A impossibilidade de um jornalismo imparcial no Brasil
Fonte: correiodopovo.com.br | Data: 20/05/2026 00:05:27
“Discursando no almoço que lhe foi oferecido no Rio, o sr. Smith, diretor do ‘Times’ [jornal londrino], traçou concisamente, em poucas palavras, o programa jornalístico daquele importante diário. O ‘Times’, declarou o sr. Smith, apoia qualquer governo eleito pelo povo, sem distinção de partidos e de cores. O interesse público sobreleva aos demais. Aquele jornal, por isso mesmo, é indiferente a quaisquer correntes políticas, quaisquer que sejam as suas insígnias. É o que se pode dizer um jornal neutro, sob o ponto de vista partidário. Essa neutralidade, porém, não significa eunuquismo moral, impassibilidade diante dos atos dos governos que são analisados e criticados por aquele grande órgão de publicidade, e isso, segundo pensa o sr. Smith, no interesse do próprio governo e no do povo. Essa atitude, de que provém a força da opinião do ‘Times’, é quase impossível no Brasil. Não se admitem jornais sem filiação política decisivamente proclamada. Os nossos diários têm que ser da situação, ou de oposição. A análise aos atos públicos da administração é considerada subversiva, a crítica um sinal de rebeldia, a censura oposição sistemática. É que talvez os governos ingleses não gozem, como os nossos, do privilégio da infalibilidade.”
O diário The Times, de Londres, foi fundado em 1785. O editor (cargo equivalente a diretor de redação na tradição jornalística britânica) em 1926 era Geoffrey Dawson. O representante do Times referido na notícia se trata de William Lints Smith, gerente responsável pela modernização do jornal entre o fim da década de 1920 e a seguinte.
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Polônia pós-golpe
“O governo provisório revolucionário está assim organizado: Marechal Pilsudski, ministro da Guerra; Zalski, dos Estrangeiros; professor Bartel, primeiro-ministro.”
“Telegrafam de Varsóvia dizendo que, no governo provisório da revolução organizado pelo marechal Pilsudski, este assumiu a pasta da guerra, o sr. Zaleski a pasta dos Estrangeiros, ficando como primeiro-ministro o professor Bartel.”
“Os serviços das estradas de ferro estão normalizados. A greve geral terminou. O sr. Prataj, presidente interino da República, partiu para Pesnau, a fim de restabelecer a calma. Do relatório oficial, publicado durante a revolução, constaram 205 mortos e 966 feridos.”
“Não foram confirmadas as notícias procedentes de Varsóvia dando a prisão dos srs. Roman e Dmowski, os principais delegados da Conferência de Versalhes, por terem atirado contra as tropas do marechal Pilsudski.”
“O sr. Zaleski declarou à imprensa que a política da Polônia para com o estrangeiro não sofrerá modificação alguma. A sua única preocupação é a manutenção da paz e procurará, para tal fim, a cooperação dos Estados que desejam sinceramente uma solução pacífica das questões internacionais.”
“Noticia-se oficialmente que o marechal Pilsudski, chefe do movimento revolucionário, sentiu-se repentinamente doente, não podendo assistir à sessão do gabinete.”
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Greve britânica
“Terminou às 3 horas e 30 minutos da manhã a conferência das uniões ferroviárias e dos empregados de transportes, ficando combinado o restabelecimento do tráfego de trens, bondes e automóveis amanhã. A conferência durou 10 horas.”
“Entraram em acordo os proprietários dos jornais e os operários gráficos que neles trabalham. As folhas londrinas reiniciarão a sua publicação a 18 do corrente.”
“Todos os jornais, tanto desta capital [Londres], como das províncias, apareceram nos formatos comuns e elogiaram a personalidade do sr. Baldwin, que resolveu a crise. Admiram as disposições reveladas por todas as classes durante a crise e exprimem geralmente a crença de que a regularização das condições dos industriais fortalecerá enormemente o estado econômico da Nação. O jornal ‘The Times’ diz que nada mais edificante, dentro da própria greve e na sua terminação, do que a presteza com que os patrões e empregados compreenderam as dificuldades mútuas. Em nenhuma das grandes indústrias tem havido qualquer tentativa para tratar dos problemas entre vencedores e vencidos. Diz o mesmo jornal: ‘A greve e a sua terminação demonstram que, na nossa sã democracia, não existe tendência para o comunismo e que as rivalidades de classe, pregadas por um grupo reduzido de extremistas, não dariam raízes entre nós’.”
“Os estivadores continuam em greve [em Southampton] e atacaram os trabalhadores voluntários, ferindo um.”
“Na Câmara dos Comuns, o sr. Robert Churchill declarou que as despesas do governo causadas pela greve não excederão de 750 mil esterlinos.”
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O dia 20 de maio na história
- 1498 O navegador português Vasco da Gama chega a Calicute, na costa sul ocidental do subcontinente indiano, completando sua descoberta do caminho marítimo para a Índia.
- 1506 Morre em Valladolid o navegador e explorador genovês Cristóvão Colombo, “descobridor da América”.
- 1570 O cartógrafo Abraham Ortelius publica o primeiro atlas geográfico moderno, o “Theatrum Orbis Terrarum”.
- 1799 Nasce em Tours o escritor e dramaturgo francês Honoré de Balzac.
- 1875 Estabelecido em Paris por 17 estados o Comitê Internacional de Pesos e Medidas.
- 1880 Morre no Rio de Janeiro a pioneira da enfermagem no Brasil, Ana Néri.
- 1902 Cuba obtém a independência dos EUA e Tomás Estrada Palma se torna o primeiro presidente.
- 1927 A Grã-Bretanha reconhece a soberania do rei Ibn Saud nos reinos de Hejaz e Nejd, que posteriormente se fundem e formam o Reino da Arábia Saudita.
- 1927 O aviador americano Charles Lindbergh decola de Paris em direção aos EUA para a primeira travessia solo e sem parada do oceano Atlântico.
- 1932 A aviadora americana Amelia Earhart decola de Newfoundland em direção à Irlanda para a primeira travessia solo realizada por uma mulher.
- 1935 Nasce em Montevidéu o político e guerrilheiro uruguaio José Alberto “Pepe” Mujica, ex-presidente do Uruguai.
- 1940 Os primeiros 30 prisioneiros chegam ao novo campo de concentração de Auschwitz.
- 1944 Nasce em Sheffield o cantor inglês Joe Cocker.
- 1946 Nasce na Califórnia a cantora e atriz Cher.
- 1952 Nasce em Yaoundé o ex-jogador camaronês Roger Milla, o mais velho a marcar gols em Copas do Mundo.
- 1956 Os EUA detonam sua primeira bomba de hidrogênio durante a Operação Redwing, no atol de Bikini, no Pacífico Sul.
- 1971 Forças paquistanesas massacram entre 10 e 12 mil hindus bengalis durante a guerra de independência de Bangladesh.
- 1980 Referendo popular em Quebec rejeita por 59,5% a independência da região do Canadá.
- 1983 Publicados na revista Science os primeiros estudos sobre o vírus HIV, causador da Aids, por um time de cientistas franceses.
- 1989 As autoridades chinesas declaram lei marcial contra os protestos pró-democracia na Praça da Paz Celestial, em Pequim.
- 1990 Realizadas na Romênia as primeiras eleições presidenciais e parlamentares pós-comunismo.
- 2002 Portugal reconhece a independência de Timor Leste, antiga colônia no sudeste asiático.
- 2019 Morre em Zurique o ex-piloto e empresário austríaco Nikki Lauda, tricampeão mundial de Fórmula 1.
* A grafia está atualizada para as normas atuais, à exceção dos nomes próprios