopse: O filme nigeriano A Sombra do Meu Pai acompanha a vida de Remi e Akin, irmãos que vivem separados do pai desde a crise eleitoral de 1993. Com a oportunidade de viverem ao lado do pai por um dia, os meninos viajam até Lagos, mas testemunham a dura realidade encontrada pelo genitor deles. Cada vez mais perigoso, Folarin (Sope Dirisu) precisa correr para fugir dos conflitos políticos e levar seus filhos para casa outra vez.
21h – Veias Abertas, de Fernando Mamari (Brasil) 75min Classificação A16 Competitiva
Sinopse: Makua, um líder tribal africano, é trazido como escravo para trabalhar nas fazendas de café do Brasil. Com o estalar da Guerra do Paraguai (1864 – 1870), Makua é enviado como Voluntário da Pátria para lutar no confronto em troca de sua liberdade. Na travessia conhece o inescrupuloso Capitão Vesânia e o indígena guarani Perurã. Juntos vivenciam os terrores da guerra no maior confronto armado da história da América do Sul. Ao final de uma sangrenta batalha, um grupo de voluntários foge assassinado um oficial e se apoderando de algumas armas. O pelotão de Capitão Vesania é enviado para capturar os desertores e Makua terá que enfrentar seu passado em troca de sua liberdade.
03/05
13h – Por que você não chora?, de Cibele Amaral 104min Classificação A16 Homenagem Cibele Amaral
Sinopse: Provocador e feminino, o filme “Por que você não chora?” explora a delicada linha entre a vontade de viver e de morrer. Jéssica, uma jovem séria vinda do interior, começa a estagiar como estudante de psicologia e atende Bárbara, uma paciente com Transtorno de Personalidade Borderline. Enquanto Bárbara encontra limites e reconstrói sua vida, Jéssica entra em crise e confronta o próprio vazio existencial. O filme mergulha nas complexidades da saúde mental e do suicídio, revelando o impacto transformador do encontro entre duas mulheres tão distintas.
15h – O Socorro Não Virá, de Cibele Amaral (Brasil) 102 min Classificação A16 Homenagem Cibele Amaral
Sinopse: Já pensou num futuro em que ninguém precisa comer, ninguém tem depressão e os mundos físico e virtual se misturam completamente? Arthur só pensa nisso! Tanto que resolveu chamar sua melhor amiga, Miriam, para fazer esse filme de ficção científica. Enquanto na vida real os dois se descabelam para realizar esse sonho, na história da ficção científica, o protagonista Platane é perseguido pelo misterioso Dr. Schermann que deseja sabotar sua missão.
17h – Encruzilhada Sonora, de Márcia Viviane Witczak, Vini Spindola (Brasil) Classificação AL 61 min Sessão Especial
Sinopse: Encruzilhada Sonora acompanha onze artistas independentes da periferia de Brasília, revelando dor, conquistas e resistência por meio de uma experiência coletiva imersiva. Dirigido por Márcia Witczak e Vini Spíndola, o filme explora a interseccionalidade, a economia criativa e o trabalho artístico através de depoimentos íntimos e performances musicais, culminando em um concerto histórico no Teatro Nacional.
18h – O Ano Que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburguer (Brasil) 107 min Classificação A10 Gullane
Sinopse: Em 1970, o Brasil e o mundo parecem estar de cabeça para baixo, mas a maior preocupação na vida de Mauro, um garoto de 12 anos, tem pouco a ver com a ditadura militar que impera no País, seu maior sonho é ver o Brasil tricampeão mundial de futebol. De repente, ele é separado dos pais e obrigado a se adaptar a uma “estranha” e divertida comunidade – o Bom Retiro, bairro de São Paulo, que abriga judeus, italianos, entre outras culturas. Uma história emocionante de superação e solidariedade.
20h – Cerimônia de Premiação