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Copom pode repetir corte de 0,25 ponto percentual na reunião de junho, avalia economista do Santander

Fonte: oglobo.globo.com | Data: 30/04/2026 15:13:19

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O Banco Central vinha monitorando o Master desde o primeiro semestre de 2024, levantando uma série de problemas na instituição de Daniel Vorcaro
O Banco Central vinha monitorando o Master desde o primeiro semestre de 2024, levantando uma série de problemas na instituição de Daniel Vorcaro — Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

RESUMO

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GERADO EM: 30/04/2026 – 14:59

Economista do Santander prevê novo corte na taxa de juros em junho

O economista do Santander, Marco Antonio Caruso, avalia que o Banco Central pode repetir o corte de 0,25 ponto percentual na taxa de juros na reunião de junho, conforme indicado “implicitamente” no comunicado do Copom. A guerra no Oriente Médio trouxe incertezas econômicas, elevando a projeção de inflação de 3% para 5%, mas a expectativa é que a Selic termine o ano em 12,5%. Choques externos e riscos inflacionários, como o preço do petróleo e fenômenos como o El Niño, podem influenciar futuras decisões.

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No comunicado do Banco Central sobre a decisão que reduziu os juros na quarta-feira, Marco Antonio Caruso, economista do Santander, considera que o Copom “implicitamente” indicou que o cenário-base para a reunião de junho é mais um corte de 0,25 ponto percentual, ganhando assim mais tempo para avaliar o cenário de incerteza na economia por conta da guerra no Oriente Médio.

Caruso explica que, antes do conflito, o banco projetava uma inflação de 3% e, atualmente, trabalha com um percentual próximo de 5%. Mesmo assim, ainda não alterou a expectativa de que a taxa de juros, hoje em 14,50%, termine o ano em 12,5%, ressaltando que choques externos persistentes ou uma deterioração adicional das expectativas podem levar o Copom a adotar um ciclo ainda mais tímido.

Marco Caruso, economista do Santander — Foto: divulgação
Marco Caruso, economista do Santander — Foto: divulgação

Leia a entrevista:

1) O Copom reduziu os juros em 0,25pp como esperado. O que chamou atenção no comunicado? O que esperar para as próximas reuniões?

A decisão veio dentro do esperado, mas o que chamou atenção foi o tom mais cauteloso do comunicado. O Copom reconheceu efeitos secundários do choque do petróleo nas expectativas de inflação longa, assim como atividade mais forte no primeiro trimestre de 2026.

Ao chamar a atenção para a revisão da “extensão”, o Comtê reduz importância relativa do “ritmo” do corte, sugerindo implicitamente que mais uma redução de 0,25pp na reunião de junho é cenário-base. Com isso, ganha mais tempo.

2) O senhor acredita que o cenário seria diferente se não fosse o impacto do preço do petróleo por conta da guerra no Oriente Médio? Haveria espaço para um corte maior? 

O choque recente no preço do petróleo torna o trabalho do Copom mais complexo. Esse fator afeta tanto a inflação corrente quanto as expectativas e exige uma postura mais prudente. Antes desse choque externo, tínhamos uma inflação próxima de 3% por uma sequência de meses e um conforto maior do Comitê. O Copom volta a ficar mais preocupado com a convergência da inflação para a meta e com a credibilidade do processo.

3) O senhor aponta outros riscos para alta da inflação nos próximos meses que possa afetar a projeção do Santander para o IPCA em 4,5%?

Além do petróleo no mercado internacional, vemos alguns riscos relevantes no curto e médio prazo. Entre eles, destacamos eventuais reajustes nos preços dos combustíveis nas refinarias, que podem afetar a inflação de forma direta e indireta. Também entram no radar possíveis medidas compensatórias por parte do governo, cujo desenho pode alterar a dinâmica de preços relativos.

Outro ponto importante é a evolução dos riscos associados a El Niño, com impactos potenciais sobre preços de alimentos e energia. Nesse contexto, novas mudanças na bandeira tarifária da energia elétrica também podem pressionar a inflação. Por fim, uma valorização adicional do câmbio pode limitar o processo de desinflação, sobretudo nos bens tradables. Hoje o nosso tracker já aponta para um IPCA mais próximo a 5% este ano.

4) A decisão pode alterar o cenário do Santander para a Selic deste ano a 12,50%?

Neste momento, não. A decisão está alinhada com o nosso cenário e mantemos a projeção de Selic em 12,50% ao final do ano. No entanto, é claro que o balanço de riscos ficou mais desafiador. Choques externos persistentes ou deterioração adicional das expectativas podem levar o Copom a adotar um ciclo ainda mais tímido.

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