Preencha os campos abaixo, e clique em para confirmar a mudança. Seis cidades da Bahia estão em epidemia de dengue após aumento de casos e especialista faz alerta
Fonte: correio24horas.com.br | Data: 11/05/2026 06:37:00
Estado contabiliza mais de 9 mil casos prováveis em 2026
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Maysa Polcri
Publicado em 11 de maio de 2026 às 06:00

Seis cidades baianas estão em situação de epidemia de dengue, segundo dados da Vigilância Epidemiológica da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), obtidos pelo Conselho Estadual de Saúde (CES). O cenário é caracterizado por um aumento considerável de casos em um curto período em determinada região.
A lista inclui os municípios de Araci, Campo Alegre de Lourdes, Maraú, Remanso, Uauá e Alagoinhas, esta última com decreto de situação de emergência por causa do avanço das arboviroses. Outras 43 cidades estão em situação de alerta.
O virologista Gúbio Soares, cientista que primeiro detectou o vírus da zika no Brasil, explica o que caracteriza a situação de epidemia das cidades.
“No caso desses municípios, é provável que os pacientes sejam pessoas que nunca tiveram contato com os vírus da dengue, chikungunya e zika. Por não terem resposta imune, são infectadas e o vírus se espalha. A epidemia é caracterizada por um aumento abrupto de casos e isso pode se espalhar em cidades vizinhas”, alerta.
“Esse aumento significativo de casos aponta que os vírus continuam ativos na população e que todas as medidas de campanha de prevenção devem continuar ativas, especialmente em períodos de chuva”, acrescenta o especialista.
Apesar do cenário crítico em parte do estado, os números gerais mostram redução de casos em comparação com o ano passado. Conforme boletim da Sesab atualizado até 4 de maio, a Bahia registrou 9,1 mil casos prováveis de dengue neste ano. No mesmo período de 2025, haviam sido notificados 16.146 casos prováveis, o que representa uma queda de 43,6%.
O estado contabiliza ainda 121 casos graves e dois óbitos confirmados por dengue. As mortes foram registradas nas cidades de Juazeiro e Jequié. Os pacientes tinham 33 e 61 anos, respectivamente. Para Gúbio Soares, a redução de casos pode ter relação com condições climáticas, com redução de chuvas em relação ao período anterior.
O presidente do Conselho Estadual de Saúde, Marcos Sampaio, pondera que o cenário atual é menos alarmante do que o vivido no ano passado, mas reforça que a população e os municípios não devem relaxar nos cuidados.
Em alerta temos cerca de 43 municípios, mas em epidemia seis. O cenário era muito mais preocupante no ano passado, mas a dengue sempre requer cuidado. Os números estão abaixo do que foi em 2025, mas isso não significa que não seja necessário um cuidado maior
Marcos Sampaio
Presidente do CES
Os municípios que entraram em epidemia deveriam ter intensificado as ações preventivas, segundo o presidente. “O combate à dengue requer os mesmos cuidados de sempre: não deixar água parada, cuidar de pneus e recipientes que acumulam água e investir em conscientização permanente. Mais de 80% dos focos de dengue estão dentro das casas das pessoas”, afirmou.
A vacina contra a dengue é de dose única e tem produção 100% nacional.
por Paulo Pinto/Agência Brasil
Em fevereiro deste ano, a secretaria estadual de Saúde iniciou a distribuição da primeira remessa da vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan. O imunizante, que utiliza tecnologia 100% brasileira, segue os critérios de priorização estabelecidos pelo Ministério da Saúde e é indicado para pessoas entre 15 e 59 anos.
Enquanto isso, a principal forma de prevenção contra a doença é evitar água parada, eliminando possíveis criadouros do mosquito Aedes aegypti. Entre os sintomas mais comuns estão febre alta de início súbito, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dores no corpo e nas articulações, manchas vermelhas na pele, náuseas, vômitos e cansaço extremo.
Emergência
Entre os municípios baianos em situação mais delicada está Alagoinhas, na região nordeste, que decretou situação de emergência após o aumento de casos de dengue, chikungunya e zika. As doenças são consideradas arboviroses por serem transmitidas por um tipo de mosquito, o Aedes aegypti.
De acordo com a prefeitura, entre 1º de janeiro e 29 de abril, foram registrados 1.374 casos suspeitos das arboviroses. Desses, 65 foram confirmados para dengue, 129 para chikungunya e quatro para zika, enquanto outros 650 pacientes ainda aguardam resultado laboratorial para dengue.
O decreto de emergência na cidade tem validade inicial de 30 dias e autoriza medidas emergenciais, como contratação de serviços, compra de insumos, campanhas educativas e visitas a imóveis públicos e privados para eliminação de focos do mosquito.
No último dia 18, o governo da Bahia autorizou o ingresso forçado em imóveis públicos e particulares em situações de iminente perigo à saúde pública. A medida foi publicada no Diário Oficial do Estado e estabelece procedimentos para ações de controle de dengue.
Zika e chikungunya
Alagoinhas também aparece no topo do ranking das cidades com o maior coeficiente de incidência de chikungunya da Bahia, com índice de 209,06 casos por 100 mil habitantes. Teixeira de Freitas, Apuarema, Morpará e Caraíbas estão entre os municípios com maiores coeficientes de incidência da doença no estado.
Os dados estaduais apontam redução nos casos de chikungunya e zika. Até o dia 4 de maio, a Bahia registrou 737 casos prováveis de chikungunya, uma queda de 40,3% em relação ao mesmo período de 2025. Até agora, uma morte pela doença foi registrada no estado neste ano, na cidade de Porto Seguro. O paciente tinha 73 anos. Já os casos prováveis de zika somaram 66, redução de 52,5%, sem registro de mortes.
Marcos Sampaio, presidente do Conselho Estadual de Saúde, destaca ainda que o combate às arboviroses depende diretamente da atuação conjunta entre poder público e moradores. “A prefeitura precisa garantir agentes de saúde, assistência e orientação à população, mas as pessoas também precisam fazer sua parte. Todas essas doenças vêm do mesmo mosquito e são combatidas com as mesmas técnicas de anos anteriores”, afirmou.
Em Alagoinhas, por exemplo, a prefeitura informou que de um total de 60 mil imóveis visitados, quase 29 mil não puderam ser vistoriados. Em muitos casos os agentes não foram autorizados pelos moradores. Os bairros com maior concentração de notificações são Jardim Petrolar, Centro e Teresópolis.
Em nota, a gestão afirma que a Diretoria de Vigilância em Saúde tem “intensificado as visitas domiciliares com os Agentes de Combate às Endemias (ACE) para o tratamento focal e a eliminação de criadouros”. O município solicitou reforço do UBV Pesado (fumacê) para atuar nas regiões com maior índice de infestação.
