Aggreko assume controle total de térmicas da BBF em sistemas isolados do Amazonas
Fonte: energialimpa.live | Data: 03/06/2026 14:13:32
A Aggreko Energia está prestes a consolidar o controle total de seis usinas termelétricas no Amazonas, após obter aprovação do Cade para adquirir a fatia remanescente pertencente à BBF.
A reestruturação de ativos essenciais para o suprimento elétrico na Região Norte avançou significativamente nesta semana. A Brasil BioFuels (BBF) avançou nas tratativas para transferir à Aggreko sua participação acionária em seis usinas de geração térmica. O movimento faz parte do plano de recuperação judicial do grupo brasileiro, que busca otimizar seu portfólio através de desinvestimentos.
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) já deu sinal verde para a transação. Com a decisão, a Aggreko, que já detém a liderança majoritária no Consórcio Geração Amazonas (CGA), passará a ser a única responsável pelas unidades, simplificando a gestão operacional em regiões isoladas.
Estrutura e eficiência operacional
As usinas envolvidas somam 11,44 MW de potência instalada, movidas a diesel e biodiesel. As unidades situadas em municípios como Envira e Ipixuna, além de plantas menores como Belém dos Solimões, Estirão do Equador, Feijoal e Palmeiras do Javarí, fazem parte dos lotes arrematados no Leilão de Sistemas Isolados nº 02/2016 da ANEEL.
Ao utilizar o mecanismo de Unidades Produtivas Isoladas (UPIs) previsto na Lei de Recuperação Judicial, a Aggreko blinda sua operação contra passivos pretéritos da vendedora.
“A consolidação dos ativos sob a gestão da Aggreko garante estabilidade ao suprimento de energia no interior do Amazonas, mitigando riscos financeiros e focando na eficiência técnica exigida pelo setor,” explicam as companhias envolvidas no processo.
Desafios regulatórios e sociais
Embora a barreira antitruste tenha sido superada, a conclusão do negócio ainda depende de uma série de trâmites complexos. Além da necessidade de aval da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e da Amazonas Energia, a localização dos ativos exige uma atenção especial às esferas ambiental e fundiária.
Por estarem em áreas de fronteira e próximas a terras indígenas, as empresas necessitam de autorizações do Ibama e do Exército Brasileiro (via Comando de Fronteira Solimões). Um ponto crucial será a obtenção do consentimento formal das comunidades indígenas residentes em regiões como Feijoal e Belém do Solimões.
A expectativa do mercado é que, uma vez superada essa fase, a centralização do comando sob uma única operadora traga mais previsibilidade e segurança energética para as populações atendidas pelo CGA, reforçando a confiabilidade do sistema elétrico isolado na região amazônica.