Mesmo sem Cláudio Castro, disputa para o Senado tem inelegíveis e tentativas de acordo
Fonte: cbn.globo.com | Data: 03/06/2026 12:12:47
A desistência do ex-governador Cláudio Castro (PL) em concorrer ao Senado pulverizou a disputa entre diversos pré-candidatos ao pleito. Favorito a conquistar uma das duas vagas, Castro deixou a briga e largou o PL em meio a uma disputa interna para saber quem será o candidato do partido.
O movimento, provocado pelas duas operações da Polícia Federal em 11 dias e pelo desgaste político que, segundo aliados, tende a aumentar, também fortaleceu o nome do deputado federal Pedro Paulo (PSD), que será confirmado candidato ao Senado nos próximos dias na chapa do ex-prefeito, Eduardo Paes, ao governo do estado.
Com duas vagas em disputa, a eleição para o Senado foi definida como prioridade pelo PL e pelos bolsonaristas. Há uma divisão: na Assembleia Legislativa, o favorito é Carlos Portinho, que já é senador. Entre os bolsonaristas, o predileto é Carlos Jordy, deputado federal, que não conta com a simpatia da parte do PL ligada ao vice-presidente da Câmara dos Deputados, Altineu Côrtes. Há, ainda, o deputado federal Sóstenes Cavalcante, que não deve concorrer por decisão do pastor Silas Malafaia. Líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, Malafaia escolheu o ex-prefeito do Rio Marcelo Crivella como seu candidato ao Senado.
Nesse contexto de indecisão, quem vê espaço para crescimento é o grupo de Eduardo Paes. O deputado federal Pedro Paulo caminha para anunciar nos próximos dias sua candidatura ao Senado: para isso, trabalha nos bastidores para convencer dois partidos aliados a não lançarem candidaturas. O novo e poderoso PSDB planeja lançar a vereadora Helena Vieira ao posto. Ela conta com o apoio de lideranças cortejadas por Paes, como o deputado federal Julinho do Pneu, influente na Baixada Fluminense.
No mesmo campo, Pedro Paulo negocia com o Podemos para que o vereador Marcos Dias também não se lance ao mesmo cargo. Ambos têm perfil mais conservador e mais ligado ao eleitorado evangélico do que o presidente estadual do PSD. A leitura do partido é de que a pulverização de candidaturas ao lado de Eduardo Paes facilitará a eleição de dois conservadores em outubro.
O Republicanos aposta no ex-prefeito do Rio, Marcelo Crivella, e no ex-prefeito de Belford Roxo, Waguinho, como candidatos ao Senado. Unidos no cargo que ocuparam, e também na inelegibilidade: Crivella foi condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) à inelegibilidade até 2028 no caso conhecido como ‘QG da Propina’, um esquema operado pelo empresário Rafael Alves que, mesmo sem cargo oficial na prefeitura, negociava apoio político de empresários na sede da Riotur, empresa municipal de turismo, oferecendo como contrapartida favorecimentos em licitações, pagamentos prioritários e nomeações para cargos públicos. O caso está pendente de análise no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Já Waguinho trabalha para viabilizar sua candidatura após ter as contas rejeitadas pela Câmara de Belford Roxo em 2024. Nos bastidores, já escolheu até o suplente, ligado à Igreja Internacional da Graça de Deus, do missionário R.R. Soares. Conta com votos de conservadores e de eleitores de Lula da Baixada, à espera de um recall após a ajuda que deu ao petista em 2022.
Enquanto isso…
Fora da disputa para a qual se preparou e moveu a estrutura e a linha sucessória do estado do RJ, Castro tem se queixado a aliados de abandono.
Dias antes de ser alvo novamente de uma operação da Polícia Federal, o ex-governador telefonou para deputados estaduais e ex-prefeitos. Figuras que, em alguns momentos dos anos em que ele esteve no cargo, entre 2020 e março de 2026, até tiveram uma boa relação com o ex-governador, mas se afastaram diante da proximidade dele com o então presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Rodrigo Bacellar (União).
A esses interlocutores, Castro puxou assuntos diversos. Não pediu votos. Reclamou que a proximidade de Bacellar o afastara de amigos. Nesta semana, entre deputados ouvidos pela CBN, os relatos são de que são poucos os que ainda atendem e procuram o ex-governador.