Marinhas de Brasil e França realizam exercício na costa do Rio
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br | Data: 29/04/2026 18:12:55
Cerca de 1,7 mil militares da Marinha do Brasil, da Marinha Nacional da França e da 9ª Brigada do Exército Francês participaram de um exercício na Ilha da Marambaia, na Costa Verde do Rio de Janeiro. A ação contou com o apoio de submarinos, veículos aquáticos, aéreos e terrestres, além do porta-helicópteros francês Dixmude, que trouxe os equipamentos e os militares envolvidos. A mobilização faz parte da Operação Jeanne d’Arc 2026, realizada entre os dias 23 e 28 de abril.

Nossa equipe acompanhou os últimos dias da missão no Rio de Janeiro, na segunda (27) e na terça-feira (28). A presença da França reflete interesses diretos na região, especialmente a Guiana Francesa, além de reforçar a posição do Brasil como principal ator naval do Atlântico Sul.
Atividades
Na segunda, embarcamos no navio Dixmude, que estava atracado no cais do porto no Rio de Janeiro. No primeiro dia a bordo, acompanhamos o deslocamento da embarcação até Itacuruçá, distrito de Mangaratiba, também na Costa Verde fluminense, além dos preparativos para o adestramento anfíbio, ocorrido na terça, na Ilha de Marambaia, situada na região.
Na terça-feira, foram feitos exercícios anfíbios combinados. O ponto mais importante foi a transição do ambiente marítimo para o terrestre. As atividades contaram com exercícios de tiro prático, progressão em campo minado simulado e primeiros socorros.
O comandante do 2º Batalhão de Infantaria de Fuzileiros Navais da Marinha Brasileira, Luiz Felipe de Almeida Rodrigues, avalia a importância da missão envolvendo os dois países:
“Uma possibilidade de intercâmbio incrível, onde são trocadas boas práticas, técnicas, táticas e procedimentos. E acho que é um crescimento de todos nós, utilizando, por exemplo, o carro lagarta anfíbio, uma capacidade de um veículo blindado que sai do navio para a terra, que o francês não dispõe ainda hoje. Em contrapartida, utilizar os meios deles, com as embarcações desembarque e com seus carros blindados. Uma oportunidade fantástica de estar realizando esse intercâmbio e essa troca de conhecimento.”
O comandante pondera que a missão conjunta com a França permite antecipar saberes estratégicos para as forças brasileiras:
“A Marinha, recentemente, adquiriu mais um navio anfíbio. Então, a oportunidade de estar operando, com o nosso navio, o porta-helicópteros Dixmude cresce de importância para que a gente já ganhe esse know-how para a utilização de navios anfíbios, capazes de projetar meios a partir do seu convés doca, que alaga e pode lançar embarcações, através de conveses de voo, onde utilizamos com aeronaves. Então, a oportunidade de estar operando com o Dixmude também mantém as técnicas, táticas e procedimentos que serão utilizados com a chegada do novo navio anfíbio.”
Navio francês Dixmude
O navio francês Dixmude pode transportar até 650 soldados, 16 helicópteros, 110 veículos blindados e 13 tanques. Outros números impressionam: ele possui quase 200 metros de comprimento e mais de nove mil metros quadrados, distribuídos em 12 andares. Também conta com hospital, capela, restaurante, academia e estruturas hoteleiras.
O comandante do grupo tarefa francês, Jocelyn Delrieu, destaca algumas das funcionalidades da embarcação:
“O porta-helicópteros anfíbio Dixmude é uma das grandes embarcações do comando naval francês e é um navio bastante versátil. Por um lado, é um navio de assalto anfíbio capaz de projetar forças do mar para a terra usando seus veículos anfíbios, mas também de fazê-lo por helicóptero. É também um navio-hospital, com recursos que ficam à disposição das Forças Armadas. Essa versatilidade é extremamente valiosa em todas as situações de operações, pois a gama de missões que um navio com essas capacidades pode desempenhar é muito ampla.”
O comandante Delrieu ressalta que a missão marca um legado de vários séculos da Marinha francesa:
“Esta missão do Jeanne d’Arc 2026 tem um significado especial, pois é uma missão que festeja os 400 anos da Marinha francesa. Há 400 anos, a Marinha francesa está presente em todos os oceanos para proteger nossos interesses e trabalhar com nossos parceiros e aliados. Esta missão, que acontece aqui no Brasil e ao redor do mundo durante cinco meses, é um exemplo da longa história marítima da Marinha francesa. Uma marinha que se adapta, uma marinha na qual estamos nos preparando para o futuro, tendo a bordo os jovens oficiais que estão concluindo sua formação.”
Ao todo, a missão marítima francesa durará cinco meses, passando por diversos países.