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Denúncias de suposta negligência médica levam famílias à praça da República em protesto por justiça

Fonte: oliberal.com | Data: 31/05/2026 12:51:41

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Familiares, amigos e integrantes do Movimento pela Vida (Movida) realizaram, na manhã deste domingo (31), um ato na Praça da República, em Belém, para cobrar justiça em casos de suposta negligência médica que resultaram em mortes. A mobilização reuniu parentes de vítimas, entre elas Bernardo Cavalleiro de Macedo, de 23 anos, cuja morte é alvo de questionamentos da família sobre a conduta adotada durante o atendimento médico, e Jamilly Vitória de Araújo Cordeiro, de 20 anos, que morreu junto com o bebê que esperava após atendimento para parto no Hospital Beneficente Portuguesa.

Com faixas, cartazes e fotografias, os participantes homenagearam as vítimas e cobraram respostas das autoridades e a responsabilização dos envolvidos. Bernardo Cavalleiro de Macedo, de 23 anos, que morreu em julho de 2023 após complicações durante uma pleuroscopia realizada em um hospital particular de Belém, foi uma das vítimas homenageadas durante a manifestação. O pai do jovem, o advogado Roberto Macedo, participou do ato e destacou a importância de manter o tema em evidência para que as investigações avancem e para evitar que outras famílias enfrentem situações semelhantes.

“Eu tenho uma profunda admiração pela profissão da medicina, pelos médicos. É uma profissão nobre, realmente muito importante. O que nós precisamos fazer, e o caso do Bernardo é emblemático para isso, é resgatar aquela medicina de antigamente: a medicina da vocação, do chamamento, da doação, do amor, do carinho pela profissão. Hoje, se vê uma medicina mercantilista”, relata.

Omissão

Roberto afirma que houve falhas no atendimento, omissão de informações à equipe médica e falta de acompanhamento dos profissionais responsáveis. Bernardo morreu após sofrer lesões na traqueia e perfuração pulmonar durante uma pleuroscopia, complicações que evoluíram para um quadro grave e resultaram em uma parada cardiorrespiratória. E, nesta segunda-feira (1º), os médicos citados no caso serão julgados pelo Conselho Regional de Medicina (CRM).

“A medicina que tira vidas, como aconteceu com o meu filho, não pode existir. Nós temos que combater essas más práticas. E o CRM tem uma grande oportunidade de mostrar à sociedade, nesse julgamento, que não compactua com esse tipo de medicina, com essa medicina mercantilista e desumana. Não é isso que o CRM prega, não é isso que o CRM defende. E a gente espera, realmente, que seja feita justiça”, pontua Roberto.

Caso Jamilly Vitória

Familiares de outras vítimas também estiveram presentes, entre eles o autônomo Fernando Araújo, esposo de Jamilly Vitória de Araújo Cordeiro, de 20 anos, que morreu junto com o bebê que esperava, a pequena Jasmin, após atendimento para parto no Hospital Beneficente Portuguesa, em Belém, no último dia 5 de maio. Segundo a família, a jovem procurou atendimento após sentir fortes dores, chegou a receber alta inicialmente e retornou à unidade. 

Ela permaneceu por mais de um dia em trabalho de parto aguardando um parto normal. Apesar de o bebê ter quase quatro quilos e de a família acreditar que seria necessária uma cesariana, Jamilly só foi encaminhada para uma cirurgia de emergência após complicações. O caso é investigado pela Polícia Civil. 


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Família de Jamilly Vitória cobra responsabilização por morte da jovem e do filho recém-nascido (Foto: Wagner Santana | O Liberal)

Durante a mobilização na praça, os familiares compartilharam relatos sobre as perdas e pediram celeridade no inquérito e justiça. “Normalmente, aos domingos, nós vínhamos aqui na praça da República para passear com ela grávida, esperando a nossa filha. Tivemos o nosso sonho interrompido: o sonho da paternidade, da maternidade e do companheirismo. Tivemos esse sonho interrompido por negligência do Hospital Beneficente Portuguesa. Estamos em busca de novas informações e aguardamos o laudo do Instituto Médico Legal“, comenta Fernando. 

“Para mim, eles demonstraram incapacidade ao realizar o parto da Jamilly. Fizeram manobras invasivas durante o procedimento, realizaram cortes e pressionaram a barriga dela, o que levou à fatalidade da minha esposa e da minha filha. Hoje estamos aqui buscando justiça. É mais um dia difícil, quase um mês após a partida da Jamilly. O que queremos é justiça. Para nós, é muito importante estar aqui. É difícil acordar e pensar que ela poderia estar aqui, que a nossa filha poderia estar aqui, que poderíamos estar vivendo felizes”, acrescenta Fernando.

Em nota divulgada anteriormente à imprensa, o Hospital Beneficente Portuguesa do Pará lamentou as mortes e afirmou que “toda a assistência necessária foi prestada pela equipe multiprofissional” e que teria atuado seguindo protocolos técnicos e assistenciais da instituição.

Acolhimento das famílias

Segundo a presidente fundadora do Movimento pela Vida, Iranilde Russo, a mobilização tem o objetivo de acolher famílias que perderam parentes em diferentes situações de violência e de cobrar que os casos sejam investigados e cheguem à Justiça. Ela destaca que, ao longo de 21 anos de atuação, o movimento passou a receber com mais frequência denúncias relacionadas a supostos erros médicos e negligência na área da saúde.

“O que tem nos assustado ultimamente são os casos de erro médico, que são situações pelas quais as famílias dificilmente lutavam, porque era algo muito fechado. A sociedade não tinha acesso. Os erros médicos aconteciam, os danos eram causados, mas as pessoas deixavam para lá, porque acreditavam que tinha chegado a hora. Só que não é bem assim. Existem casos e casos”, detalha.

A fundadora do movimento pontua que já acolheu mais de 300 casos ao longo de sua trajetória. Segundo ela, a atuação da entidade busca oferecer apoio às famílias que enfrentam o sofrimento causado pela perda de entes queridos, especialmente jovens que tiveram a vida interrompida precocemente. “Por isso, procuramos acolher essas famílias, oferecer um pouco de conforto e consolo, além de ajudar para que esses casos cheguem à Justiça e para que os responsáveis sejam penalizados de acordo com a lei”, observa.