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Setor privado vê espaço para refinar lítio e terras raras no Brasil

Fonte: cnnbrasil.com.br | Data: 29/04/2026 20:15:49

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A AMC (Associação de Minerais Críticos) vê espaço para a construção de refinarias de lítio e terras raras em território nacional, em um movimento para ampliar a participação do Brasil nas etapas mais avançadas da cadeia mineral.

A avaliação foi feita por Marisa Cesar, Presidente do Conselho da AMC e diretora de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade da PLS, em entrevista ao Mapa da Mina, programa semanal da CNN Brasil que discute os rumos da indústria da mineração.

O refino é uma das etapas finais da indústria mineral. No caso do lítio, é nessa fase que o minério deixa de ser apenas um concentrado e passa a ser transformado em compostos químicos de alta pureza, como carbonato ou hidróxido de lítio. Esses insumos são utilizados por outras indústrias, especialmente na fabricação de baterias.

Em terras raras, a lógica é semelhante. Depois da mineração e da concentração, o material precisa passar por processamento químico e separação para chegar a óxidos individuais, como neodímio, praseodímio, térbio e disprósio. Esses elementos são usados em cadeias industriais de maior valor agregado, como ímãs permanentes, motores elétricos, turbinas e equipamentos de alta tecnologia.

Na avaliação de Marisa, a instalação dessas capacidades avançadas no Brasil depende de fatores que vão além da vontade das empresas.

A executiva afirmou que o país precisa criar condições mais competitivas para disputar investimentos com outros mercados que já oferecem incentivos fiscais, financiamento de longo prazo e políticas públicas voltadas à industrialização mineral.

“O Brasil precisa ter alguns benefícios mais estruturados e melhoras para que possa ter esse incentivo para as empresas entenderem o ganho de estar estabelecidas as plantas de refino no país. Isso passa por benefícios fiscais, desoneração, tempo de financiamento”, disse.

A CBL (Companhia Brasileira de Lítio), por exemplo, já opera no país uma refinaria capaz de produzir compostos de lítio com grau de pureza de até 99,5%, padrão conhecido como battery grade, utilizado na fabricação de baterias.

O caso é visto no setor como uma demonstração de que o Brasil já tem capacidade técnica para avançar além da extração e da concentração mineral.

Nessa etapa, o produto se aproxima do fim da cadeia mineral em si e passa a atender diretamente outras cadeias industriais, como a de baterias, veículos elétricos, energia renovável e equipamentos tecnológicos.

Nos bastidores da mineração, uma das ideias em discussão é a construção de uma refinaria de lítio no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, e de uma unidade voltada a terras raras na região de Poços de Caldas, também em Minas.

As duas regiões concentram alguns dos principais projetos desses minerais no país.

O Vale do Jequitinhonha se consolidou como o principal polo brasileiro de lítio, com projetos em diferentes estágios de desenvolvimento. Já a região de Poços de Caldas é considerada estratégica para terras raras, por reunir projetos relevantes e histórico de atividade mineral associada a esses elementos.

Um dos modelos considerados pelo setor envolve financiamento misto, com participação de empresas, bancos públicos, como o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), e governos estrangeiros interessados em reduzir a dependência de cadeias concentradas na China.

A ideia é que essas estruturas possam diminuir o risco dos projetos, garantir capital de longo prazo e criar escala para que o Brasil avance em etapas mais sofisticadas da cadeia.

O tema também aparece em meio às discussões sobre a política nacional de minerais críticos, que deve prever mecanismos de incentivo, financiamento e agregação de valor no país.

“Empresas de lítio no Vale do Jequitinhonha estão, sim, com esse desejo de trazerem plantas de refino ao país. Em terras raras acontece o mesmo”, afirmou Marisa.