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Indústria nacional de pneus fecha primeiro trimestre com retração de 7% nas vendas

Fonte: portaldaautopeca.com.br | Data: 29/04/2026 17:36:55

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A indústria brasileira de pneus, que reúne os maiores fabricantes do globais do setor, fechou o primeiro trimestre de 2026 com retração de 7% nas vendas no mercado doméstico, pressionada pela massiva entrada no país de produtos importados, muitas vezes com práticas de dumping e sem cumprir metas ambientais previstas na legislação, conforme apontamentos do próprio Governo. No total, foram comercializadas 8,7 milhões de unidades no 1º tri deste ano contra 9,4 milhões no ano mesmo período do ano anterior, totalizando 700 mil pneus a menos no intervalo. Os dados são da ANIP (Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos).

Com o desempenho, a participação dos pneus nacionais no mercado de reposição ficou em 31% contra 69% dos importados. Em 2019, esta proporção era inversa e o fabricantes nacionais detinham 69% de participação. “A falta de condições isonômicas de concorrência está colocando em risco todo o ecossistema de produção de pneus no Brasil, o que pode levar o país a uma situação de dependência do mercado internacional, com perda de soberania neste estratégico setor”, diz Rodrigo Navarro, presidente da ANIP. “Somos um país de modal predominantemente rodoviário. Pneu é insumo estratégico e medidas precisam ser tomadas para defender a indústria e fornecedores no país”, aponta o executivo.

De acordo com o relatório da ANIP, as vendas de pneus de passeio encolheram 6,8% no período analisado. Os pneus de carga recuaram 7,9%. O segmento de motocicletas apresentou estabilidade. As vendas do mercado de reposição puxaram as quedas, com retração de 8,2%. As vendas para montadoras encolheram 4,6%.

Dando continuidade ao trabalho para mudar este quadro, a ANIP ingressou no MDIC (Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio) com pedido de ajuste da alíquota de importação de pneus de passeio de 25% para 35%, a exemplo do que fizeram México e União Europeia, dentre outros mercados, que elevaram barreiras tarifárias para estimular e dar preferência à suas indústrias locais.

A entidade também tem atuado em conjunto com todo o ecossistema de fornecedores da cadeia de produção (borracha, químicos, aço, têxteis) e com outros setores da indústria com desafios similares visando buscar soluções para a entrada indiscriminada de importados no país. “Em março, lançamos um Manifesto pela indústria nacional que já conta com o apoio de mais de 40 organizações e entidades. Muitos setores estão enfrentando o mesmo problema. Nossa causa é evitar a desindustrialização do país, a perda de investimentos e a eliminação de postos de trabalho” diz Navarro.

No documento, a ANIP e demais apoiadores propões medidas urgentes ao Governo Federal, com destaque para:

1. Controle de entrada: estabelecimento de Licenciamentos Não Automáticos (LNAs) com base em valores internacionalmente praticados; em análise documental detalhada (antifraude); e de comprovação de cumprimento de metas ambientais já estabelecidas; além destas, possíveis medidas de salvaguarda cabíveis, conforme determinado pelo Governo.

2. Proteção imediata: celeridade na análise e adoção de direito provisório nas investigações antidumping em curso.

3. Compras públicas sustentáveis: estímulo nas compras governamentais e em linhas de financiamento para pneus com conteúdo local significativo, que efetivamente cumpram com a legislação ambiental, e comprovado atendimento às conformidades técnicas vigentes.

4. Isonomia tarifária: adoção pelo Brasil de medidas tarifárias alinhadas com aquelas praticadas por outros países com base industrial forte.

5. Fomento à matéria-prima local: implementação da Política de Estímulo à Produção da Borracha no Brasil, atualmente em fase final de elaboração por parte do Governo Federal.

“Com a adoção destas medidas será possível estabelecer bases mais justas de competição, trazendo maior equilíbrio e impedindo a destruição do ecossistema produtivo de pneus no Brasil”, diz Navarro.

Veja aqui a íntegra do manifesto: LINK

Sobre a ANIP
Fundada em 1960, a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP) representa a indústria de pneus e câmaras de ar instalada no Brasil, que compreende 11 empresas (Bridgestone, Continental, Dunlop, Goodyear, Maggion, Michelin, Pirelli, Prometeon, Rinaldi, Titan e Tortuga) e 19 fábricas instaladas no Brasil, em 7 estados. O setor emprega diretamente 35 mil pessoas e mais de 500 mil de forma indireta.

A ANIP trabalha na gestão da coleta e destinação de pneus inservíveis desde 1999 e criou, em 2007, a Reciclanip, entidade voltada exclusivamente para a realização deste trabalho no país. A Reciclanip é uma referência em logística reversa, sendo a maior da América Latina e a 3ª maior do mundo no setor de pneus.

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