PF tenta descobrir se balcão de lobby de Ciro Nogueira tinha só Vorcaro como cliente
Fonte: veja.abril.com.br | Data: 08/05/2026 09:54:00

As investigações da Polícia Federal contra o senador Ciro Nogueira, apontado como despachante de negócios de Daniel Vorcaro no Senado, vão avançar para outras relações do político bolsonarista no mundo empresarial.
A partir das buscas realizadas nesta quinta-feira, os investigadores tentarão mapear as relações do parlamentar com o ecossistema de apostas online, por exemplo, e potenciais redes de lavagem de dinheiro por onde fluíram bilhões de reais em administradoras de fundos de investimentos.
As relações de Nogueira com empresários de diferentes setores são conhecidas. Na Lava-Jato, o empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC, apontado como coordenador do famoso Clube do Bilhão na Petrobras, admitiu ter repassado pelo menos 2 milhões de reais ao senador, que teria recebido o dinheiro a partir de malas de dinheiro e contratos fictícios de serviços.
Nogueira também foi citado como beneficiário de propina paga pelo grupo J&F, que admitiu em acordo judicial a compra de apoio político por meio de repasses estimados em pelo menos 2,8 milhões de reais.
Já a Odebrecht usava os apelidos “Cerrado” e “Helicóptero” para identificar Nogueira na contabilidade paralela de propinas pagas a políticos em troca de apoio parlamentar. Nogueira foi citado por delatores por solicitar repasses para campanhas eleitorais e para o partido.
Nos casos passados, o senador recebia recursos ilícitos, segundo investigadores, a partir das relações que mantinha em governos do PT. Ele conseguiu fazer a transição para o bolsonarismo, tornando-se um dos principais ministros de Jair Bolsonaro e, ao que tudo indica, manteve a lógica de atuação com empresários como o banqueiro Vorcaro.
Apesar dos documentos fornecidos por delatores, as investigações contra Nogueira na Lava-Jato e em outros casos foram anuladas pelo STF.
O senador sempre negou envolvimento em irregularidades.