Transição para tecnologia de baixo carbono abre portas para Brasil assumir liderança, diz diplomata
Fonte: estadao.com.br | Data: 16/05/2026 00:03:43
A mudança do clima é cada vez mais evidente: o aumento da temperatura global se acentuou de maneira mais acelerada nas últimas duas décadas, provocando eventos extremos cada vez mais recorrentes e ameaçando os processos de equilíbrio climático no planeta, os chamados “tipping points”. Diante de um dos maiores dilemas existenciais à vida na Terra, os países precisam adotar tecnologias de baixo carbono o quanto antes para reduzir emissões de gases de efeito estufa e capturar CO² (remoção desses gases da atmosfera para reduzir o aquecimento global).
Para o diplomata e negociador climático Pedro Ivo Ferraz da Silva, esse desafio também traz oportunidades para países como o Brasil. Ele aponta que o País ainda tem chance de assumir a liderança em tecnologias ainda em etapa pré-comercial, como gaseificação de biomassa, eletrolisadores (para a produção de hidrogênio verde) e combustível sustentável de aviação (SAF).

Diplomata em painel no SPIW sobre legado deixado pela conferência sobre o clima em Belém
Foto: Werther Santana/Estadao
“Temos oportunidades muito concretas, por exemplo no que diz respeito ao combustível de aviação sustentável, o SAF. O Brasil, em função da sua capacidade com biotecnologia, biocombustíveis, acho que pode dominar esse mercado ao oferecer soluções de baixa emissão de querosene de aviação, por exemplo”, disse ao Estadão. O diplomata palestrou nesta sexta-feira, 15, sobre o tema Inovação Tecnológica e Mudança do Clima: o Legado da COP30, no São Paulo Innovation Week.
Temos oportunidades muito concretas, por exemplo no que diz respeito ao combustível de aviação sustentável, o SAF. O Brasil, em função da sua capacidade com biotecnologia, biocombustíveis, acho que pode dominar esse mercado ao oferecer soluções de baixa emissão de querosene de aviação, por exemplo
Pedro Ivo Ferraz da Silva, presidente do Comitê Executivo de Tecnologia da UNFCCC
Legado da COP-30
O diplomata assumiu neste ano a presidência do comitê de tecnologia da ONU sobre mudança do clima (UNFCCC), marcando a primeira vez do Brasil à frente do órgão. O comitê produz análises e recomendações voltadas ao desenvolvimento e transferência de tecnologias para enfrentar a mudança climática, reunindo especialistas indicados por países desenvolvidos e em desenvolvimento. Atua em áreas como inovação, tecnologias emergentes, capacitação, financiamento e fortalecimento de ecossistemas tecnológicos.
Silva identifica ainda muitos empecilhos para a adoção dessas tecnologias, um deles sendo a concentração da capacidade de desenvolvimento e produção em poucos países. Para solucionar esse problema, destaca a criação de uma aliança global de países em desenvolvimento para acelerar o empreendedorismo verde e as tecnologias “limpas”, a Global South Cleantech Entrepreneurship Alliance (GSCEA), lançada durante a COP-30 no Brasil. O objetivo, segundo ele, é “explorar sinergias, agregar demandas, internacionalizar soluções de países com desafios muito mais comuns”.
SPIW leva programação gratuita a CEUs das periferias de São Paulo
Heliópolis, Cidade Ademar, São Mateus e Freguesia do Ó terão Marcelo Gleiser, Maria Homem, Ivair Gontijo e experiências imersivas.
SPIW nos CEUs no fim de semana
O São Paulo Innovation Week, festival de inovação realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, encerrou sua programação no Pacaembu e na Faap na sexta-feira (15) e segue para quatro Centros Educacionais Unificados (CEUs) ao longo do fim de semana. São eles: Heliópolis, Freguesia do Ó, Papa Francisco (Sapopemba) e Silvio Santos (Cidade Ademar).
Não é necessário fazer inscrição; o acesso será por ordem de chegada, sujeito à lotação dos espaços. A programação gratuita reúne nomes como Marcelo Gleiser, Maria Homem e Ivair Gontijo em debates e experiências imersivas. A segunda edição do São Paulo Innovation Week já está confirmada para 2027: será de 4 a 7 de maio, novamente no Pacaembu e na Faap.