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Dono de provedor nega aliança com CV em Caucaia e se diz vítima de extorsão

Fonte: opovo.com.br | Data: 29/04/2026 17:07

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Francisco Ítalo é acusado de fazer uma aliança com CV para estabelecer um monopólio em Caucaia
Francisco Ítalo é acusado de fazer uma aliança com CV para estabelecer um monopólio em Caucaia


Resumo

O empresário Francisco Ítalo foi denunciado por suposta aliança com o Comando Vermelho para dominar o serviço de internet em bairros de Caucaia.
Em sua defesa, o acusado afirma ser vítima de extorsão, pagando até R$ 23 mil mensais à facção para poder trabalhar e proteger sua família.
A investigação aponta que a empresa do denunciado (Framnet) se beneficiava da destruição de cabos de concorrentes e da coação de clientes por criminosos armados.
A defesa de Ítalo tenta a soltura alegando bons antecedentes e uma grave doença cardíaca.
O Ministério Público requer o pagamento de R$ 25 mil por danos morais coletivos devido aos prejuízos causados à comunidade local.

O dono de um provedor de internet acusado de fazer uma aliança com a facção criminosa Comando Vermelho (CV) para estabelecer um monopólio em bairros de Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), negou, em depoimento, ter vínculo com o grupo criminoso.

Francisco Italo Bezerra Lima, de 37 anos, afirma ter sido extorquido pela facção, sendo obrigado a pagar mensalmente taxas que variavam entre R$ 10 mil a R$ 23 mil para que a empresa pudesse continuar operando nos bairro Parque das Nações e São Miguel.

Nessa terça-feira, 28, o Ministério Público do Ceará (MPCE) denunciou Francisco Ítalo. A acusação, à qual O POVO teve acesso, aponta que ele aderiu e apoiou a facção criminosa.

Segundo as investigações da Polícia Civil do Ceará (PC-CE), a empresa na qual o denunciado era gestor operacional dava suporte aos membros do CV. Os investigadores constataram que concorrentes da “Framnet” tiveram aparelhos danificados e seus funcionários foram ameaçados

Um vídeo chegou a ser gravado registrando as intimidações. A Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) também obteve relatos de que também os consumidores estavam sendo pressionados a contratar a Framnet ou, então, a uma outra empresa “autorizada” pelo CV, identificada como CVNet.

 

Francisco Ítalo foi preso preso no dia 20 de abril ao desembarcar no Aeroporto Internacional Pinto Martins. Em depoimento, o denunciado disse que passou a ser coagido pela facção em março do ano passado.

Ainda segundo a oitiva do acusado, o valor pago à facção visava, principalmente, garantir a própria proteção e da sua família. Ele afirma que os seus pais não têm envolvimento com o crime organizado e que tomou a frente das negociações com o CV para protegê-los.

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Ítalo também negou ter ordenado a destruição de equipamentos concorrentes ou que seus técnicos tenham ensinado criminosos a danificar caixas ópticas e cabos.

Diante do caso, o MPCE requer que Francisco Ítalo seja condenado ao pagamento de, no mínimo, R$ 25 mil a título de danos morais coletivos devido à violação do patrimônio valorativo da comunidade. 

Justiça nega soltura de acusado

A Justiça ainda não decidiu se a denúncia será aceita ou não. Enquanto isso, Francisco Ítalo continua preso preventivamente. A defesa dele já impetrou habeas corpus solicitando a sua soltura, pedido que foi negado em caráter liminar. 

No requerimento, o advogado Alfredo Leopoldo Furtado Pearce Filho afirmou estarem ausentes os requisitos previstos para a prisão preventiva. Além de ter condições pessoais favoráveis — réu primário, bons antecedentes, residência fixa e atividade laboral lícita — Francisco Ítalo sofre de uma grave doença cardíaca, citou a defesa. (Colaborou Lucas Barbosa)



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