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Com revestimento inspirado em pele de tubarão, Latam reduz emissões de CO₂ e consumo de combustível

Fonte: epocanegocios.globo.com | Data: 11/05/2026 06:58:16

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A pele de tubarão, conhecida por reduzir o atrito do animal com a água, inspirou o AeroSHARK, revestimento aerodinâmico utilizado pela Latam desde o fim de 2023 para diminuir a resistência dos aviões ao ar.

Desenvolvida pela Lufthansa Technik, subsidiária de manutenção e reparos do Grupo Lufthansa, e pela BASF Coatings, empresa de tintas e revestimentos, a tecnologia consiste em uma película funcional aplicada sobre a superfície da aeronave.

A Latam é a primeira companhia aérea fora do grupo Lufthansa a instalar a tecnologia em suas aeronaves.

Inovação de Resultado:

O revestimento é praticamente imperceptível aos passageiros. Segundo a Latam, o material possui pequenos sulcos longitudinais, chamados de riblets, com cerca de 50 micrômetros, orientados no mesmo sentido do fluxo de ar. Na prática, essas microestruturas ajudam a reduzir a resistência aerodinâmica durante o voo.

Os testes validaram a efetividade da tecnologia. Após a primeira aplicação em um Boeing 777-300ER em São Paulo, há três anos, a companhia registrou redução média de 1% no consumo de combustível e nas emissões de carbono. Com isso, decidiu ampliar o uso do AeroSHARK para seis aeronaves do mesmo modelo.

A previsão é que toda a frota Boeing 777-300ER da Latam — composta por 10 aeronaves — esteja adaptada até 2027, quando deve haver um corte de até 12 mil toneladas de CO₂ por ano.

LATAM Airlines Brasil Boeing 777 — Foto: Getty Images
LATAM Airlines Brasil Boeing 777 — Foto: Getty Images

A aposta no AeroSHARK faz parte de um pacote mais amplo de medidas adotadas pelo Grupo Latam Airlines para tornar suas operações mais eficientes. De acordo com a companhia, iniciativas operacionais e tecnológicas já evitam a emissão de mais de 1 milhão de toneladas de CO₂ por ano — volume equivalente às emissões geradas por cerca de 200 mil pessoas no mundo.

Boa parte dessas mudanças passa despercebida pelos passageiros. Elas envolvem decisões como a forma de deslocar as aeronaves em solo, o peso dos equipamentos a bordo, o desenho da cabine e o uso de dados para otimizar o consumo de combustível.

Uma das medidas de maior impacto é o chamado Single Engine Taxi — ou taxiamento com motor único. Quando as condições operacionais permitem, as aeronaves se deslocam em solo usando apenas um motor, antes da decolagem ou depois do pouso. Segundo a Latam, a prática segue padrões de segurança e evita mais de 100 mil toneladas de CO₂ por ano.

Stephano Gachet, do Grupo Latam — Foto: Divulgação
Stephano Gachet, do Grupo Latam — Foto: Divulgação

Aeronaves mais leves

A companhia também tem investido na redução de peso das aeronaves. Os novos Airbus A320neo e A321neo incorporados à frota desde outubro de 2025 contam com assentos mais leves, que reduzem entre 200 e 250 quilos por avião. Ao contrário dos modelos antigos, esses assentos não flutuam mais, pois as aeronaves contam com coletes salva-vidas.

Embora a diferença pareça pequena, o impacto acumulado é relevante: a medida deve evitar cerca de 5 mil toneladas de CO₂ por ano e gerar economia aproximada de US$ 1,5 milhão.

Outra frente foi a retirada gradual de telas suspensas antigas em aeronaves de corredor único. Com a adoção de novos sistemas de entretenimento individual, esses equipamentos deixaram de ser necessários. A remoção diminui o peso das aeronaves e deve evitar aproximadamente 7 mil toneladas de CO₂ por ano, além de representar uma economia superior a US$ 2 milhões.

“A sustentabilidade na aviação depende não apenas de grandes transformações, mas também de decisões operacionais diárias que, combinadas, geram um impacto significativo”, afirma Stephano Gachet, líder do programa de eficiência operacional do Grupo Latam.

Segundo a companhia, essas ações integram seu programa de Eficiência de Combustível, que melhorou a eficiência operacional em 7%. Com isso, a Latam afirma ter evitado o consumo de mais de 2,4 milhões de barris de combustível por ano e a emissão acumulada de mais de 6,5 milhões de toneladas de CO₂.

Banner da série Inovação de Resultado (Novo) — Foto: Clayton Rodrigues
Banner da série Inovação de Resultado (Novo) — Foto: Clayton Rodrigues