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Evento discute impacto da IA no mercado de Wealth e os desafios de escala e relacionamento no Brasil

Fonte: einvestidor.estadao.com.br | Data: 08/05/2026 09:55:41

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08/05/2026 | 9:53


Atualização:
08/05/2026 | 9:53

Terceira edição do Gorila Wealth Trends | Fonte: Ágora Investimentos
Terceira edição do Gorila Wealth Trends | Fonte: Ágora Investimentos

Na última quarta-feira (06/05), o Teatro B32, na Faria Lima (São Paulo), sediou a terceira edição do Gorila Wealth Trends, evento que reuniu consultorias, gestoras e empresas relevantes do ecossistema de Wealth Management no Brasil.

O encontro teve como foco principal os impactos da inteligência artificial (IA) no desenvolvimento do setor, explorando como a tecnologia vem transformando a atuação de consolidadores, plataformas de wealth services e a relação entre empresas e seus clientes.

Entre os participantes estiveram Guilherme Soares, Head de Prospecção da Ágora Wealth Services, Caio Teruel da Cimo Family Office, João Arthur Almeida da Consultoria Suno e Frederico Padilha do Gorila, que integraram o painel “Como combinar tech stack e wealth services para entrega máxima de valor”. Durante sua participação, Soares destacou o papel estratégico da IA na ampliação da capacidade de atendimento, especialmente no modelo B2B. 

Guilherme ressalta que a tecnologia permite escalar soluções com mais eficiência e qualidade, tanto para parceiros quanto para clientes finais, otimizando uma das atuações essenciais dos profissionais do setor: o relacionamento.

O debate abordou um dos dilemas mais relevantes enfrentados pela indústria de Wealth nos últimos anos: terceirizar ou internalizar funções, especialmente as relacionadas à tecnologia. Em um ambiente cada vez mais competitivo e marcado pelo surgimento de novos players, a busca por eficiência na gestão de carteiras e por um atendimento próximo ao cliente tornou-se essencial para a diferenciação das marcas.

Com modelos de receita majoritariamente baseados em taxas sobre o patrimônio sob gestão, o crescimento das operações traz consigo uma complexidade operacional crescente. À medida que as empresas captam mais recursos, aumenta também a demanda por escala em dados, processos de back e middle office e relacionamento com clientes, áreas em que surgem gargalos significativos.

Outro ponto em destaque foi a dependência das plataformas de wealth services e seus limites operacionais. Os participantes discutiram os desafios de oferecer experiências personalizadas para perfis diversos, que vão de grandes gestores a consultorias emergentes, ao mesmo tempo em que se busca rentabilidade diante de elevados investimentos em tecnologia. Nesse contexto, a escolha de parceiros estratégicos se mostrou decisiva para o desempenho operacional das empresas.

Embora a ampliação de parcerias possa aumentar a capacidade de atendimento e a base de clientes, ela também eleva a complexidade operacional e exige adaptação a jornadas diversas. O consenso entre os especialistas é que, quando bem estruturadas, essas relações tendem a gerar ganhos mútuos e devem ser tratadas como prioridade por ambas as partes.

A inteligência artificial desponta como um dos principais vetores para enfrentar os desafios de escalabilidade do setor. Seu uso vai desde a consolidação e análise de grandes volumes de dados até o aprimoramento do relacionamento com clientes por meio de CRM, além de apoiar plataformas na geração de insights e na automação de processos operacionais.

Também ganhou destaque a decisão estratégica sobre a consolidação de dados por partes das empresas de Wealth, seja realizada internamente ou por meio de soluções externas, como as oferecidas pela própria Gorila. Essa escolha impacta diretamente os custos, a eficiência operacional e a experiência final do cliente, reforçando a importância de um consolidador robusto para mitigar fragilidades estruturais do mercado.

Guilherme conclui o painel apontando para uma tendência clara: enquanto a tecnologia tende a se tornar uma commodity entre plataformas, a inteligência artificial deve impulsionar significativamente a eficiência operacional do setor. Nesse cenário, o verdadeiro diferencial competitivo das empresas de Wealth estará cada vez mais concentrado na qualidade do atendimento e na construção de relacionamentos sólidos e duradouros, capazes de gerar valor real para os investidores.